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Investigação aponta uso de 'ônibus fantasmas' para inflar patrimônio de empresa de transporte suspeita de lavar dinheiro para o PCC em SP

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Investigação aponta uso de 'ônibus fantasmas' para inflar patrimônio de empresa de transporte suspeita de lavar dinheiro para o PCC em SP

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SPTrans assume o controle da Transunião
A investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público aponta o uso de "ônibus fantasmas" para inflar artificialmente o patrimônio da empresa Transunião e viabilizar sua participação em licitações públicas na capital paulista. A companhia é alvo da Operação Última Parada, deflagrada na quinta-feira (25).
Ao todo, foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão. Entre os presos estão o vereador da capital Senival Moura (PT), Jair Ramos de Freitas, conhecido como "Cachorrão" e apontado como diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento, o "Sapo", motorista e homem de confiança do parlamentar (leia mais abaixo).
De acordo com os autos, os "ônibus fantasmas" não seriam veículos inexistentes, mas ônibus que figuravam nos registros societários e contábeis da empresa como novos aportes patrimoniais de acionistas para justificar um aumento de capital que, segundo os investigadores, não possuía lastro econômico real.
Na prática, a investigação concluiu que parte desses veículos já integrava a própria frota operacional da Transunião ou estava formalmente vinculada a "laranjas", como motoristas e cobradores, que, segundo a Polícia Civil e o MP-SP, não apresentavam capacidade financeira compatível com a aquisição de ônibus avaliados em centenas de milhares de reais.
Segundo as apurações, essa engenharia societária permitiu que o capital social da Transunião saltasse de R$ 105 mil para R$ 50,2 milhões por meio de boletins de subscrição elaborados de forma padronizada e seriada, nos quais os veículos eram declarados como bens entregues pelos acionistas em troca de participação societária.
Ônibus da empresa Transunião. Foto de 2022.
WILLIAN MOREIRA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
O objetivo, de acordo com os investigadores, era atender às exigências previstas nos editais da Prefeitura de São Paulo, administrados pela SPTrans, que passaram a exigir das concessionárias a comprovação de capacidade econômico-financeira mínima e de patrimônio compatível com os lotes de transporte operados.
Os documentos apontam que acionistas declaravam entregar micro-ônibus à empresa em troca de ações. Entretanto, as apurações indicam que, em diversos casos, essas pessoas jamais foram proprietárias dos veículos informados nos boletins de subscrição.
Em outras situações, os ônibus apresentados como novos aportes patrimoniais já integravam a frota da própria Transunião. Na prática, segundo a investigação, a empresa "reaproveitava" contabilmente ativos que já lhe pertenciam para simular a entrada de novos bens e inflar de forma fictícia seu capital social.
Para a Polícia Civil e o MP-SP, essa dinâmica permitiu a criação de um "capital meramente aparente, desprovido de lastro real".
Segundo as investigações, essa condição financeira artificial foi determinante para que a empresa conseguisse preencher os requisitos patrimoniais exigidos nos processos licitatórios do transporte público paulistano.
O líder do PT na Câmara Municipal de São Paulo, vereador Senival Moura.
Afonso Braga/CMSP
Titularidade dissociada
As investigações também identificaram indícios de uma separação deliberada entre os proprietários formais dos ônibus e os reais beneficiários da exploração econômica dos veículos.
Segundo os investigadores, o mecanismo foi desvendado a partir de planilhas digitais apreendidas, intituladas "Contato" e "Contato 3", que continham uma categorização interna específica para a frota da Transunião.
Nos documentos, os veículos eram associados a duas figuras distintas: o "cooperado", responsável pela titularidade formal do ônibus e que frequentemente atuava como interposta pessoa ou "laranja", e o "cooperado oficial", identificado como o efetivo detentor do domínio econômico do bem e o destinatário final dos lucros gerados pela sua operação.
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Segundo a Polícia Civil, essa estrutura evidencia que parte significativa da frota estava, na prática, vinculada a indivíduos que não integravam formalmente a estrutura societária da empresa, mas que, de acordo com as investigações, exerciam influência sobre a gestão operacional e financeira da concessionária.
