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Mais da metade das pessoas empregadas afetadas pela enchente no RS parou de trabalhar durante o desastre, aponta IBGE

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Mais da metade das pessoas empregadas afetadas pela enchente no RS parou de trabalhar durante o desastre, aponta IBGE

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Dois anos depois da enchente que deixou 185 mortos, o que ainda falta mudar no RS?
Mais da metade dos trabalhadores das áreas atingidas pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul interrompeu suas atividades durante o desastre, segundo dados de uma nova pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento apontou que 56,4% das pessoas atingidas que exerciam trabalho remunerado antes das chuvas deixaram de trabalhar no período das enchentes.
Antes do desastre, o IBGE estimou 3.043.889 moradores com 14 anos ou mais em trabalho remunerado, formal ou informal, nas áreas pesquisadas. Esse contingente correspondia a 58,3% das 5.221.594 pessoas dessa faixa etária.
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Durante as enchentes, 1.718.066 pessoas interromperam esse trabalho. A pesquisa considerou tanto quem deixou de exercer a atividade e continuou remunerado quanto quem teve a atividade suspensa por motivos ligados diretamente aos efeitos das chuvas.
A interrupção esteve associada a obstáculos de mobilidade e às condições das moradias. Entre os impactos pessoais mais citados na pesquisa, 57,3% dos domicílios relataram dificuldade no deslocamento para trabalho, escola ou creche. Além disso, os trabalhadores que interromperam as atividades estavam mais concentrados em domicílios com danos físicos mais severos.
Quase 80% dos estudantes que frequentavam escola, creche ou curso superior nas áreas atingidas deixaram de comparecer às instituições de ensino. Segundo o levantamento, 1.696.612 pessoas frequentavam instituição de ensino em abril de 2024. Desse total, 78,9% interromperam a frequência por causa das enchentes, enquanto 20,5% disseram que não sofreram paralisação.
O cruzamento feito pelo IBGE mostrou que, no total de moradores com 14 anos ou mais, 52,4% viviam em domicílios com algum dano estrutural. Entre aqueles que interromperam o trabalho, esse percentual subiu para 63,2%. Já entre os que não interromperam as atividades, a proporção foi de 38,4%.
Os dados também mostram diferença por faixa de renda. Entre os moradores que trabalhavam antes das enchentes, 33,9% viviam em domicílios com renda total mensal de até R$ 3 mil. No grupo que interrompeu as atividades, essa participação subiu para 38,1%. Entre os que não deixaram de trabalhar, caiu para 28,8%.
No período da coleta, o nível de inserção no mercado de trabalho voltou a um patamar próximo ao anterior. A pesquisa estimou 3.035.991 moradores em trabalho remunerado no momento das entrevistas, número semelhante ao registrado antes das enchentes.
Mesmo assim, a comparação da renda do trabalho indicou perda para parte dos trabalhadores. Segundo a pesquisa, 1.450.661 pessoas relataram redução na renda do trabalho no período da coleta em comparação com antes das enchentes, enquanto 1.562.689 disseram que não houve perda.
Entre os que informaram perda de renda, 66,8% viviam em domicílios com danos na estrutura. No grupo que afirmou não ter tido redução, essa proporção foi de 39,1%. O resultado reforça a associação entre danos à moradia e prejuízo econômico para os moradores atingidos.
As entrevistas da Pesquisa Especial sobre as Enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul foram feitas por telefone entre 15 de setembro de 2025 e 27 de fevereiro de 2026, em 133 municípios do Rio Grande do Sul. O IBGE classificou a pesquisa como estatística experimental.
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