O que explica os ventos de 100 km/h que causaram mortes, destruição e apagões em SP e RJ

ONP 요약
A police chase on Avenida Brasil in Rio de Janeiro ended in a shootout that left one police officer and four suspects dead, with two police officers wounded. The incident involved a high‑speed pursuit that turned into a gunfight between the PMERJ and fleeing criminals.
진보 성향:Fatality count discrepancy — progressive outlet reports five deaths, while moderate outlets report four.
Uma pessoa morreu em Santos após queda de uma árvore na tarde desta quarta.
Prefeitura de Santos
As fortes rajadas de vento que ultrapassaram os 100 km/h e atingiram as regiões Sul e Sudeste do Brasil nesta quarta-feira (29/7) deixaram um rastro de mortes e destruição em diversas cidades, com quedas de árvores, apagões e interrupções em serviços essenciais.
Três pessoas morreram em São Paulo e duas no Rio de Janeiro em ocorrências relacionadas à ventania.
Entre os casos estão o de uma pessoa atingida por uma árvore em Santos, no litoral paulista, e os de duas vítimas da queda de um muro no bairro de Santa Teresa, na região central do Rio.
Segundo a Climatempo, a ventania foi consequência do impacto da passagem de uma frente fria — já prevista pelos meteorologistas. O sistema avançou pelo país trazendo uma mudança rápida nas condições atmosféricas e afetando principalmente áreas do Sul e Sudeste.
"O intenso contraste térmico entre o ar muito quente e seco que predominava, tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro, com o ar frio e úmido trazido pela frente fria acelerou o ar causando ventos muito fortes", destacou a agência em nota.
Antes da chegada do sistema, as temperaturas estavam elevadas em parte do Sudeste. Na cidade do Rio de Janeiro, a temperatura chegou a 35,8°C durante a tarde, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, em um dos dias mais quentes registrados para julho desde 2007.
No litoral paulista, o calor também foi intenso. No Guarujá, a temperatura chegou a 34°C. Em Santos, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo registrou 35,2°C.
O contraste entre o ar quente próximo à superfície e a entrada de uma massa de ar frio também se estendeu para níveis mais altos da atmosfera, contribuindo para aumentar a instabilidade e favorecer a aceleração dos ventos.
A tendência é de redução gradual da intensidade das rajadas à medida que as massas de ar se equilibram, segundo a Climatempo.
"Uma vez atenuado o contraste térmico, a velocidade do vento vai diminuindo", destacou a agência.
"Não teremos mais o impacto acentuado de ar muito quente com ar frio e, desta forma, não teremos mais as condições para aceleração do ar."
Voos suspensos e fechamento da Ponte Rio-Niterói
A Ponte Rio-Niterói chegou a ser fechada durante os períodos mais intensos dos ventos.
Getty Images via BBC
No Rio de Janeiro, a ventania chegou a aproximadamente 100 km/h na capital e na Região Metropolitana. No Galeão, foram registrados ventos de 105 km/h durante a tarde.
A força das rajadas provocou interrupções no fornecimento de energia em bairros da cidade, afetou o funcionamento de trens e metrôs e levou ao fechamento temporário da Ponte Rio-Niterói.
O Aeroporto Santos Dumont suspendeu pousos e decolagens durante o período de maior intensidade das rajadas.
Duas pessoas morreram após a queda de um muro em Santa Teresa, na região central do Rio, segundo o Corpo de Bombeiros.
A corporação permanecia em alerta, com equipes mobilizadas, viaturas operacionais, ambulâncias e embarcações. Estão sendo realizadas buscas por um pescador desaparecido em Tarituba, em Mambucaba.
Até o início da noite desta quarta-feira, os bombeiros haviam sido acionados para 185 ocorrências relacionadas ao fenômeno, incluindo:
93 cortes de árvores;
31 salvamentos de pessoas;
5 desabamentos relacionados à ventania.
Três mortes e ventos acima de 120 km/h em SP
Em São Paulo, a Defesa Civil estadual emitiu um alerta severo para moradores da capital paulista e da Grande São Paulo devido ao risco de quedas de árvores, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia.
Os dois principais aeroportos da região também tiveram impactos. As rajadas de vento afetaram operações no Aeroporto de Congonhas e no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, com voos atrasados e alterações na programação.
No Estado, foram registradas rajadas superiores a 100 km/h, incluindo um pico de 124,9 km/h em Itaporanga, no interior paulista.
A Defesa Civil informou que equipes permaneciam mobilizadas para atender as ocorrências.
"Já temos chamados de ocorrência para quedas de árvores e destelhamentos de imóveis. O Gabinete de Crise segue mobilizado. Seguimos reunidos e continuamos respondendo aos chamados", afirmou o órgão em nota.
São Sebastião, no litoral de São Paulo, foi atingida pelas fortes rajadas de vento. Uma pessoa morreu.
João Zuin e Divulgação | PMSS
Os impactos também foram sentidos no litoral de São Paulo. Em Santos, as operações no porto foram temporariamente paralisadas, assim como a travessia de balsas.
Uma pessoa morreu após ser atingida por uma árvore durante a ventania.
Em Cesário Lange, no interior paulista, um homem de 62 anos morreu depois que uma árvore de grande porte caiu sobre o carro que dirigia.
Segundo a Defesa Civil municipal, a vítima havia saído do trabalho e seguia pela Estrada José Ricci quando ocorreu o acidente.
Outra morte foi registrada em São Sebastião, no litoral norte paulista. Um homem morreu após uma embarcação de pesca naufragar durante a tempestade.
Desde a manhã desta quarta-feira, o Governo de São Paulo mantém mobilizado o Gabinete de Crise para acompanhar a passagem da frente fria.
O órgão reúne representantes das principais instituições estaduais, concessionárias de energia elétrica, órgãos reguladores, polícias e Corpo de Bombeiros para monitorar a evolução das condições meteorológicas e coordenar a resposta às ocorrências.
Segundo a Climatempo, a previsão é de continuidade das rajadas de vento e ocorrência de chuva nesta quinta-feira (30/7) em áreas afetadas pela passagem da frente fria.
Tornado no Rio Grande do Sul
Enquanto a frente fria avançava em direção ao Sudeste, áreas da Região Sul enfrentaram um cenário de instabilidade associado a outro conjunto de fatores atmosféricos.
No Rio Grande do Sul, além das chuvas intensas e rajadas de vento, um tornado foi registrado na noite de terça-feira (28/7) nas cidades de Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho, no Noroeste do Estado. Quatro pessoas ficaram feridas e dezenas de casas foram afetadas.
De acordo com a MetSul Meteorologia, o vento pode ter chegado até 300 km/h.
A passagem do tornado também interrompeu o fornecimento de energia elétrica e bloqueou estradas com árvores e destroços.
As imagens registradas após o fenômeno mostram um cenário de devastação, com bairros inteiros atingidos, casas totalmente destruídas, paredes derrubadas, árvores e postes caídos em diversos locais.
Segundo a Defesa Civil do estado, o tornado foi causado por uma supercélula — um tipo de tempestade que tem uma corrente ascendente giratória.
"Supercélulas comumente causam granizo de grande tamanho e rajadas de vento intensas, e em algumas ocasiões tornados."
Diferentemente das rajadas de vento associadas à passagem de uma frente fria, o tornado é um fenômeno localizado, formado por uma intensa rotação do ar dentro de tempestades de grande desenvolvimento vertical, como as supercélulas.
Com o deslocamento da frente fria em direção ao Sudeste, a tendência é de redução gradual das instabilidades no estado e entrada de uma massa de ar mais seco, favorecendo a melhora do tempo. ...
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