Entre eles o vereador Senival Moura, o atual presidente da Transunião, Lourival Monário, e o diretor informal Jair Ramos de Freitas, o "Cachorrão".
As apurações também apontam supostas irregularidades em notas fiscais emitidas pela Cooperunião em favor da Transunião para serviços de locação de veículos. Os investigadores afirmam ter identificado casos em que os ônibus utilizados para justificar o faturamento pertenciam à própria concessionária, sem que houvesse comprovação de que os serviços cobrados tenham sido efetivamente prestados.
Em um dos episódios citados nos autos, diligências realizadas junto à Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transportes (SMT) apontaram que, para a execução do Serviço Atende — modalidade gratuita de transporte porta a porta destinada a pessoas com deficiência física severa, autismo ou surdocegueira na cidade de São Paulo —, foram utilizados veículos que já integravam a frota da própria Transunião, o que, segundo os investigadores, esvaziaria a justificativa para as cobranças de aluguel realizadas pela cooperativa.
A Polícia Civil e o MP-SP sustentam que essa complexa estrutura empresarial teria sido instrumentalizada para dificultar a rastreabilidade do dinheiro, ocultar a verdadeira titularidade de bens e conferir aparência de licitude a recursos de origem ilícita.
A Operação Última Parada apura suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas envolvendo a empresa e seus dirigentes.
Circulação de ônibus da Transunião não foi afetada após intervenção da Prefeitura de SP
Operação Última Parada
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) deflagraram na manhã de quinta-feira (25) a Operação Última Parada, contra um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no transporte público. Os agentes cumpriram cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão.
Até a última atualização desta reprotagem, apenas três investigados foram presos: são o vereador da capital Senival Moura, do PT, Jair Ramos de Freitas ("Cachorrão"), diretor informal da empresa, e Devanil de Souza Nascimento ("Sapo"), motorista e homem de confiança do vereador.
Abaixo, veja quem são os demais alvos dos mandados de prisão:
Lourival Monário ("Orelha"): atual presidente da Transunião, acusado de ser nomeado pelo PCC para garantir o escoamento de recursos ilícitos;
Leonel Moreira Martins ("Cabeça Branca"): supervisor operacional que atuava como o interlocutor direto do PCC dentro da empresa, transmitindo ordens da facção.
Números da operação:
Bloqueio de 117 veículos e 3 embarcações;
Sequestro de 21 imóveis;
Bloqueio de R$ 194.457.851,90 em contas dos alvos.
Os investigados são acusados de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas.
Com a operação, a diretoria da Transunião foi afastada e a Prefeitura de São Paulo, comunicada para que sejam tomadas as medidas administrativas cabíveis.
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informam que "a operação dos ônibus da empresa Transunião segue funcionando, com a frota atendendo normalmente as linhas sob sua responsabilidade e sem prejuízo ao atendimento da população. A Administração Municipal aguarda a notificação oficial da decisão judicial para avaliar seus termos e definir as providências necessárias a partir de agora".
A defesa do vereador Senival Pereira de Moura afirmou que o parlamentar "é inocente e de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos perante as autoridades competentes" (leia na íntegra abaixo).
Já a empresa Transunião disse que "essa intervenção irá demonstrar que a empresa possui somente recursos de natureza pública e não existe ingresso de dinheiro ilícito e, após o período da intervenção, a empresa será devolvidas pelos interventores, assim como ocorreu em outras empresas de transportes (leia na íntegra abaixo).
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), durante a Expo Favela.
Fernando Frazão/Agência Brasil
Intervenção
Na quinta, o prefeito anunciou uma intervenção na empresa de ônibus Transunião, concessionária responsável por operar 50 linhas de ônibus na Zona Leste da capital.
Com a decisão, a gestão e a operação da concessionária passam a ser administradas pela SPTrans. Segundo a prefeitura, o objetivo é garantir a continuidade do transporte público na região e preservar os empregos e os contratos em vigor.
