Pesadelos e medo da água: mulher que sobreviveu a 42 horas à deriva fala sobre recomeço um mês após resgate

이 뉴스, 어떠셨어요?
한 번의 탭으로 반응을 남겨요 · 로그인 불필요
Bruna Damaris após mudar o visual, um mês depois do resgate, e durante a internação após ser encontrada viva no mar de Ilhabela.
Reprodução/Acervo pessoal
Um mês após ser encontrada viva depois de passar cerca de 42 horas à deriva no mar em Ilhabela, no Litoral Norte de São Paulo, Bruna Damaris Sant'Anna da Silva afirma que ainda enfrenta as consequências do trauma, mas tenta reconstruir a rotina.
Em entrevista ao g1, ela contou que o período foi marcado por dificuldades para dormir, medo da água do mar e até de tomar banho, além da busca por recuperar a autoestima. Bruna foi resgatada por pescadores durante o terceiro dia de buscas, que mobilizou autoridades e é investigado.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp
Leia também
Mulher resgatada após passar 42h à deriva em alto-mar recebe alta do hospital em Ilhabela
Mulher resgatada após passar 42h à deriva recebe alta do hospital em Ilhabela: 'Orei demais no mar'
Exposição ao frio, jejum prolongado e impacto psicológico: médicos falam sobre estado de mulher resgatada após 42 horas à deriva
Colete salva-vidas, clima e resistência física: o que ajudou mulher a sobreviver 42 horas à deriva no mar
Bruna conta que a primeira semana após receber alta foi a mais difícil. Segundo ela, o trauma provocou pesadelos e fez com que tarefas simples, como tomar banho, se tornassem um desafio.
"Eu tinha muita dificuldade para dormir. Cheguei a tomar medicação, mas prefiro evitar. Na primeira semana foi bem complicado. Eu tinha pesadelos e, de vez em quando, ainda tenho", relata.
Ela afirma que faz acompanhamento com psiquiatra e psicólogo e lembra que chegou a precisar da ajuda de uma amiga para tomar banho.
"Ela ficava falando: 'Essa água é boazinha, essa água é quentinha'. Ficava o tempo todo do meu lado."
Bruna Damaris à esquerda e moto aquática que afundou, à direita.
Reprodução/Acervo pessoal/Marinha
Mais apoio na recuperação
Apesar das dificuldades, Bruna diz que o apoio da família, da namorada e dos amigos foi fundamental para sua recuperação.
"Se eu não tivesse o apoio da minha família, dos meus amigos e da minha namorada, acho que estaria dentro de um quarto fechado, tomando um monte de medicação e sem ânimo para viver."
Ela conta que também sentiu culpa por ter deixado Dheorge Pereira Bernardino para tentar buscar ajuda, mas hoje acredita que ambos teriam morrido se tivesse permanecido ao lado dele. O corpo dele foi encontrado no dia 1º de junho e a causa foi apontada como afogamento.
Bruna Damaris Sant’anna da Silva foi encontrada nesta terça-feira.
Arte/g1
Recomeço
Ao longo do último mês, Bruna buscou retomar a rotina aos poucos. Ela voltou a cozinhar, assistiu a séries e preparou um camarão pescado pelos mesmos pescadores que a encontraram viva no mar.
Ela também decidiu mudar o visual, iniciativa que partiu de uma cabeleireira amiga.
"Ela queria me presentear com esse cuidado para que eu tivesse um recomeço brilhante e saudável. Foi aí que a ideia do recomeço se fortaleceu na minha mente."
Moto aquática encontrada em alto-mar; mulher e homem estavam embarcados.
Reprodução
Segundo Bruna, a mudança ajudou a recuperar a autoestima após as marcas deixadas pela exposição ao mar. Ela afirma que o acidente também mudou sua relação com o oceano.
"Embora eu tenha nascido e crescido em São Sebastião e ame o mar, não pretendo entrar para nadar tão cedo. Prefiro manter distância por enquanto."
Bruna diz ainda que aprendeu a valorizar quem esteve ao seu lado durante a recuperação e que hoje está em paz.
"Prestei todos os esclarecimentos necessários à polícia. Logo após o resgate eu ainda estava desnorteada. Agora estou em paz."
‘Minha filha é um milagre de Deus’, diz pai de mulher resgatada após 42 horas à deriva
Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina ...