Mortes pós-parto em hospital do DF: médicos não têm acesso a dados de pré-natal, diz enfermeira

Mortes em hospital do DF: médicos não têm acesso a dados de pré-natal, diz enfermeira
Uma enfermeira do Hospital Regional de Samambaia, no Distrito Federal, afirmou à TV Globo que os médicos da unidade, muitas vezes, não conseguem acessar o prontuário das gestantes que dão à luz no local.
O motivo, segundo a profissional, é a falta de comunicação entre os sistemas digitais utilizados. A enfermeira falou sob condição de anonimato, por temer represálias (ouça no vídeo acima).
➡️ Nos últimos dias, duas mães morreram no hospital de Samambaia por complicações do parto. Nos dois casos, as famílias afirmam que as gestantes pediram repetidas vezes por uma cesárea, mas foram forçadas a insistir no parto natural – e a cirurgia só foi iniciada quando o quadro se agravou (veja detalhes abaixo).
"O que dificulta para o profissional médico, para os enfermeiros é a falta de integração dos formulários. Quando chega uma gestante no hospital, o médico do plantão não sabe onde ela fez o pré-natal, não tem acesso. Mesmo que a pessoa tenha feito na rede pública de saúde, no postinho perto da sua casa, não tem acesso porque os sistemas são diferentes", disse a enfermeira.
"O sistema que é usado pelo médico da família e pela enfermeira na Unidade Básica de Saúde é o e-SUS. E o que usam no hospital é o TrakCare. E eles não se conversam. Quando a paciente chega no hospital, pode ser que tenha algum tipo de complicação no pré-natal que o médico não tem acesso. E muitas vezes a pessoa, a gestante ou a acompanhante, não sabem explicar isso para o médico", detalhou.
Hospital Regional de Samambaia, no DF
TV Globo
Em nota (leia íntegra abaixo), a Secretaria de Saúde do DF confirmou que usa sistemas distintos – e que eles não são plenamente integrados.
O governo diz, no entanto, que os profissionais de saúde autorizados têm acesso aos dois sistemas e que as grávidas contam com a Caderneta da Gestante, que reúne as informações do pré-natal.
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O que diz o governo?
Leia abaixo a íntegra do posicionamento enviado pela Secretaria de Saúde do DF:
A rede pública utiliza sistemas de informação distintos para atender às necessidades assistenciais da Atenção Primária à Saúde e da Atenção Hospitalar, implantados em momentos diferentes e voltados às necessidades de cada nível assistencial.
Embora ainda não exista integração plena entre todos os sistemas, os profissionais de saúde autorizados que atuam nas unidades hospitalares têm acesso às informações clínicas registradas no prontuário eletrônico da APS, incluindo dados do acompanhamento pré-natal, no caso de gestantes acompanhadas na Atenção Primária.
Além disso, as gestantes contam com a Caderneta da Gestante, que reúne todo o histórico de consultas, exames e evolução da gravidez, servindo de elo fundamental entre a UBS e a maternidade.
A pasta desenvolve iniciativas para ampliar a interoperabilidade entre os sistemas da rede pública de saúde do Distrito Federal. O trabalho segue as diretrizes do Ministério da Saúde, os padrões da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e os requisitos de segurança da informação.
O objetivo é ampliar o compartilhamento seguro das informações em saúde, garantindo aos profissionais acesso mais ágil e qualificado aos dados clínicos necessários para fortalecer a continuidade do cuidado e a segurança da assistência prestada aos usuários do SUS.
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF. ...
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