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Paranaense atravessa fronteira com o Paraguai para encontro pelo Grindr, é sequestrado e tem prejuízo de R$ 100 mil: 'Falaram que iam me matar'

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Paranaense atravessa fronteira com o Paraguai para encontro pelo Grindr, é sequestrado e tem prejuízo de R$ 100 mil: 'Falaram que iam me matar'

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Criminosos fazem novas vítimas com falsos encontros pela internet na fronteira
Um morador do Paraná afirma ter sido vítima de um golpe após atravessar a fronteira entre Foz do Iguaçu e Cidade do Leste, no Paraguai, para encontrar um homem conhecido pelo aplicativo de relacionamentos Grindr, rede social voltado para a comunidade LGBTQ+ e que conecta pessoas próximas por geolocalização.
A vítima afirma que foi mantida em cativeiro por mais de 12 horas, agredida e ameaçada de morte até fazer transferências bancárias e empréstimos que somam cerca de R$ 100 mil. O g1 optou por não identificar o homem por questões de segurança.
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A vítima contou que estava em Foz do Iguaçu a trabalho quando marcou o encontro pelo aplicativo. A conversa, segundo ele, parecia normal. Os dois combinaram de se encontrar no lado paraguaio da fronteira.
"Eu estava fazendo um evento em Foz do Iguaçu. Como não conhecia ninguém na cidade, criei uma conta no Grindr para conversar com alguém e sair para jantar. A pessoa ia me encontrar na frente do motel e de lá a gente ia jantar", relatou.
Identidade da vítima não foi divulgada por motivos de segurança
RPC Foz do Iguaçu
Segundo o homem, ao chegar a Cidade do Leste, no Paraguai, ele foi buscado por um motociclista. Em vez de seguir para o local combinado, porém, foi levado até uma região de becos e mata no bairro San Rafael, onde outros cinco homens armados o aguardavam.
"Eles começaram a me bater e falar: 'Perdeu, perdeu'. Pegaram meu telefone e mandaram desbloquear. Como eu errei a senha por nervosismo, começaram a me bater e falaram que iam me matar se eu não colaborasse", contou.
A vítima afirma que foi levada para diferentes pontos de uma área de mata, onde permaneceu sob ameaça durante toda a noite. Segundo o relato, os criminosos exigiam acesso ao celular para contratar empréstimos e realizar transferências bancárias.
"Eles falavam o tempo inteiro que iam me matar, me jogar no rio e que eu nunca mais ia ver minha família."
A vítima conseguiu escapar depois de ser abandonado em uma viela. Ao reconhecer a região central de Cidade do Leste, caminhou até a área da Ponte da Amizade e procurou a Polícia de Turismo paraguaia para registrar a ocorrência.
Em nota, o Grindr afirmou que repudia qualquer uso da plataforma para crimes e disse que trata com seriedade casos de violência e extorsão contra usuários. A empresa informou que colabora com as autoridades e que reforça medidas de segurança, como alertas para usuários em regiões de risco e orientações para que os primeiros encontros ocorram em locais públicos. Veja na íntegra ao final da reportagem.
Para tentar reduzir os crimes, a polícia paraguaia reforçou o patrulhamento nos becos do bairro San Rafael e mantém equipes nos principais acessos para orientar turistas. No caso do crime contra o brasileiro entrevistado pelo g1, ninguém foi preso.
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Prejuízo de R$ 100 mil
Segundo a vítima, os criminosos aproveitaram o limite de crédito disponível em bancos para contratar empréstimos e utilizar cartões.
O prejuízo estimado chega a R$ 100 mil. Parte das operações foi cancelada por um dos bancos, mas, segundo ele, outras instituições da qual é cliente ainda não reconheceram as fraudes.
"Quando vi que estava livre, pensei: 'Minha vida acabou'. Eles acabaram com meu nome. Eu não tinha como pagar aquelas dívidas", disse.
Polícia paraguaia diz que crimes do tipo contra brasileiros são comuns
Segundo a Polícia Nacional do Paraguai, crimes como este são conhecidos e acontecem principalmente no bairro San Rafael, em Cidade do Leste.
De acordo com o policial paraguaio Donato Escobar, o golpe segue um roteiro.
"O modo de agir desses criminosos é buscar as vítimas em algum ponto da cidade e levá-las ao bairro San Rafael, onde há cúmplices. Lá, elas são obrigadas a fazer transferências bancárias e, em alguns casos, empréstimos", afirmou.
O policial disse ainda que, sozinho, atendeu cerca de 20 ocorrências semelhantes nos últimos anos e que aproximadamente 95% das vítimas são brasileiras. Apenas neste ano, oito casos foram registrados na delegacia responsável pela região.
O que diz o Grindr
Procurado pelo g1, o Grindr se manifestou por meio de nota. Veja na íntegra abaixo:
"No Grindr, assumimos com muita seriedade a responsabilidade de conectar a comunidade queer e ficamos profundamente alarmados com relatos como os que você mencionou. Casos de violência, extorsão e exploração são de extrema gravidade, e repudiamos veementemente qualquer abuso de nossas ferramentas que coloque nossa comunidade em perigo.
Assim como em qualquer rede social ou aplicativo de relacionamentos, existem situações em que usuários mal-intencionados tentam burlar as regras, o que pode trazer riscos aos demais. Dedicamos nossos esforços diários para garantir um espaço seguro para todos e colaboramos de forma contínua com os órgãos de segurança pública. Isso inclui o uso do sistema Kodex, implementado por nós para tornar o compartilhamento jurídico de dados mais ágil e eficiente, apoiando o trabalho de investigação da polícia sempre que a nossa plataforma for envolvida.
Como suporte aos usuários, atualizamos com frequência as nossas orientações de proteção. Além disso, disparamos alertas de segurança via pop-up para a base de usuários da região afetada. Para o primeiro encontro presencial, recomendamos enfaticamente que utilizem a chamada de vídeo para confirmar a identidade do perfil, escolham locais públicos, enviem a localização em tempo real para alguém de confiança e fiquem atentos aos sinais de alerta. Qualquer atitude suspeita ou ilegal deve ser denunciada imediatamente no próprio aplicativo ou à polícia."
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