Engenheiro, sonhador e com 'coração gigante': quem era piloto que morreu após ritual de banho de óleo no Paraná

Aluno de escola de aviação morre após ter reação alérgica em comemoração com ritual
Gustavo Henrique Lara, que morreu após participar de uma comemoração por ter se graduado e completado o seu primeiro voo solo, vinha se preparando para o momento com aulas e estudos há oito anos. Ele era aluno de uma escola de aviação em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, onde morava atualmente.
Além de ter acabado de se tornar piloto, o jovem de 27 anos era engenheiro eletricista especializado em manutenção de equipamentos hospitalares. Ele deixou a mãe, um irmão e uma irmã, moradores de Ipiranga, cidade a 55 quilômetros de distância.
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A prima Barbara Giacomitti descreve Gustavo como uma pessoa iluminada. Ela conta que ele sempre estava disposto a ajudar o próximo, seja com gestos ou palavras.
"O Gu era um menino sonhador e, principalmente, batalhador! Conseguiu tudo por mérito dele. [...] O maior sonho sempre foi a aviação. Anos e anos se dedicando para isso! Inclusive ele vivia no céu. O trabalho dele o levava para vários cantos do Brasil", relembrou a prima.
Gustavo Lara se dedicou durante oito anos, entre estudos e aulas, para se tornar piloto.
Reprodução/Redes sociais
Ela conta que a família de Gustavo havia passado por perdas recentes, com a morte da avó e do pai do jovem.
Mesmo diante das dificuldades, a prima afirma que o primo sempre lutou para transformar os sonhos em realidade e era um orgulho para a família.
"Sem dúvidas, um exemplo na vida das pessoas que ele cruzou e deixou uma marca profunda na vida de todos que tiveram esse privilégio. É uma perda irreparável, nunca vai existir outro igual a ele. Mas que bom que fomos os sortudos. Ele foi cedo demais, mas Deus precisa dos melhores ao lado dele e ele era o melhor", finalizou Bárbara.
No dia do primeiro voo solo, Gustavo fez uma postagem nas redes sociais comentando a própria felicidade devido à conquista.
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"Pode ser que hoje seja o melhor dia de toda a minha formação de piloto até aqui", escreveu ele em uma foto do avião.
Amigos e familiares foram convidados para acompanhar o "batismo" dele nos céus. Eles estavam presentes quando o piloto passou pelo ritual de "banho" com óleo de motor e teve uma reação alérgica à substância, que acabou o levando à morte.
Nas redes sociais, amigos e familiares prestaram homenagens a Gustavo. Nas publicações, o descrevem como um jovem querido, com sonhos e planos pela frente.
"Hoje era para ser o dia mais feliz da vida dele, pois estava realizando o seu maior sonho. Menino lindo, com um coração gigante, vai deixar muita saudades", escreveram.
Aluno de escola de aviação que morreu após ritual de banho de óleo no PR sonhava em ser piloto e fez post horas antes de morrer
Reprodução/Redes Sociais
"Que tristeza imensa, Gustavo Henrique Lara. Você foi um grande primo e amigo. Nas horas que eu mais precisei vc ligava e me levava pra passear", escreveu uma prima.
O sepultamento de Gustavo está previsto para acontecer neste sábado (18). Conforme a funerária Imbituvense, será realizada uma missa de corpo presente no Pavilhão da Igreja Matriz, às 8h. Depois o corpo seguirá para o enterro no Cemitério Municipal de Ipiranga.
Piloto teve reação alérgica ao óleo de motor
O caso aconteceu na noite desta quinta-feira (16) em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) informou que, após ter o óleo jogado em seu corpo, Gustavo sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de uma reação alérgica. Ele teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias; as duas primeiras foram revertidas, mas o piloto não resistiu à terceira.
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Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, era engenheiro
Reprodução
O delegado Lucas Petry confirmou que a substância é um óleo usado nos motores de aeronaves e que ela foi jogada por um instrutor da escola, que não teve o nome divulgado.
Segundo a Polícia Civil, ele se apresentou espontaneamente na delegacia e foi preso em flagrante por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Ele foi ouvido e liberado após pagar fiança de R$ 3 mil.
Conforme a polícia, ele confirmou ter jogado a substância no jovem durante a comemoração e disse que o banho nos formados é feito do pescoço para baixo.
A polícia informou ainda que, "até o momento, não foram identificados elementos que indiquem intenção de provocar a morte da vítima".
Em nota, o Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa manifestou pesar pelo falecimento do aluno e disse que, em respeito à memória dele, à sua família e ao "trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas". Veja nota completa mais abaixo.
[INFOGRÁFICO] Aluno de escola de aviação morre após ritual de 'banho de óleo' no Paraná
g1
Investigação
A investigação vai apurar as circunstâncias do caso, incluindo qual era a composição da substância utilizada, a quantidade usada, as regiões do corpo atingidas e se há relação entre o procedimento realizado e a morte.
Foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial para confirmar a causa da morte.
A polícia também deve analisar imagens, documentos e ouvir testemunhas, participantes do ritual e familiares da vítima.
Gustavo Henrique Lara
Redes sociais
O que diz a escola de aviação
Veja, abaixo, a íntegra da nota divulgada pelo Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa:
"O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) de Ponta Grossa manifesta seu mais profundo pesar pelo falecimento do piloto Gustavo Henrique de Lara, ocorrido após a realização de seu voo solo.
Esclarecemos que o lamentável fato ocorreu fora da área do CIAC, logo após o encerramento da atividade de voo da data de ontem (16).
Neste momento de imensa tristeza, expressamos nossa solidariedade e nossos mais sinceros sentimentos aos familiares, amigos e a todos que conviviam com o Gustavo Lara, desejando força e serenidade para enfrentar esta irreparável perda.
O CIAC de Ponta Grossa permanece à inteira disposição das autoridades competentes para colaborar com todos os esclarecimentos que se fizerem necessários, bem como para prestar o apoio cabível aos familiares, dentro de suas possibilidades.
Em respeito à memória do aluno, à sua família e ao trabalho das autoridades responsáveis pela apuração dos fatos, o CIAC não fará comentários adicionais sobre o ocorrido até que as investigações sejam concluídas."
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