Governo estuda romper contrato após bebê morrer por 'extubação' acidental em transferência no DF

Família denuncia morte de bebê após tubo de respiração ser retirado acidentalmente no DF
A Secretaria de Saúde do Distrito Federal avalia romper o contrato com a empresa responsável pela transferência de Maria Vitória de Sousa, de 5 meses – que faleceu após ter o tubo de respiração retirado "acidentalmente" no último dia 6.
Em entrevista coletiva, o Secretário de Saúde, Juracy Lacerda, informou que o transporte sanitário de pacientes é realizado por empresa terceirizada. A rescisão do contrato ocorrerá caso seja confirmada a extubação por erro de procedimento.
Segundo a família, o caso aconteceu enquanto a bebê de 5 meses, era transferida do Hospital Regional de Planaltina para o Hospital da Criança de Brasília.
A TV Globo teve acesso ao prontuário médico da criança, que confirma que a morte veio após a bebê ser “acidentalmente extubada" (veja detalhes mais abaixo). A família fez uma denúncia para a Polícia Civil, que investiga o caso.
Mais cedo, em nota, a Secretaria de Saúde diz que, durante a transferência para o Hospital da Criança, houve uma intercorrência e que as circunstâncias relacionadas ao desfecho do caso estão sendo apuradas (veja íntegra no final da reportagem).
Essa é uma das cinco denúncias de negligência relacionada a mortes em hospitais públicos na última semana. Os outros casos são:
Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu durante o parto no Hospital Regional de Samambaia, na segunda (13).
Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu na calçada da porta do Hospital de Base, em Brasília, no domingo (12).
Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu durante o parto no Hospital de Samambaia, na sexta (10);
Luciana Ferreira, de 34 anos, perdeu a primeira filha no parto após idas e vindas do hospital, e registrou um boletim de ocorrência por violência obstétrica.
Mãe perde bebê após idas e vindas em hospital público do DF
Nesta quarta-feira (15), a governadora Celina Leão (PP) comentou os últimos casos dizendo que reconhece o sucateamento na rede pública de saúde.
Já o Ministério da Saúde afirmou, em nota, que está em contato com a Secretaria de Saúde do DF para acompanhar a apuração e apoiar na análise técnica.
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Morte de bebê
Maria Vitória de Sousa Machado, de 5 meses
arquivo pessoal
A família relata que a bebê deu entrada no Hospital de Planaltina em estado grave, com suspeita de bronquiolite, na tarde de 6 de julho. A tia, Clau Alves, informou que a menina teve uma parada cardiorrespiratória, precisou ser reanimada e intubada, com necessidade de internação em uma UTI. No entanto, o hospital não possui UTI.
A família conseguiu um leito no Hospital da Criança e que, ao sair do Hospital de Planaltina para a transferência, ela estava estável.
"Nesse transporte, ao fazer a retirada, a mãe foi fazer a ficha e quando voltou o médico disse para voltar para o Hospital de Planaltina porque a bebezinha já tinha morrido", diz Clau Alvez.
A bebê morreu durante a transferência de leito. O prontuário de atendimento médico de Maria Vitória confirma que a morte aconteceu após a bebê ser “acidentalmente extubada”.
O que diz a Secretaria de Saúde
"Sobre o caso da paciente M.V.SM., em respeito ao sigilo médico e à privacidade da paciente e de seus familiares, a Secretaria de Saúde não divulgará informações.
Esclarece apenas que a criança recebeu assistência durante os dois meses em que permaneceu internada no Hospital Regional de Planaltina (HRPL), sendo submetida aos cuidados e ao acompanhamento da equipe. Diante da necessidade de atendimento em unidade de maior complexidade, foi solicitada a regulação e realizada a transferência conforme os fluxos assistenciais estabelecidos.
Durante a transferência para o Hospital da Criança, houve uma intercorrência. As circunstâncias relacionadas ao desfecho do caso estão sendo apuradas."
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