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Saiba quem é o suspeito de lavar dinheiro com alho argentino junto com empresário alvo dos EUA

G1 (Globo)
Saiba quem é o suspeito de lavar dinheiro com alho argentino junto com empresário alvo dos EUA

Diego Lameiro Diz (à esq.) é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do grupo liderado por Victor Shimada (à dir.)
Reprodução
Diego Lameiro Diz é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro e responsável por dar suporte à lavagem de dinheiro do grupo liderado por Victor Henrique de Oliveira Shimada, que também é alvo de sanções impostas pelos Estados Unidos por suspeita de envolvimento com o Primeiro Comando da Capital. Os dois eram considerados foragidos até a última atualização desta reportagem.
Segundo apurado pelo g1, Diego tem 40 anos e é de Santos, no litoral de São Paulo. Ele foi identificado por autoridades norte-americanas e chamou a atenção da PF a partir de mensagens trocadas com Shimada sobre a produção de alho na qual trabalha em Mendoza, na Argentina (veja mais abaixo).
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A Polícia Federal deflagrou a Operação Exchange na sexta-feira (3), com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Diego, Shimada e outras nove pessoas estavam entre os alvos.
Victor Shimada é foragido da Justiça e PF mira grupo sancionado pelos EUA
Por meio de nota, o advogado Vítor Vitorio, que representa Diego Lameiro, informou que o investigado irá prestar oportunamente todos os esclarecimentos que se fizerem necessários. Ele destacou que já apresentou uma petição solicitando acesso aos autos do processo.
"É importante destacar que a investigação ainda se encontra em fase preliminar, inexistindo qualquer juízo de culpa ou condenação. A Constituição Federal assegura a todo cidadão o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e, sobretudo, a presunção de inocência", afirmou Vitorio.
O advogado acrescentou estar confiante de que os fatos serão esclarecidos e a inocência de Diego será reconhecida, "motivo pelo qual não fará comentários sobre o mérito da investigação neste momento, em respeito ao sigilo processual e à regularidade das diligências em curso".
Quem é Diego
Em uma rede social, Diego divulgou que fez um curso de Logística na Faculdade de Tecnologia (Fatec) Rubens Lara, em Santos, entre 2004 e 2008. Ele também informou ter iniciado Engenharia de Produção em uma universidade da cidade, mas não terminou devido à mudança para fora do país, em 2014.
Em outra rede social, ele disse atuar no agronegócio brasileiro e no comércio internacional, com emojis de verduras e legumes, incluindo um alho.
No documento da representação da PF enviada à Justiça, a corporação apontou o santista como operador financeiro e responsável por dar suporte à lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada nos Estados Unidos e no Brasil.
A polícia destacou que o homem possui mais de 15 empresas, sendo que todas foram registradas com atividade principal de comercialização de alimentos e foram constituídas em um curto espaço de tempo. Por exemplo, oito delas foram abertas entre 2023 e 2024.
O relatório também apontou a existência de cinco comunicações de operações financeiras em nome de Diego, que totalizam R$ 4,47 milhões.
Alho argentino
Ainda no documento, a polícia informou que foram constatadas conversas de Diego em que Shimada pede fotos e vídeos da produção do alho com que Diego trabalha na Argentina, pois teria uma reunião com um possível comprador do produto.
A PF ressaltou que constatou inúmeros registros da entrada de alho argentino de forma ilegal no Brasil, acrescentando que outras negociações desse produto foram retratadas, inclusive com o envio de imagens e diversos detalhes da comercialização.
A atividade é suspeita de ser utilizada para movimentar recursos da organização criminosa.
Operação Exchange
PF vasculha apartamento de ex do empresário brasileiro alvo de punições dos EUA
O objetivo da ação, que mobilizou mais de 50 policiais federais, foi desarticular uma organização criminosa especializada na lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas. Segundo a PF, uma análise preliminar permitiu identificar movimentações superiores a R$ 10 bilhões.
Durante a operação, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa. Ela é parente de Shimada e apontada pelo governo americano como a intermediária na coleta de grandes quantias em dinheiro, fornecendo serviços logísticos essenciais para as operações de lavagem da rede.
Mandados em Santos
De acordo com a corporação, os mandados eram em endereços em quatro cidades: São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba.
Em Santos, a equipe da PF esteve em um endereço de Shimada, no bairro Ponta da Praia. No apartamento de alto padrão, vive a ex-esposa e os três filhos menores de idade.
O advogado dele, Yuri Cruz, do escritório Marcelo Cruz Advocacia Criminal, esteve no cumprimento do mandado. Segundo ele, foram apreendidos celulares e documentos do imóvel.
Defesa do empresário
Segundo Cruz, a defesa ainda está se inteirando dos fatos. “Vamos solicitar a habilitação dentro do procedimento para que a gente possa aí, então, analisar de fato os elementos que subsidiaram as decisões que determinaram as buscas e apreensões e também as prisões temporárias”, afirmou, em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.
O advogado disse ainda que Shimada é um dos alvos de prisão temporária e deve analisar a possibilidade de se entregar à polícia. “Isso passa também por uma decisão pessoal, mas é mais uma das hipóteses a serem avaliadas”, disse.
Cruz explicou que a defesa deve tentar revogar o pedido de prisão temporária porque entende que ela não é necessária para o desenvolvimento das investigações. No entanto, qualquer ação será adotada após o advogado ter acesso à investigação.
“Nós vamos ainda, evidentemente, se reunir com o cliente e vamos avaliar as possibilidades técnicas. Certamente algumas decisões passam por um aspecto pessoal, mas após termos acesso à integralidade da investigação, às motivações, ao alcance das investigações, aí que adotaremos as medidas técnicas que entendermos pertinentes”, ressaltou.
De acordo com Yuri Cruz, o empresário recebeu com surpresa as sanções das autoridades norte-americanas. “Ele nega tanto a participação em organização criminosa, como também a prática do crime de lavagem de capitais”, finalizou.
Apartamento da ex-esposa de Victor Henrique de Oliveira Shimada foi alvo de mandado de busca e apreensão em Santos (SP)
Diego Bertozzi/TV Tribuna e Reprodução/Globonews
Sanções dos EUA
Shimada é sócio das empresas Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda e da Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda. Ele é acusado pelo governo americano de:
lavar mais de US$ 30 milhões (cerca de R$ 156 milhões) em recursos ilícitos gerados em várias cidades dos EUA, utilizando criptomoedas para transferir valores de volta ao Brasil em nome do PCC;
envolver-se em outros crimes financeiros além da lavagem de dinheiro do tráfico.
No Brasil, o empresário é investigado por suspeita de participação em operações de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso VaideBet, que apura desvios de recursos do contrato de patrocínio entre o Corinthians e a casa de apostas.
Ao informar a sanção, os EUA citaram que a Victory Trading, da qual Shimada é sócio, foi utilizada para lavar dinheiro desviado de um clube de futebol brasileiro, porém não mencionou o nome do time alvinegro no comunicado.
Segundo os EUA, Victor e Stella e as três empresas citadas integrariam uma rede internacional de lavagem de dinheiro do PCC, que tem sido investigada na Flórida. Outros seis acusados de integrar essa rede de lavagem de dinheiro foram presos em janeiro deste ano no estado norte-americano, segundo o comunicado.
As sanções foram formalizadas pelo Departamento do Tesouro norte-americano.
Esta é a primeira rodada de sanções econômicas divulgadas pelo governo Trump contra alvos que acredita ter relação com a facção brasileira após ter classificado o PCC e o CV como grupos terroristas internacionais, em junho.
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