Brasil classifica ameaça americana de impor novas tarifas como 'protecionista e absurda'
Brasil classifica ameaça americana de impor novas tarifas como protecionista e absurda
O governo brasileiro declarou que a ameaça americana de impor novas tarifas é "protecionista e absurda". Disse que pretende continuar a negociar com a Casa Branca, mas que pode recorrer à Lei da Reciprocidade.
A reunião ministerial já estava prevista e durou quase cinco horas. Na abertura, o presidente Lula disse que o Brasil não pode aceitar ser tratado como "republiqueta insignificante"; que o governo brasileiro não recebeu comunicação oficial dos Estados Unidos sobre as duas novas propostas de tarifas; e que foi pego de surpresa com o anúncio.
Lula afirmou também que irá à reunião do G7, bloco formado pelas sete maiores economias do mundo, de 15 a 17 de junho, na França, para defender o multilateralismo.
“A gente vai continuar fazendo aquilo que nós sabemos fazer. Vamos continuar conversando com todo mundo e a gente... Eu nem ia no G7, agora eu vou. Nem ia em Evian, mas agora eu vou no G7”.
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O presidente americano, Donald Trump, também estará lá. Não há agenda marcada entre os dois, mas, segundo o blog da jornalista Ana Flor, no g1, como o grupo de líderes presentes é menor, o Planalto considera que um encontro será inevitável e que Lula tentará falar de tarifas e reforçar parcerias com o presidente americano.
Brasil classifica ameaça americana de impor novas tarifas como 'protecionista e absurda'
Jornal Nacional/ Reprodução
Nesta quarta-feira (2), saíram os dados da balança comercial de maio. As exportações do Brasil para os Estados Unidos caíram 14% e as importações também diminuíram: 11%. Desde o início de 2026, o resultado se repete. O Brasil ficou no vermelho na relação com os Estados Unidos. Considerando o comércio com todos os países, o cenário muda. O Brasil teve um superávit. As exportações avançaram em maio, com destaque para as vendas à China.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, chegou nesta quarta-feira (3) a Paris para um encontro da OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. No intervalo de um dos debates, o ministro conversou com Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, que coordena o escritório que recomendou novas tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo assessores que presenciaram o encontro, Greer disse que quer manter o diálogo com o Brasil. Mauro Vieira concordou.
Em maio, Lula e Trump fixaram prazo de 30 dias para negociar uma proposta sobre tarifas e disputas comerciais. O prazo termina, em tese, neste fim de semana. Mas, no meio das negociações, os Estados Unidos apresentaram as duas ameaças de tarifas. Na terça-feira (2), de 25% e, agora, de mais 12,5%.
À tarde, em nota, o governo brasileiro manifestou profunda discordância com a conclusão preliminar anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio americano sobre proibições de importação relacionadas ao trabalho forçado. O governo diz que lamenta que um tema tão relevante, como proteção de condições dignas para trabalhadores, seja desvirtuado para servir de justificativa a medidas protecionistas unilaterais:
“É um absurdo tentar associar a competitividade da economia brasileira a insumos externos obtidos por meio de comércio que viole a dignidade humana. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reconhece há décadas o Brasil como referência internacional no combate ao trabalho forçado, graças à combinação de fiscalização, responsabilização, cooperação institucional e compromisso político".
A nota diz ainda:
"O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional".
A lei aprovada pelo Congresso, em 2025, permite ao governo usar instrumentos como sobretaxas para rebater decisões de parceiros que considere injustas. Ainda segundo a nota:
“No contexto da presente investigação, o Brasil forneceu manifestações escritas e explicações sobre o arcabouço legal nacional para coibir importações de bens produzidos por trabalho forçado”.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que é absurdo os Estados Unidos acusarem o Brasil de acobertar ou praticar trabalho forçado:
“Nós não partilhamos, não aceitamos exploração nem de brasileiros nem de mão de obra que eventualmente forneça para nós, até pelos compromissos internacionais. Todos os nossos tratados de comércio têm lá esse item relacionado de compromisso com o Brasil. Nós implantamos isso na década de 1990 para cá, e o Brasil tem levado muito a sério”.
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