Veterinário que resgatou filhote de beija-flor descreve evolução da ave: 'Constante, mas lenta'

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Veterinário que resgatou filhote de beija-flor descreve evolução da ave no interior de SP
Após resgatar e virar "pai" de um filhote de beija-flor, em 12 de maio deste ano, o veterinário Luís Felipe Zulim, de Presidente Prudente (SP), descreve a evolução do animal, que ainda não tem previsão para voltar à natureza.
Os cuidados do profissional com o pequeno beija-flor contam com alimentação específica, uma casinha improvisada e até aquecedor para manter o bem-estar do animal.
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"A evolução está constante, mas ainda um pouco lenta. Ele começou a empenar e ficar colorido, mas ainda faltam lugares, como no pescoço, para crescer peninhas", afirma o veterinário ao g1.
Desde o resgate, e com os cuidados diários de Luís Felipe, o beija-flor está mais independente, conseguindo se alimentar sozinho às vezes, no bebedouro próprio ou pela seringa, por exemplo.
"A temperatura está se mantendo melhor (o tempo ajudou) e a alimentação está mais espaçada, e também se movimentando mais, tentando dar os primeiros voos."
Isso porque, quando o filhote foi resgatado, precisava comer a cada 20 ou 30 minutos, o que exige que ele acompanhe o veterinário a todos os lugares.
Veterinário que resgatou filhote de beija-flor descreve evolução da ave em Presidente Prudente (SP)
Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal
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Agora, os cuidados com a ave seguem sendo a alimentação e treinos de independência no bebedouro, além de poleiro para que o beija-flor ganhe mais resistência nas patas e "banho de sol" em alguns períodos do dia, conforme o veterinário.
"Ainda sem perspectiva, ele é muito dependente e ainda não voa… Confesso que não sei se ele estará totalmente apto para viver sozinho na natureza, só o tempo dirá por causa da evolução lenta e da demora para o empenamento completo", continua o especialista.
Uma das preocupações do veterinário ocorre porque, segundo uma amiga dele que trabalha com aves, a dieta diária do beija-flor considera grande quantidade de mosquitos, o que se torna inviável em "cativeiro".
"Acreditamos que a falta do alimento mais específico, aliada a temperaturas frias, retardou o desenvolvimento, mas seguimos na luta, pois ele se apresenta forte, interagindo, pedindo alimento e batendo as asas."
Além disso, o animal apresentava deformidade nas patinhas, mas isso não se tornou um impedimento, segundo o veterinário. "O mais importante são as asas, o voo."
Nas redes sociais, Luís Felipe compartilha o dia a dia do beija-flor, apelidado de Zulinho, em referência ao sobrenome do veterinário, Zulim. Confira alguns vídeos no início da reportagem.
"Percebi que o aquecedor ajudou muito no desenvolvimento dele nas últimas semanas. É devagar, mas já é possível ver peninhas novas e ele mais ‘reforçadinho’", completa.
Filhote foi resgatado no dia 12 de maio; inicialmente, o veterinário pensou que o filhote estava morto
Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal
Aprendizado e casinha da infância
Nos primeiros dias, a pequena ave apresentava respiração fraca e poucos movimentos. De início, o médico forneceu água com açúcar na seringa para suprir energia e acomodou o filhote em um vaso de flor forrado.
Após pesquisar e conversar com especialistas em animais silvestres, ele comprou a papinha específica para a espécie e improvisou uma luz para aquecê-lo.
A proteção contra o frio ganhou um reforço nostálgico. Após tentar caixas de papelão e de transporte de gatos, o veterinário encontrou a solução no armário, além de comprar um aquecedor de tomada.
"Encontrei, em cima do guarda-roupa, essa 'casinha', que é um brinquedo da minha infância, uma fazendinha (celeiro) que vinha com cerquinha e animais. Ficou certinho, porque o ar quente entra pela janela, que é mais alta, e circula lá dentro, e facilitou o transporte também para levar para lá e para cá. Essa casinha deve ter uns 25 anos", conta.
Veterinário resgata beija-flor e monta casinha, aquecedor e alimentação especial em SP
Recuperação e meta de soltura
Zulim destaca que o "filho de asas" está em recuperação, embora o processo seja mais lento do que se estivesse com a mãe.
"O frio está judiando um pouco, mas a alimentação frequente e o aquecimento estão ajudando muito. Agora ele começou a se mexer mais e bater a asa, interagir mais, pedindo comida e as penas começaram a crescer, inclusive as coloridas (verdes)", conta.
