Da sala de aula para o futuro: como música, código e literatura transformam escolas públicas no Brasil

Grupo educacional integra tecnologia, arte e leitura ao currículo do ensino público — Foto: Divulgação
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Imagine uma criança que cresceu em um lugar onde a tecnologia parecia algo distante do dia a dia. Agora imagine essa mesma criança montando robôs como parte da sua rotina. Com blocos coloridos sobre a mesa, ela aprende a dar comandos, a pensar em sequências, a errar e tentar de novo com a ajuda da inovação em sala de aula.
Esse retrato, que poderia ser de alguma escola particular do Brasil, está se tornando cada vez mais comum em escolas públicas. Em diferentes regiões do país, redes municipais de ensino estão implementando iniciativas que aproximam os estudantes de novos conhecimentos e formas de expressão, como a música, a programação e a literatura. O impacto não aparece apenas nas notas. Aparece na postura, no engajamento, na forma como alunos e professores enxergam o que é possível realizar em rede pública.
Inovação que funciona
A educação pública do país carrega desafios estruturais conhecidos: desigualdade no acesso a recursos, defasagem de aprendizagem acumulada ao longo dos anos e uma lacuna crescente entre o que a escola oferece e o que o mundo exige dos estudantes. Ao mesmo tempo, iniciativas estão sendo elaboradas no dia a dia de comunidades brasileiras que apontam caminhos promissores.
Uma das empresas que atua nesse cenário é a Fazer Educação, instituição especializada no desenvolvimento e na implementação de inovações pedagógicas e tecnológicas para redes públicas de ensino. A empresa trabalha em parceria com secretarias municipais e estaduais para viabilizar projetos que integram materiais didáticos, formação de professores e tecnologia educacional.
Para João Moacir Filho, diretor da Fazer Educação, o ponto central está na forma como elas se conectam ao trabalho feito na escola. "A educação precisa fazer sentido no cotidiano escolar. Não se trata apenas de oferecer ferramentas ou conteúdos, mas de garantir que eles sejam aplicados, considerando os desafios concretos de cada território", afirma.
A chegada da empresa a um município acontece por meio de processos formais de contratação pública, como licitações e outros instrumentos previstos na legislação. A partir daí, os projetos são construídos em diálogo com cada rede. "Cada projeto é pensado a partir das características da rede parceira, levando em conta aspectos como perfil dos estudantes, contexto social, infraestrutura das escolas e objetivos pedagógicos definidos pelos gestores", explica o diretor.
O que une as iniciativas, independentemente do município, é uma mesma concepção: inovação que funciona dentro da sala de aula, integrada à experiência dos estudantes e à atuação dos educadores.
Educando com música
Um dos projetos está na capital paulista. Em 27 escolas municipais de ensino fundamental de São Paulo, sendo 25 delas localizadas em Centros Educacionais Unificados (CEUs), mais de 2,5 mil alunos do 1º ano estão descobrindo a música de um jeito diferente. Não há instrumentos tradicionais, apenas palmas, voz, movimentos do próprio corpo e objetos do dia a dia. É com esses elementos que 86 turmas vivem, semana a semana, os fundamentos da linguagem musical.
O projeto de musicalização foi idealizado pelo maestro João Carlos Martins e é desenvolvido em parceria com a Somos Educação. A Fazer Educação atua como facilitadora da implementação, apoiando a formação dos professores, a disponibilização dos materiais didáticos e o suporte pedagógico via plataforma digital.
A proposta parte do princípio de que a música não precisa esperar pelo instrumento certo para começar a acontecer. Ritmo, coordenação motora, escuta ativa, percepção musical, tudo isso pode ser desenvolvido com o que já existe na sala de aula, desde que haja método e intencionalidade pedagógica.
O projeto está alinhado ao Currículo da Cidade e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), integrando a música como linguagem artística e ferramenta de desenvolvimento cognitivo, emocional e social. De acordo com o cronograma apresentado pelo maestro, os estudantes possuem contato inicial com os fundamentos musicais nos primeiros anos e podem avançar, posteriormente, para a leitura de partituras.
Acessando portas para novos mundos
Ao lado dos projetos de artes, há também uma aposta na base mais essencial do aprendizado: o hábito de ler. O projeto Minha Biblioteca leva acervo literário a estudantes da rede municipal de São Paulo, do ensino fundamental ao ensino médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
A iniciativa amplia o acesso a obras literárias para estudantes que, em muitos casos, não têm essa experiência fora da escola. Mais do que um projeto de distribuição de livros, trata-se de uma ação que posiciona a leitura como parte estruturante da formação dos alunos, reconhecendo que o desenvolvimento do letramento literário impacta diretamente na capacidade de compreensão, expressão e pensamento crítico em todas as disciplinas.
