Ao descobrir que tinha câncer sem cura, homem decidiu fazer o próprio velório e reuniu 800 pessoas em MS

'Hoje é meu velório', diz homem com câncer terminal em celebração com chope e samba
Se você soubesse que talvez não tivesse outra oportunidade de reencontrar as pessoas que ama, o que faria? Foi essa pergunta que levou Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, a reunir mais de 800 amigos, familiares e até desconhecidos em Campo Grande. Diagnosticado com câncer de estômago sem possibilidade de cura, ele decidiu antecipar abraços, agradecimentos e declarações de afeto enquanto ainda pode vivê-los. Veja o vídeo acima.
"Puts, será que eu não vou conseguir abraçar esse povo? Abracei todos que eu amo antes de partir", recorda Tiago.
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Foi então que decidiu criar o próprio velório em vida. Mais do que uma despedida, o encontro virou uma oportunidade para trocar carinho, agradecer amizades e construir novas lembranças.
"Essa despedida é só uma oportunidade de abraçar todo mundo porque eu não sei se eu vou ter outra. Se eu tiver outra, eu uso. Eu abraço de novo."
Um reencontro com a vida
O que começou como uma reunião para cerca de 50 amigos tomou proporções inesperadas. Pessoas viajaram de diferentes estados para participar da celebração.
Entre abraços, rodas de conversa e música, Tiago percebeu que o evento não precisava ser único.
"Eu falei lá, inclusive quando fui discursar, que se eu estiver aqui mais seis meses, vai ter um a cada seis meses."
A declaração arrancou risos e aplausos dos convidados. Para ele, a ideia não representa desistência do tratamento.
"Muita gente veio falar: 'não desiste'. Mas eu não estou desistindo. Vou sair da festa, voltar para o tratamento, continuar me cuidando e lutando."
Não deixar para depois
Tiago Pitthan durante a celebração da própria vida, realizada em Campo Grande.
Alison Lima
Ao longo da repercussão do evento, uma pergunta passou a acompanhá-lo: por que tantas demonstrações de carinho costumam acontecer apenas depois da morte? A reflexão, segundo ele, foi justamente o que motivou a celebração.
"Eu quero abraçar e ser abraçado. Eu quero receber carinho, dar carinho. Eu quero rir. Eu quero chorar de emoção."
Hoje, Tiago diz que a experiência reforçou uma convicção, não adianta adiar encontros, palavras ou demonstrações de afeto. "Eu vou morrer uma vez só. O resto do tempo eu estou vivendo."
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