Aquecimento e alimentação adequados são essenciais no cuidado com a ave
Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal
Desde o início, o objetivo é fazer a soltura no habitat, assim que a ave estiver apta para viver sozinha na natureza. "Como profissional e como ser humano, esse processo está sendo de grande intensidade, entrega e dedicação. Ficará marcado para sempre", afirma ao g1.
No entanto, o profissional reforça que não é adequado sair resgatando animais silvestres sem conhecimento e manejo adequados para evitar prejudicar o bicho.
"Foi preciso agir com coração, mas com cautela e rapidez. Não é minha área de atuação, por isso precisei pesquisar e pedir ajuda a profissionais da área de forma rápida para oferecer o cuidado necessário", afirma.
A orientação é acionar profissionais da área, como a Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou médico-veterinário de animais silvestres.
Devido ao período de alimentação, ave vai para todos os lugares com o veterinário
Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal
O que fazer ao encontrar um filhote?
Em entrevista ao g1, a médica-veterinária de animais silvestres Amanda Abonizio orienta que a primeira atitude ao vir um filhote de animal silvestre é observar a situação com calma.
"Nem todo filhote encontrado sozinho está abandonado. Muitas vezes os pais continuam por perto alimentando a ave. Se o animal estiver em local seguro e sem ferimentos aparentes, o ideal é monitorar antes de intervir", alerta.
A profissional acrescenta que, caso o animal esteja ferido, debilitado ou em situação de risco, ele deve ser colocado em uma caixa de papelão limpa, aquecida e silenciosa, enquanto se busca orientação de um médico-veterinário ou órgão ambiental.
"A principal orientação é avaliar se existe realmente necessidade de intervenção. Devemos agir quando o animal apresenta ferimentos, sinais de debilidade, risco iminente ou quando há certeza de que ficou órfão", afirma.
"Nessas situações, o ideal é procurar um médico-veterinário capacitado para atendimento de animais silvestres, além dos órgãos ambientais responsáveis pela fauna. Quanto mais rápido o encaminhamento adequado, maiores são as chances de recuperação e retorno à natureza", continua.
Ave foi resgatada por médico-veterinário e evolui na recuperação
Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal
No caso específico do beija-flor, Amanda destaca que os pontos mais importantes são a manutenção da temperatura, a hidratação e a alimentação na frequência adequada. Ela conta que filhotes de aves têm dificuldade em regular a própria temperatura, então podem evoluir rapidamente para hipotermia.
"Outro cuidado fundamental é evitar o estresse excessivo e o manuseio desnecessário, já que são animais muito sensíveis", diz.
Embora a intenção seja ajudar, a especialista ressalta que algumas medidas podem colocar a vida do animal em risco. Em beija-flores debilitados, solução de água com açúcar pode funcionar como uma medida emergencial para fornecer energia até que o animal receba atendimento adequado.
"No entanto, ela deve ser preparada apenas com açúcar branco refinado, pois açúcares como mascavo e cristal são tóxicos. Além disso, essa solução não substitui a alimentação correta, especialmente em filhotes, que necessitam de uma dieta específica", afirma.
Outro risco, segundo ela, é oferecer líquidos diretamente no bico, o que pode causar aspiração pulmonar. Com isso, o ideal é que o animal seja mantido aquecido, em uma caixa tranquila, e encaminhado o quanto antes para um médico-veterinário ou centro de reabilitação de fauna.
Uma informação importante, segundo Amanda explicou ao g1, é que o resgate nem sempre significa retirar o animal da natureza.
"Muitas aves passam por fases em que deixam o ninho antes de voar e continuam recebendo cuidados dos pais. Por isso, a retirada precipitada pode interromper esse processo natural. Sempre que possível, a melhor conduta é buscar orientação profissional antes de recolher o animal", pontua.
Os beija-flores, por exemplo, estão entre as aves com metabolismo mais acelerado do mundo, o que os torna extremamente delicados durante o atendimento.
"Por isso, mesmo períodos curtos sem alimentação adequada ou exposição ao frio podem representar um risco significativo. Cada caso deve ser avaliado individualmente, sempre priorizando o bem-estar do animal e seu retorno seguro à vida livre."
À esquerda, a ave quando foi resgatada; à direita, como está atualmente
Luís Felipe Zulim/Arquivo pessoal
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