Robótica sem telas
Outra iniciativa está a cerca de quatro mil quilômetros de São Paulo, em uma escola da zona rural de Boa Vista, em Roraima. A ação está ajudando crianças a pensar de forma lógica, criativa e sequencial, sem que precisem saber ainda o que é programação.
Trata-se do projeto Meu Primeiro Código, da Matatalab, que introduz o pensamento computacional nas salas de aula. "O Meu Primeiro Código trabalha o pensamento computacional de forma lúdica e acessível, aproximando os alunos da tecnologia a partir de uma experiência prática", afirma o CEO.
A Matatalab, kit educacional de robótica usado no projeto, está voltada ao ensino do pensamento computacional sem uso de telas: por meio de blocos de comandos físicos e criação de sequências, alunos aprendem a dar instruções a pequenos robôs, desenvolvendo habilidades como raciocínio lógico, resolução de problemas e protagonismo no processo de aprendizagem. A proposta é inserir as crianças no universo da tecnologia desde cedo, de maneira significativa e integrada ao currículo.
Um reconhecimento que veio de longe
Os resultados do projeto de robótica e programação chamaram atenção além das fronteiras do município. Em março de 2026, representantes da Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Boa Vista participaram, em Recife, da cerimônia de certificação do Selo ODS Educação 2025. A Escola Municipal Balduíno Wottrich, a mesma da zona rural, foi reconhecida pelo trabalho com práticas pedagógicas que integram inovação, sustentabilidade e aprendizagem significativa.
O Selo ODS Educação é concedido a instituições com projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com foco no fortalecimento da educação de qualidade previsto na Agenda 2030. A cerimônia reuniu representantes de escolas de diversas regiões do país.
O assessor pedagógico da secretaria municipal destacou que o reconhecimento é fruto de um trabalho coletivo construído nas escolas da rede. A vice-gestora da Balduíno Wottrich reforçou que o contexto de escola do campo não foi obstáculo, mas parte da identidade do projeto: a equipe comprometida, as metas claras e o apoio da rede municipal foram o ponto de partida para desenvolver ações com sentido para os alunos. Para ela, a certificação carrega uma mensagem mais ampla: a de que a educação do campo também pode ser inovadora e conectada com o mundo.
Resultados que orientam o caminho
Os projetos da Fazer Educação são acompanhados de forma contínua, com estratégias de checagem da aprendizagem que incluem avaliações de proficiência para identificar o estágio de desenvolvimento dos estudantes e orientar as ações pedagógicas ao longo do processo.
Mas os números não contam tudo. "Além dos indicadores de aprendizagem, também observamos aspectos como engajamento dos estudantes, participação dos professores e a incorporação das novas práticas pelas redes de ensino. Cada projeto tem objetivos específicos, e o acompanhamento permite avaliar sua evolução ao longo do tempo", afirma João Moacir.
Fazendo educação de A a Z
Por trás de cada um desses projetos, há um trabalho que começa antes da sala de aula: a articulação entre o que uma secretaria de educação precisa, o que as escolas podem absorver e o que realmente faz sentido para os estudantes daquele local. É esse o papel que a Fazer Educação ocupa nas redes parceiras. "A forma como a implementação acontece pode variar conforme cada território", afirma João. "O que permanece é a nossa visão de que inovação educacional precisa estar conectada à prática: integrar conteúdos, tecnologia e formação de educadores para apoiar professores e estudantes no cotidiano escolar."
Com atuação em cerca de 500 municípios brasileiros, mais de 4 milhões de estudantes já foram beneficiados pelos recursos pedagógicos desenvolvidos pela empresa, e mais de 160 mil docentes passaram por formações com novas tecnologias educacionais. A expansão, segundo o diretor, segue o ritmo da demanda das redes. "Nosso objetivo é ampliar esse alcance de forma responsável, mantendo o compromisso com a qualidade das entregas e com a construção de projetos que façam sentido para cada realidade."
O que se busca, para além da presença nacional, são parcerias de longo prazo para que boas práticas não sejam eventos isolados, mas se tornem parte do currículo de cada escola pública brasileira.
Saiba mais sobre os projetos e a atuação da Fazer Educação aqui. ...
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