Amapá é o único Estado brasileiro sem captação de órgãos e transplantes

Segundo a ABTO, Amapá é o único estado que não tem doadores de órgãos
O Amapá é o único Estado brasileiro que nunca realizou captação de órgãos e nem transplantes. Roraima e Tocantins também não têm registros do procedimento de transpante, mas já realizaram a captação. Os dados são da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Na prática, o Amapá está seis vezes mais atrasado em relação ao restante do país. Historicamente, a região Norte demorou a ter acesso a esse tipo de serviço, mas no Estado a situação é ainda mais grave.
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Segundo Valter Duro Garcia, conselheiro da ABTO, o ideal é que o número de transplantes acompanhe a quantidade de pacientes em diálise.
“O Amapá tem mais de 500 pacientes com doença renal crônica em diálise. A cada ano, mais de 150 ingressam nesse tratamento. Precisamos organizar o sistema, buscar doadores, preparar os pacientes e realizar os transplantes”, afirmou.
Representantes da ABTO estão em Macapá para reuniões e visitas a hospitais, com o objetivo de mapear necessidades e iniciar a estruturação do serviço.
Hoje, quem precisa de transplante precisa sair do estado. Além do custo financeiro, o tratamento fora de domicílio gera desgaste emocional e altera a rotina dos pacientes.
Segundo Ilka Boin, vice-presidente da ABTO, o gasto anual chega a R$ 2 milhões para enviar pacientes a outros estados.
“A ideia é que o transplantado seja acompanhado aqui. Caso contrário, o Estado arca com o custo, mas não fica com o ônus da história”, explicou.
Uma das primeiras conquistas foi a aprovação da criação de uma central estadual de transplantes, que antes não existia.
Os próximos passos envolvem políticas públicas e capacitação de profissionais de saúde. O atendimento inclui desde a escuta das famílias até o diagnóstico para avaliar se o órgão pode ser utilizado.
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Transplante no Brasil
SUS é responsável pela maior parte dos atendimentos desse tipo de caso
CHS/Divulgação
Segundo o Ministério da Saúde, em 2024 o Brasil ultrapassou, pela primeira vez, a marca de 30 mil transplantes de órgãos e tecidos realizados em um único ano, foram 30,3 mil procedimentos. Cerca de 85% dos procedimentos foram realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o balanço, os órgãos mais transplantados foram:
rins (6.320 transplantes),
fígado (2.454),
córnea (17.107)
medula óssea (3.743).
Sobre o processo de doação
A doação de órgãos é um ato voluntário. No Brasil, o processo é gratuito e regulado pelo SUS.
Em vida: é possível doar um rim, parte do fígado, parte do pulmão ou medula óssea, geralmente para familiares.
Após a morte: só ocorre em casos de morte encefálica, confirmada por exames médicos.
Autorização da família: mesmo que a pessoa tenha manifestado vontade, a decisão final cabe aos familiares.
Hospital de Emergências de Macapá (HE) realiza atendimentos de casos graves em Macapá
Netto Lacerda/Gabriel Maciel/GEA/Divulgação
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