Professor acusado de assediar ex-aluno com mensagens sexuais é investigado por stalking; entenda

Jovem descobre perseguição de ex-professor ao simular Pix para número desconhecido
O caso do professor da Escola Técnica Estadual (Etec) de Cubatão (SP), que foi afastado do cargo após ser acusado de enviar mensagens de teor sexual para um ex-aluno, é investigado pela Polícia Civil como perseguição, crime conhecido como stalking.
O jovem, que não será identificado, contou ao g1 que decidiu descobrir quem era o autor das mensagens enviadas no WhatsApp por um telefone desconhecido. Ele teve a ideia de simular um Pix no valor de R$ 0,01 para o número, quando apareceram o nome e parte do CPF do docente.
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Em nota, o Centro Paula Souza (CPS) informou que o professor será afastado das atividades até a conclusão da apuração preliminar do caso (veja o posicionamento completo abaixo). A identidade do homem não foi informada pela polícia.
O advogado Fabio Hypolitto, que não tem relação com o caso, explicou ao g1 que o crime de stalking está previsto no artigo 147-A do Código Penal. A prática ocorre quando alguém persegue reiteradamente outra pessoa, ameaçando a integridade física ou psicológica da vítima.
Stalking: entenda o que é esse crime, saiba identificar e veja como denunciar
Hypolitto acrescentou que o crime pode acontecer tanto presencialmente quanto pela internet. Como mostrou uma reportagem do g1 anteriormente, a principal característica é a repetição, mas as formas em que o assédio pode ocorrer são variadas, por exemplo:
Muitas mensagens de uma mesma pessoa em diversas oportunidades, mesmo sinalizando que não quer ter aquele contato;
Muitas ligações seguidas;
Comentários, principalmente com teor negativo, em publicações feitas em redes sociais;
O stalker pode criar perfis falsos em redes sociais para acompanhar o que você posta caso seja bloqueado;
Familiares e/ou amigos começam a ser seguidos pelo stalker, ou pelos mesmos perfis falsos;
A vítima percebe que alguém está sempre nos mesmos locais e horários que você;
A vítima recebe comentários que mostram que aquela pessoa te viu ou sabe sobre a sua rotina, como dizer exatamente a roupa que você estava usando ou uma foto de algo seu ou de um lugar em que você esteve.
🚨 ATENÇÃO: O termo "stalkear" pode parecer banal por ser utilizado para se referir a prática de bisbilhotar os posts de pessoas. A curiosidade, por si só, não configura nenhum tipo crime.
Veja como e quando denunciar o 'stalking', crime de perseguição
Daniel Ivanaskas/G1
Outros crimes
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) afirmou que o caso é investigado pelo 3° Distrito Policial (DP) da cidade, que realiza diligências visando o esclarecimento dos fatos. "Demais detalhes serão preservados para garantir a autonomia ao trabalho policial", destacou a pasta.
Conforme relatado no boletim de ocorrência, o crime foi tipificado como stalking pela Polícia Civil. Apesar disso, o advogado afirmou acreditar que poderão recair outros delitos de natureza sexual após apreciação do Ministério Público. Veja abaixo:
➡️Artigo 215: Importunação sexual;
➡️Artigo 216-A: Assédio sexual devido à hierarquia entre professor e aluno;
➡️Artigo 140: Injúria, pois o docente chamou o jovem de "bundudo" em uma das mensagens.
O advogado acrescentou que o caso também pode ser enquadrado como perturbação do sossego. "Não é tecnicamente classificada como crime, mas sim como uma contravenção penal [...] devido excessivas e insistentes mensagens enviadas direcionadas ao aluno", finalizou.
Jovem descobre estar sendo perseguido por ex-professor ao simular Pix de R$ 0,01 para número desconhecido
Arquivo Pessoal
Relembre o caso
O jovem estudou na Etec de Cubatão entre 2023 e 2024. Segundo ele, em maio de 2024, recebeu as primeiras mensagens no WhatsApp em que o autor dizia que ele era "lindo" e "gostoso".
"Recebi algumas mensagens estranhas de um número desconhecido. De primeira, não dei muita bola, mas depois da terceira mensagem resolvi investigar quem era o autor", lembrou o ex-aluno.
O rapaz pesquisou como identificar uma pessoa apenas com o número de telefone e encontrou uma sugestão de fazer uma simulação de transferência. Quando o contato está cadastrado como chave Pix, é possível identificar o nome e parte do Cadastro de Pessoa Física (CPF).
Jovem descobre estar sendo perseguido por ex-professor ao simular Pix de R$ 0,01 para número desconhecido
Arquivo Pessoal
Ao ver o nome do docente, o jovem bloqueou imediatamente o contato. Em outubro de 2025, outro número desconhecido enviou o mesmo tipo de mensagem. "Como eu já desconfiava quem era, fiz a mesma coisa do Pix e era o professor de novo. Dessa vez, entrei em contato com a escola", disse.
A unidade de ensino identificou que a parte do CPF condizia com o cadastro do docente na instituição. O jovem afirmou ter sido orientado a registrar um boletim de ocorrência (BO) e denunciar o caso em um site do governo estadual.
Novas mensagens
Em 2025, o jovem não teve mais retorno da escola e a formalização da denúncia acabou não sendo concluída. No último domingo (7), ele foi contatado por meio do aplicativo Telegram por um número com o nome do professor: "Gostoso. Bundudo gostoso. Bora real".
Diante da situação, o ex-aluno registrou o BO afirmando que a insistência nos contatos, apesar dos bloqueios realizados, tem causado constrangimento, desconforto e sensação de insegurança.
No registro policial, ele destacou que as mensagens são excessivamente íntimas, inadequadas e com conteúdo sexualmente sugestivo.
Jovem descobre estar sendo perseguido por ex-professor ao simular Pix de R$ 0,01 para número desconhecido
Arquivo Pessoal
Veja a íntegra da nota do Centro Paula Souza abaixo:
"O Centro Paula Souza (CPS) informa que o professor será afastado cautelarmente de suas atividades até a conclusão da apuração preliminar do caso. Ao tomar conhecimento dos fatos, a direção da Etec de Cubatão prestou acolhimento ao ex-aluno e o orientou a registrar o boletim de ocorrência. O denunciante não é mais aluno da unidade.
A denúncia já seguiu para a Controladoria Geral do Estado. O Centro informa que possui uma Comissão Permanente de Orientação e Prevenção contra o Assédio Moral e Sexual para capacitação de profissionais, visando conscientizar a comunidade acadêmica e seus funcionários sobre respeito irrestrito aos direitos civis.
O Centro Paula Souza segue acompanhando o caso e está à disposição das autoridades. O CPS repudia toda e qualquer forma de assédio dentro e fora de suas unidades".
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