'Rei da máfia dos fiscais' é preso em Mairiporã, na Grande SP, após quase dois anos foragido

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O ex-auditor fiscal da Prefeitura de São Paulo José Rodrigo de Freitas, conhecido como “rei dos fiscais”.
Reprodução/TV Globo
A Polícia Militar prendeu no sábado (27) José Rodrigo de Freitas, ex-auditor fiscal da Prefeitura de São Paulo, conhecido como o "rei dos fiscais", que estava foragido da Justiça desde 2024. A prisão foi realizada na cidade de Mairiporã, na Grande São Paulo.
Um dos principais investigados no esquema conhecido como Máfia do ISS na Prefeitura de São Paulo, José Rodrigo foi condenado a 7 anos e 6 meses de prisão, em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele é investigado no caso de pagamento de propina para favorecer a Universidade Nove de Julho (Uninove) (leia mais abaixo).
As investigações sobre a chamada Máfia do ISS começaram em 2013 e revelaram um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais do município que cobravam propina para reduzir tributos, liberar certificados e conceder benefícios fiscais a empresas (leia mais abaixo).
Segundo a sentença, José Rodrigo solicitou e recebeu vantagens indevidas enquanto exercia o cargo de auditor fiscal tributário da Prefeitura de São Paulo para garantir a manutenção da imunidade tributária da instituição de ensino.
Preso o homem apontado como 'rei da máfia dos fiscais'
A decisão também concluiu que ele ocultou a origem dos recursos por meio da emissão de dezenas de cheques destinados a empresas usadas para dissimular os pagamentos.
De acordo com a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os pagamentos ilícitos começaram em 2003 e foram mantidos durante anos. A investigação apontou que José Rodrigo recebeu R$ 1,6 milhão em propinas, pagas por meio de 64 cheques, para assegurar benefícios tributários à universidade.
Parte desses valores teria sido lavada por intermédio de empresas que emitiam notas fiscais sem prestação de serviços.
Na ação penal, além de José Rodrigo, também foram denunciados o empresário Ilcio Alves Lucas e os dirigentes da Uninove Marco Antonio Malva e Eduardo Storópolo. O processo teve origem em investigação conduzida pelo Grupo Especial de Delitos Econômicos (GEDEC), do MP-SP.
Patrimônio milionário
José Rodrigo ficou conhecido como "rei dos fiscais" durante as investigações da Máfia do ISS por causa da evolução de seu patrimônio.
Segundo o MP-SP, apesar de receber salário de cerca de R$ 16 mil por mês como auditor fiscal, ele acumulou um patrimônio estimado em R$ 76,3 milhões, valor considerado incompatível com seus rendimentos. A suspeita levou à abertura de ações civis e criminais por corrupção, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa.
Em outra ação proposta pelo MP-SP e pela Prefeitura de São Paulo, José Rodrigo é apontado como proprietário, direta ou indiretamente, de dezenas de imóveis, empresas e outros bens que teriam sido adquiridos com recursos incompatíveis com sua renda como servidor público.
A ação de improbidade descreve que ele chegou a declarar 76 imóveis, quatro veículos e participação em empresas, além de evolução patrimonial considerada incompatível pelos investigadores.
Esquema da Máfia do ISS
As investigações sobre a chamada Máfia do ISS começaram em 2013 e revelaram um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais da Prefeitura de São Paulo que cobravam propina para reduzir tributos, liberar certificados e conceder benefícios fiscais a empresas.
No caso de José Rodrigo, o MP-SP afirmou que ele integrava esse grupo e que atuou especificamente na cobrança de vantagens indevidas para garantir a manutenção da imunidade tributária da Uninove, além de ocultar a origem do dinheiro por meio de empresas de fachada e emissão de notas fiscais frias. ...