Petróleo sobe mais de 3% após escalada do conflito entre EUA e Irã e novo fechamento do Estreito de Ormuz

EUA lançam novos ataques contra o Irã
Os preços do petróleo subiam mais de 3% nesta segunda-feira (13), refletindo a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.
A alta foi impulsionada pela intensificação dos ataques entre os dois países no fim de semana e pela decisão de Teerã de voltar a fechar o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo. (confira a cobertura em tempo real)
Por volta das 7h47 (horário de Brasília), o petróleo Brent, referência internacional, avançava 3,1%, cotado a US$ 78,44 o barril. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subia 3,2%, para US$ 73,71.
O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. Qualquer interrupção na navegação pela região aumenta o risco de problemas no abastecimento global e costuma pressionar os preços da commodity.
A escalada das tensões também aumentou a aversão ao risco nos mercados financeiros. Investidores reduziram a exposição a ativos considerados mais arriscados e buscaram proteção em aplicações vistas como mais seguras, como o dólar.
Mercados globais
Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única. O índice de Xangai caiu 2,06%, aos 3.913 pontos, atingindo o menor nível em três meses.
O CSI300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 1,79%, aos 4.695 pontos. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,16%, aos 24.213 pontos.
Entre os demais mercados da região, o Nikkei, do Japão, caiu 1,92%, aos 67.242 pontos; o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,95%, aos 6.806 pontos; o Straits Times, de Cingapura, perdeu 0,11%, aos 5.463 pontos; o Taiex, de Taiwan, subiu 0,06%, aos 45.380 pontos; e o S&P/ASX 200, da Austrália, avançou 0,03%, aos 8.808 pontos.
No mercado de câmbio, o dólar ganhou força diante da busca por ativos considerados mais seguros. A libra esterlina caiu 0,1%, para US$ 1,339, enquanto o euro avançou 0,2% frente à moeda britânica, para 85,38 pence.
Entenda a escalada do conflito
A reação do mercado ocorreu após uma nova troca de ataques entre os dois países. Segundo a Guarda Revolucionária do Irã, forças iranianas atingiram bases militares americanas no Barein e no Kuweit, além de alvos na Jordânia e em Omã.
Em resposta, as Forças Armadas dos EUA disseram ter atacado sistemas de defesa aérea, radares, mísseis, drones e embarcações iranianas.
A escalada militar também colocou em dúvida um acordo provisório firmado entre Washington e Teerã no mês passado, que previa a reabertura do Estreito de Ormuz e uma redução das tensões após semanas de negociações.
Em entrevista à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que considera o cessar-fogo encerrado, mas disse que ainda vê espaço para novas negociações.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento e principal negociador do país, Mohammad Baqer Qalibaf, adotou um tom duro. Em publicação na rede social X, afirmou que "a era dos acordos unilaterais acabou" e cobrou que os EUA cumpram os compromissos assumidos.
A guerra entre EUA, Israel e Irã, iniciada em 28 de fevereiro, ampliou a instabilidade no Oriente Médio e levou o Irã a atacar bases militares americanas em diferentes países da região. O conflito já deixou milhares de mortos, principalmente no Irã e no Líbano.
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira, a Guarda Revolucionária afirmou que o tráfego normal de navios pelo Estreito de Ormuz só será restabelecido quando os EUA encerrarem as operações militares na região. O grupo também alertou que novos confrontos podem provocar impactos ainda maiores no mercado global de petróleo e gás.
O governo iraniano informou ainda que tenta negociar com Omã um mecanismo para administrar a passagem de embarcações pelo estreito, mas disse que as conversas têm sido dificultadas pela pressão americana.
A alta do petróleo aumenta a preocupação com uma possível elevação dos preços dos combustíveis e da inflação em diversos países, caso o conflito se prolongue e afete a oferta global da commodity.
*Com informações da Reuters
Bombas de extração de petróleo, Irã, Oriente Médio
Reuters ...
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