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Como eletrofunk 'driblou' preconceito do sertanejo e invadiu festas pelo interior do país

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Como eletrofunk 'driblou' preconceito do sertanejo e invadiu festas pelo interior do país

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DJ Jiraya UAI e MC Jacaré, destaques do eletrofunk
Reprodução/Instagram
A mistura do tamborzão e de vozes do funk com a batida do house ou EDM do eletrônico virou presença garantida nas festas de rua no interior do Brasil. Antes nichado e periférico, o eletrofunk se tornou o gênero “queridinho” nas festas sertanejas e nas listas de músicas mais ouvidas do país.
Atualmente, nomes como DJ Brenno Paixão, DJ Jiraya UAI, MC Jacaré e Jeninho se destacam e rodam o país cantando sucessos como “Chapeluda”, “Ela Carrega Minha Bolsa” e “Rua de Ouro” – esta última ocupava o top 50 do Spotify na última semana.
No entanto, mesmo com mais de uma década de história, foi só nos últimos cinco anos que o gênero conseguiu vencer o preconceito dos sertanejos mais tradicionalistas e deixar de tocar apenas nos carros de som e chegar aos principais eventos do interior.
Agora no g1
“É funk, mas não é funk”
O eletrofunk mistura muitos elementos e, até quem trabalha com gênero, tem dificuldade de explicar suas características.
“É um funk que não é funk, é funk mas não é funk. Tem mais da música eletrônica mesmo”, tenta resumir DJ Jiraya UAI. Porém, vale destacar que funk também é música eletrônica.
A grande diferença fica nos elementos mais claros do que é considerado como música eletrônica tradicional, o “putz putz” que se ouve mais em raves do que em bailes de favela.
Com letras que falam da vida no interior, o eletrofunk se tornou febre nas festas de rua e nos paredões de som ainda no início dos anos 2010, principalmente nos estados do Centro-Oeste.
O ponto de virada
Na virada da década, músicas como “Pipoco”, de Ana Castela com Melody, e “Ela Pirou na Dodge Ram”, de Luan Pereira com MC Ryan SP, colocaram o eletrofunk no repertório de dois dos principais artistas do gênero, furando uma bolha de nicho.
Mas ainda faltava quebrar a barreira dentro do círculo dos rodeios e feiras, além de fazer com que artistas sertanejos mais conservadores entendessem a importância da nova geração.
“Eu acho que, no começo, tinha muito artista que não gostava mesmo, muito por uma visão de que as letras eram ruins e tal. Ainda tem gente que vira o olho, mas a maioria viu que tem uma molecada boa, fazendo um trabalho muito legal”, comenta Luan Pereira.
“Até entendo que o pessoal mais tradicional não queira ver em festa, mas o pessoal do eletrofunk tem muito respeito pelo sertanejo também. A maioria vem da roça também, sabe a importância das raízes.”
Principalmente no pós-pandemia, as principais feiras agropecuárias e festivais de rodeio do país passaram a ter presença garantida de artistas cantando ou tocando eletrofunk no lineup, atraindo um público mais jovem e também intercalando novos ritmos sem abrir mão da ligação com o sertanejo.
Para se ter uma ideia, este será o terceiro ano seguido do DJ Jiraya UAI na festa do Peão de Barretos. Ele dividirá o palco com Eduardo Costa e Paula Fernandes, Maria Cecília & Rodolfo, Kaique & Felipe.
Tecnologia offline
Um dos grandes diferenciais do eletrofunk é uma dinâmica de divulgação das músicas pela tecnologia dos pen drives.
É por meio dos aparelhos que DJs e artistas divulgam seus trabalhos nas festas de rua.
Não é como se plataformas como o Spotify e, principalmente, o YouTube, que oferece muitas playlists com remixes do gênero, não fossem importantes para o trabalho de conexão com o público. Mas os pen drives são mais populares pois funcionam 100% offline e são mais fáceis na hora da reprodução nos paredões de som que tocam nos eventos públicos.
“A cultura do som automotivo é muito forte, a galera coloca os "sonzões" nas portas dos carros — eu mesmo tenho uma caminhonete lotada. E, tipo assim, a melhor qualidade para ouvir a música lá é no pen drive”, explica o DJ Brenno Paixão, um dos grandes nomes do eletrofunk.
"Os caras já vão lá, baixam no YouTube e colocam no pen drive, porque tem muito carro de som em Goiás, no Paraná, no interior do Brasil em geral. A galera gosta de passar no pen drive e andar pela cidade tocando a melhor playlist."
O “fator” MC Jacaré
MC Jacaré – Sexta, 27/02 – Funk fecha a sexta com energia
Divulgação
Se o topo do Spotify, a principal plataforma de streaming do país, é dominado por sertanejo e funk, MC Jacaré conseguiu encontrar o meio do caminho e colocar o eletrofunk como destaque.
Nascido e criado em Goiânia, ele viu no funk uma chance de viver de música.
“Eu amo sertanejo, toco viola, toco violão, gosto demais de modão, mas produzir sertanejo é um investimento mais caro. Agora, no funk, por exemplo, eu tenho uma música que tem 100 milhões de visualizações e eu gravei a voz no celular. Além da facilidade de produzir, eu também gosto demais de funk. Hoje em dia não tem como você ir a uma festa e não tocar funk, né?”, contou ao g1, durante entrevista em 2022.
O sucesso de Jacaré com canções de eletrofunk chamou a atenção de nomes do funk de São Paulo, caso de MC Ryan SP, com quem lançou músicas como “Posso Até Não Te Dar Flores”, sucesso do verão com centenas de milhões de plays nas plataformas de streaming.
Porém, mesmo com o sucesso nacional, Jacaré não fez o movimento de se mudar para o eixo RJ-SP. Ele se manteve na sua cidade natal, abriu sua própria produtora (a Croco Hits) e se tornou referência de música na região.
“Hoje, um artista pode viver de eletrofunk. Tem produtor focado no gênero, artista que só canta isso. Não é mais uma coisa de nicho, que a galera olha torto. E acredito que só vai crescer”, diz Jiraya UAI. ...

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