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Região de Campinas faz quase 13 cirurgias eletivas de vesícula por dia em meio a alta pós-pandemia

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Região de Campinas faz quase 13 cirurgias eletivas de vesícula por dia em meio a alta pós-pandemia

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IMAGEM DE ARQUIVO: Paciente passa por cirurgia na região do abdômen
Divulgação
A região de Campinas (SP) realizou 4.661 cirurgias eletivas de vesícula pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2025, uma média de quase 13 procedimentos por dia. O volume permanece em um patamar superior ao registrado antes da pandemia de Covid-19: em comparação a 2019, quando foram feitas 3.377 operações, o aumento é de cerca de 38%.
O balanço da Secretaria de Estado da Saúde considera dados do Departamento Regional de Saúde VII (DRS-7), que tem sede na metrópole e abrange 42 cidades. Em 2024, a região bateu recorde com 5.250. Naquele ano, segundo dados do Ministério da Saúde, a retirada de vesícula foi o terceiro procedimento mais realizado pelo SUS em todo o Brasil.
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Para o médico gastroenterologista e professor de cirurgia da PUC Campinas, Luiz Carlos Nascimento Bertoncello, o aumento no número de cirurgias pode estar relacionado à demanda reprimida durante a pandemia da Covid-19, período em que os procedimentos eletivos, que não são urgentes, deixaram de ser realizados e acabaram sendo adiados.
🩺 A cirurgia de vesícula, chamada de colecistectomia, é o procedimento para retirar a vesícula biliar, órgão localizado abaixo do fígado que armazena a bile, substância que ajuda na digestão de gorduras. Ela é indicada principalmente para pacientes com cálculos (pedras na vesícula) que causam dor ou pólipos, inflamação ou outras complicações.
Recuperação da oferta de cirurgias
Os dados mostram uma mudança no volume de cirurgias eletivas ao longo da última década. Entre 2016 e 2019, a região de Campinas realizou entre 3 mil e 3,4 mil procedimentos por ano. Com a suspensão de parte das cirurgias programadas durante a pandemia de Covid-19, esse número caiu para 1.804 em 2020 e atingiu o menor patamar da série em 2021, com 1.469 operações.
A partir de 2022, porém, houve uma recuperação acelerada. O total saltou para 4.353 cirurgias naquele ano, chegou a 4.425 em 2023 e bateu recorde histórico em 2024, com 5.250 procedimentos. Em 2025, apesar da leve redução em relação ao ano anterior, o volume permaneceu elevado, com 4.661 operações (veja a evolução no gráfico acima).
Urgências voltam a cair
Enquanto as cirurgias eletivas cresceram nos últimos anos, os procedimentos realizados em caráter de urgência seguiram o caminho oposto. Em 2025, foram registradas 1.054 cirurgias de urgência, o menor número da série histórica iniciada em 2016.
Durante a pandemia, quando muitas cirurgias programadas foram adiadas, as urgências chegaram a representar quase metade dos procedimentos realizados na região.
Em 2021, por exemplo, houve 1.469 cirurgias eletivas e 1.396 de urgência. Nos anos seguintes, com a retomada da oferta de operações agendadas, essa diferença voltou a aumentar, e as eletivas passaram novamente a representar a maior parte das cirurgias de vesícula realizadas pelo SUS.
Principais causas e sintomas
Entre os fatores de risco, Bertoncello destaca a obesidade, que altera o metabolismo do colesterol e da insulina, o que favorece a formação de pedras na vesícula. Por outro lado, o médico alerta que o emagrecimento muito rápido também pode causar o problema. Por isso, recomenda que a perda de peso ocorra de forma natural e sem mudanças bruscas.
Sobre os sintomas, o especialista explica que existem dois perfis principais de pacientes:
o primeiro é formado por pessoas assintomáticas, que descobrem o problema durante exames de rotina, muitas vezes sem nunca terem apresentado qualquer desconforto;
o segundo grupo apresenta sintomas, principalmente após comer frituras, salgados e gema de ovo. Os sinais incluem enjoo, vômito, má digestão e dor em forma de cólica no lado direito do abdômen, que pode irradiar para as costas.
Segundo o médico, esses sinais aparecem porque as pedras impedem a vesícula de liberar a bile, um líquido essencial para a digestão das gorduras.
Principais riscos de adiar a cirurgia
'Faz Bem': Saiba tudo sobre pedras na vesícula
Bertoncello afirma que, após o diagnóstico, o ideal é programar a cirurgia (modo eletivo), com todos os exames pré-operatórios concluídos.
Nessas condições, a operação é feita por videolaparoscopia (com pequenos furos) ou robótica. É um procedimento rápido, seguro e com baixo risco.
O perigo está em adiar a operação. A espera pode causar complicações graves, como:
colecistite: inflamação da vesícula que exige cirurgia de urgência, o que aumenta o risco de infecções e o tempo de internação;
pancreatite biliar: uma pedra migra e inflama o pâncreas e, em casos graves, pode levar à morte;
obstrução da via biliar (icterícia): a pedra bloqueia a bile, deixando a pele do paciente amarelada, podendo evoluir para quadros graves.
Em quanto tempo um caso eletivo pode se tornar uma urgência?
Bertoncello afirma que não existe um prazo definido. Segundo ele, a evolução varia de paciente para paciente e não há uma regra capaz de prever quando uma pedra irá causar complicações. Por isso, a recomendação é operar assim que houver indicação.
Descoberta durante exame de rotina
A aposentada Marli Nunes Santos Freitas descobriu os primeiros cálculos na vesícula em um ultrassom de rotina. Sem sintomas na época, ela apenas levou o resultado ao médico. Com o tempo, passou a sentir refluxo e desconforto após consumir certos alimentos. A situação piorou quando ela acordou de madrugada com uma dor intensa no estômago e no peito.
“Acordei de madrugada com uma dor terrível. Uma dor que parecia que eu tinha falta de ar, parecia um infarto”, conta. Inicialmente, acreditou que fosse um problema gástrico e tentou aliviar a dor com um analgésico. Como a dor continuou, entrou em contato com o médico pela manhã.
Orientada a ir ao pronto-socorro, Marli foi ao Hospital da PUC-Campinas, onde realizou novos exames de imagem que confirmaram a presença de pedras na vesícula. A cirurgia aconteceu no mesmo dia. Marli contou que estava apreensiva, principalmente pela rapidez com que tudo aconteceu.
“Como foi tão rápido, eu fui processando assim, gente, o que eu faço? Aí já liguei para os meus filhos, falei pra eles o que estava acontecendo, meu marido, né? E fiquei tensa”, lembra.
Planejada inicialmente por videolaparoscopia, a operação precisou ser convertida em cirurgia aberta (com corte tradicional). Segundo a aposentada, durante o procedimento a vesícula rompeu e as pedras começaram a migrar para os canais biliares, o que exigiu uma intervenção de emergência.
Apesar do susto, o procedimento e a recuperação foram bem-sucedidos. “A recuperação em si foi rápida, a cicatrização, tudo. Eu ainda sentia dor, mas por conta daquele trauma”, resume.
*Estagiária sob supervisão de Yasmin Castro.
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