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Bebê de 6 meses é enterrada após morrer de ebola em orfanato no Congo; surto já soma mais de 900 casos

G1 (Globo)
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Bebê de 6 meses é enterrada após morrer de ebola em orfanato no Congo; surto já soma mais de 900 casos

AI Summary

An Ebola outbreak in the Democratic Republic of Congo is spreading rapidly through Ituri region, with nearly 900 cases and over 230 deaths recorded since mid-May, caused by the Bundibugyo strain for which no vaccine currently exists. Transmission is accelerating in displacement camps and among healthcare workers, hindered by diminishing humanitarian resources, misinformation, and resistance to public health measures.

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Freiras católicas do orfanato onde Vanisa Anifa, uma menina órfã de 6 meses que morreu de Ebola, estava abrigada, comparecem ao seu funeral em Bunia, Congo
AP/Moses Sawasawa
Moradores, religiosos e profissionais de saúde se reuniram nesta sexta-feira (19) para o enterro de uma bebê de 6 meses que morreu de ebola no leste da República Democrática do Congo. A criança é a terceira vítima da doença em um orfanato da região de Ituri, atual epicentro do maior surto registrado no país nos últimos anos.
Durante a cerimônia, o pequeno caixão foi levado até a sepultura por agentes de saúde usando máscaras, luvas e outros equipamentos de proteção. Como determina o protocolo para evitar novas transmissões, apenas profissionais treinados puderam manusear o corpo.
"É um sentimento de tristeza porque perdemos uma das nossas, uma filha da Igreja", afirmou o padre católico Innocent Ndogo, que participou do funeral.
A cena ilustra um dos desafios enfrentados pelas autoridades sanitárias: conciliar medidas rigorosas de controle da doença com tradições locais ligadas aos rituais de despedida. Em surtos anteriores, funerais e sepultamentos estiveram entre os principais focos de transmissão do vírus.
Entenda o Ebola em 7 pontos
Segundo o ministro da Saúde do Congo, Roger Kamba, o atual surto já acumula 933 casos confirmados e 245 mortes. Mais de 90% dos registros estão concentrados na província de Ituri, embora casos também tenham sido identificados nas províncias vizinhas de Kivu do Norte e Kivu do Sul.
O vírus também ultrapassou as fronteiras do país. Em Uganda, autoridades já confirmaram 19 infecções e duas mortes relacionadas ao surto.
Trabalhadores da Cruz Vermelha se preparam para enterrar Vanisa Anifa, uma menina órfã de 6 meses que morreu de Ebola, no Cemitério de Bigo, em Bunia, Congo, sexta-feira, 19 de junho de 2026.
AP/Moses Sawasawa
Variante sem vacina aprovada
O atual surto é causado pela variante Bundibugyo do ebola, para a qual não há vacinas ou tratamentos aprovados. Diferentemente da cepa Zaire — responsável pela maioria dos surtos registrados no Congo e alvo das vacinas atualmente disponíveis — a variante que circula agora possui menos ferramentas de controle.
Especialistas afirmam que a ausência de imunizantes e tratamentos específicos dificultou a resposta inicial e contribuiu para a expansão da doença.
Dados do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças indicam que cerca de 35 mil pessoas podem ter sido expostas ao vírus e estão sendo monitoradas.
Familiares de Vanisa Anifa, uma menina órfã de 6 meses que morreu de Ebola, comparecem ao seu enterro em Bunia, Congo, na sexta-feira, 19 de junho de 2026.
AP/Moses Sawasawa
Além dos desafios médicos, a resposta ao surto enfrenta obstáculos logísticos e sociais. Em algumas comunidades, moradores resistem às medidas de isolamento e aos protocolos de sepultamento seguro. Profissionais de saúde também relatam escassez de equipamentos de proteção, como máscaras e luvas.
Durante visita a Bunia, principal cidade da região afetada, o ministro Roger Kamba anunciou que todos os serviços de saúde em Ituri passarão a ser gratuitos e que os bônus pagos aos profissionais da área serão dobrados como forma de reforçar a resposta à emergência.
Embora a velocidade de propagação preocupe as autoridades, o surto ainda está distante da escala observada na epidemia de ebola que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016 e deixou mais de 11 mil mortos. ...

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