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Irã diz que ataques dos EUA interromperam reabertura do Estreito de Ormuz

G1 (Globo)
Irã diz que ataques dos EUA interromperam reabertura do Estreito de Ormuz

EUA e Irã trocam ataques pela segunda noite seguida
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quinta-feira (9) que os bombardeios dos EUA ao país interromperam a reabertura gradual do Estreito de Ormuz. Os EUA e Irã trocaram ataques pelo segundo dia seguido durante a noite de ontem e madrugada desta quinta (9).
A Guarda Revolucionária acrescentou ainda que a capacidade de trânsito sob a supervisão do Irã se recuperou para cerca de 50% dos níveis anteriores à guerra nas últimas duas semanas e que a travessia estava sendo ampliada gradualmente, mas somente para embarcações autorizadas pelas autoridades iranianas.
A Marinha ainda alertou que qualquer nova ação dos EUA provocaria uma "resposta esmagadora".
AO VIVO: Acompanhe em TEMPO REAL as notícias sobre a guerra no Irã
💡 O Estreito de Ormuz é um corredor marítimo de cerca de 50 quilômetros de largura que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Antes da guerra, cerca de 20% de todo o petróleo e gás comercializado no mundo passava pela área.
Quem comanda o Estreito de Ormuz?
Embora o Irã não seja o proprietário da via marítima, ele controla a costa norte do estreito, além de diversas ilhas e posições militares. Isso permite o país a monitorar praticamente todo o tráfego de embarcações da região.
Nos últimos anos, o Irã transformou essa posição geográfica em um instrumento de pressão política e militar. Após o início da guerra, o país fechou o estreito para obter vantagem na mesa de negociações.
Atualmente, o governo do Irã defende que o mundo reconheça a soberania do país sobre a rota marítima.
Nesta semana, três navios navegavam por uma rota próxima ao litoral de Omã, alternativa ao corredor controlado pelo Irã, quando foram atacados. Foi esse episódio que desencadeou a nova onda de ataques dos EUA contra o território iraniano.
Tráfego caiu drasticamente após ataques
O tráfego pelo Estreito caiu drasticamente desde quarta, especialmente na rota via Omã apoiada pela ONU — segundo analistas ouvidos pela agência de notícias AFP.
Em meados de junho, quando o acordo de cessar-fogo foi anunciado, o trânsito pela hidrovia atingiu seu maior nível desde o início da guerra, chegando em um terço do fluxo registrado nos tempos de paz.
No entanto, com a nova onda de ataques, a recuperação estagnou. Na quarta, 21 navios-tanque transitaram pela hidrovia, de acordo com dados da Kpler - empresa que monitora o fluxo marítimo. Nesta quinta, o número caiu para 6.
Na quarta, a Organização Marítima Internacional informou que 6 mil marinheiros permanecem retidos no Golfo Pérsico. Em comunicado, a agência da ONU condenou a retomada das hostilidades no Estreito de Ormuz.
EUA atacam cerca de 90 alvos militares iranianos
170 alvos atingidos em dois dias
As forças do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã na noite quarta-feira (8), com o objetivo de reduzir a capacidade do país de atacar navios comerciais e marinheiros civis no Estreito de Ormuz.
Segundo o comunicado emitido pelas forças americanas, a ação militar atingiu cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana.
A ofensiva desta quarta-feira dá continuidade a uma onda de ataques realizada na noite anterior. Na terça-feira (7), as forças do Centcom já haviam bombardeado aproximadamente 80 alvos militares no Irã, incluindo mais de 60 pequenas embarcações do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica. No total, foram 170 alvos em dois dias consecutivos de ataques.
Entre as estruturas destruídas ou danificadas estão sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar.
Os ataques aéreos dos Estados Unidos atingiram cinco províncias do Irã e deixaram pelo menos 14 mortos e 78 feridos, segundo balanço divulgado pelo governo iraniano nesta quinta.
Estreito de Ormuz em 9 de julho de 2026
Reuters
Retaliação iraniana
O Irã retaliou os ataques americanos com ataques coordenados com drones contra instalações estratégicas dos Estados Unidos na região do Golfo Pérsico.
Segundo o comunicado do Exército iraniano, as investidas atingiram sistemas de defesa aérea Patriot no Kuwait, uma antena de comunicação via satélite no Catar e depósitos de combustível militar do Exército americano no Bahrein.

A Guarda Revolucionária do Irã afirmou também que foram disparados 10 mísseis balísticos contra a base militar de Azraq, na Jordânia, nesta quinta. Mais cedo, a Jordânia havia dito que interceptou oito mísseis lançados do Irã, e que não houve registro de vítimas ou danos.
Em paralelo à troca de ataques, o Irã sepultou o Ali Khamenei, líder supremo morto na guerra, após dias de um funeral público que reuniu multidões.
Irã sepulta Ali Khamenei após dias de funeral público
Trump decreta fim de acordo e promete novos ataques
A escalada militar ganhou um novo capítulo na quarta-feira (8) com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante uma coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, antes de uma cúpula da aliança, Trump afirmou que o acordo de paz com Teerã "acabou".
"Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (...) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde eu sei, acabou", declarou o presidente americano.
Trump diz que cessar-fogo com o Irã acabou ...

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