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Câmera térmica identifica fissuras em tanque com vazamento de gás, e prefeitura interdita empresa em Manaus

G1 (Globo)
Câmera térmica identifica fissuras em tanque com vazamento de gás, e prefeitura interdita empresa em Manaus

Bombeiros seguem resfriando tanques após 41 horas
A Prefeitura de Manaus interditou parcialmente, nesta sexta-feira (17), a unidade industrial da Innova, no Polo Industrial de Manaus (PIM), após drones equipados com câmeras térmicas identificarem fissuras no tanque de onde vaza monômero de estireno e confirmarem a continuidade da emissão do gás. A empresa também foi multada em mais de R$ 5,3 milhões por poluição do solo e de corpo hídrico. Com essa nova autuação, o valor total das multas aplicadas pelo incidente chega a quase R$ 10 milhões.
O vazamento na Innova foi registrado às 17h36 de quarta-feira (15), após o monômero de estireno armazenado no reservatório apresentar uma elevação anormal de temperatura. A substância é utilizada na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). A exposição ao produto por inalação pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dores de cabeça, tontura e náuseas.
Um vídeo obtido pela Rede Amazônica mostra o tanque em altas temperaturas durante o trabalho de resfriamento realizado pelo Corpo de Bombeiros. As imagens foram registradas por um drone térmico usado pela força-tarefa da prefeitura que acompanha a ocorrência desde o início do vazamento.
Durante o monitoramento, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) identificou fissuras em parte do tanque e constatou que o vazamento de gás continuava. Com base nessas informações, a prefeitura aplicou uma nova multa de R$ 5.347.300, equivalente a 35 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), por poluição do solo e de corpo hídrico.
Na quinta-feira (16), a empresa já havia sido autuada em R$ 4.554.300, o equivalente a 30 mil UFMs, por poluição do ar causada pela emissão de gases. Somadas, as duas multas chegam a R$ 9.901.600. Segundo a prefeitura, os recursos serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA), para financiar ações da política ambiental do município.
Além da nova autuação, a Prefeitura de Manaus interditou parcialmente a unidade industrial da Innova. A medida foi adotada pelo Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), com base em um laudo técnico da Defesa Civil Municipal que apontou a necessidade de restringir o acesso ao local por questões de segurança.
Com a interdição, ficam suspensas as atividades da empresa na área afetada. O acesso está permitido apenas às equipes técnicas envolvidas nas ações de contenção do vazamento e de eliminação dos riscos. Segundo a prefeitura, a medida permanecerá em vigor até que os órgãos competentes atestem que a área voltou a apresentar condições seguras.
O g1 entrou em contato com a Innova, mas até a publicação desta reportagem não obteve resposta.
O incidente
O vazamento de monômero de estireno foi registrado às 17h36 de quarta-feira, na Unidade IV da Innova. O forte odor do produto químico foi percebido em bairros próximos ao Distrito Industrial e levou à evacuação imediata de um shopping localizado nas proximidades da empresa.
Desde a ocorrência, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) atuam no resfriamento do tanque para controlar a temperatura e evitar novos riscos. A principal hipótese investigada pela corporação é de uma reação espontânea no interior da estrutura.
Até a tarde sexta-feira (17), a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que realizou 211 atendimentos relacionados ao vazamento. Do total, 209 pacientes receberam alta, um permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e um homem de 67 anos morreu após procurar atendimento médico. Segundo a pasta, não foi constatada relação direta entre o óbito e a ocorrência, já que o paciente apresentava histórico de doença respiratória crônica.
Em nota, a Innova informou que a ocorrência foi controlada conforme os protocolos de emergência da companhia e que todo o resíduo gerado foi armazenado para tratamento adequado.
A empresa afirmou ainda que não houve incêndio, vazamento de produto líquido para fora da área de contenção nem registro de vítimas.
"A situação foi prontamente contida de acordo com os procedimentos de emergência estabelecidos pela Companhia", informou a empresa.
A Innova também declarou que não há risco de desabastecimento para clientes e que permanece à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
Gás pode ser considerado tóxico
O monômero de estireno, substância que vazou de um tanque da empresa Innova, em Manaus, é um produto químico tóxico, segundo a chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes. A especialista também destacou que, em determinadas condições climáticas, o gás pode reagir e formar compostos nocivos que se espalham por grandes distâncias pelo ar.
Karime Bentes explicou que o monômero de estireno é utilizado na fabricação de plásticos, borrachas sintéticas e poliestireno expandido (isopor). De acordo com ela, a exposição ao produto por inalação pode provocar irritação nos olhos, nariz e garganta, além de dores de cabeça, tontura e náuseas.
A especialista afirma que o produto é originalmente liquido, mas ao se tornar gás, tende a se espalhar com mais facilidade, podendo chegar a locais distantes do ponto de vazamento.
"O estireno é um produto químico que se apresenta na forma liquida, mas que evapora rapidamente. Ao se tornar gás, é mais pesado que o oxigênio, podendo se espalhar por grandes distâncias", disse.
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Reprodução/Rede Amazônica
Empresa é multada em quase R$ 10 milhões
A Innova foi multada em quase R$ 10 milhões pela Prefeitura de Manaus após inspeções técnicas realizadas por uma força-tarefa formada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec).
Nesta sexta-feira (17), a empresa foi autuada em 35 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), o equivalente a R$ 5.347.300, por poluição do solo e de corpo hídrico. A prefeitura identificou, com auxílio de drones equipados com câmeras térmicas, fissuras em parte do tanque e constatou a continuidade do vazamento.
Na quinta-feira (16), a prefeitura já havia aplicado outra multa à empresa, de 30 mil UFMs, equivalente a R$ 4.554.300, por poluição do ar causada pela emissão de gases.
Somadas, as duas autuações chegam a R$ 9.901.600. Os recursos arrecadados com as multas serão destinados ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA), responsável por financiar ações da política ambiental do município.
O g1 entrou em contato com a Innova sobre a multa, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Orientações de saúde
A SES-AM orienta que pessoas que apresentem sintomas como irritação nos olhos, dor de garganta, falta de ar, tontura, náusea, dor de cabeça, sonolência, confusão mental ou perda de consciência procurem uma unidade de saúde ou acionem o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192.
A Defesa Civil recomenda que a população permaneça em locais abertos e ventilados, mantenha portas e janelas abertas para favorecer a circulação do ar e desligue aparelhos que captem ar do ambiente externo, como ar-condicionado e sistemas de ventilação.
INFOGRÁFICO - Vazamento de gás deixa área isolada em Manaus.
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