🔎 A intervenção é uma medida que permite ao poder público assumir temporariamente a administração de uma empresa que presta um serviço público diante de suspeitas de irregularidades. Nesse período, a empresa continua funcionando normalmente, mas a gestão passa a ser feita por representantes indicados pelo governo até que a situação seja esclarecida.
Segundo Nunes, a intervenção será conduzida por uma equipe formada por representantes da SPTrans, da Procuradoria Geral do Município, da Secretaria da Fazenda e da Controladoria Geral do Município (CGM).
O interventor nomeado é Ângelo Fêde, funcionário de carreira da SPTrans há 49 anos e que até então era responsável pelo Grupo de Apoio Institucional da Diretoria de Operações da empresa pública.
Segundo a prefeitura, a Transunião opera dois lotes de transporte coletivo na Zona Leste, possui três garagens e transporta cerca de 262 mil passageiros por dia.
O que diz o vereador Senival Moura
Leia a nota na íntegra:
"A defesa do Vereador Senival Pereira de Moura vem a público esclarecer que recebe com absoluta serenidade, porém com profunda indignação, as medidas cautelares adotadas no âmbito da investigação em curso, por estar plenamente convicta de que o Vereador é inocente e de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos perante as autoridades competentes.
Senival Moura exerce mandato parlamentar desde 2006, tendo construído uma trajetória pública marcada pela dedicação à população da Cidade de São Paulo, sempre pautada pela defesa das causas populares, pelo compromisso com o interesse público e pelo respeito às instituições democráticas. Ao longo de quase duas décadas de vida pública, jamais teve sua conduta maculada por qualquer condenação criminal, mantendo uma atuação política transparente e amplamente conhecida pela sociedade paulistana.
A defesa esclarece que a participação do Vereador na empresa Transunião decorre exclusivamente de sua condição de sócio, regularmente constituída e registrada perante os órgãos competentes. Os valores por ele percebidos possuem origem lícita e são decorrentes da atividade empresarial desenvolvida pela empresa na prestação de serviços no sistema de transporte coletivo, estando todos os recebimentos devidamente contabilizados e sujeitos aos controles legais e fiscais.
Da mesma forma, todos os bens móveis e imóveis pertencentes ao Vereador foram regularmente adquiridos ao longo de sua vida, possuem origem absolutamente lícita e encontram-se devidamente declarados em suas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física, não existindo qualquer patrimônio oculto ou incompatível com sua evolução patrimonial e financeira.
A defesa reafirma que toda a documentação societária, contábil, bancária e fiscal será apresentada às autoridades competentes, demonstrando de forma inequívoca a regularidade de sua atuação empresarial, a licitude de seu patrimônio e a absoluta inexistência de qualquer prática ilícita atribuída ao parlamentar.
Também causa profunda estranheza que medidas de tamanha gravidade tenham sido deflagradas justamente em um momento de intensa movimentação política nacional, às vésperas do processo eleitoral, especialmente em um contexto de relevância para as eleições federais. A defesa entende que o momento escolhido merece criteriosa reflexão e será objeto das medidas jurídicas cabíveis, sempre na defesa das garantias constitucionais, da imparcialidade e do devido processo legal.
O Vereador Senival Moura sempre esteve à disposição das instituições, jamais se furtou a prestar esclarecimentos e continuará colaborando integralmente com as autoridades, certo de que a verdade prevalecerá e de que sua inocência será plenamente reconhecida.
A defesa reafirma sua absoluta confiança no Poder Judiciário e acredita que, ao final das investigações, restará demonstrado que Senival Moura jamais praticou qualquer ato ilícito, preservando-se sua honra, sua história política, sua reputação e o legado de quase vinte anos dedicados ao exercício da vida pública."
O que diz a Transunião
"Na qualidade de advogado da empresa Transunião Transporte S.A, em atendimento à solicitação, venho por meio deste, comunicar a V.Sas. que toda determinação do Poder Público será acatada pela empresa, em especial a intervenção da SPtrans sobre a empresa.
Certo que essa intervenção irá demonstrar que a empresa possui somente recursos de natureza pública e não existe ingresso de dinheiro ilícito e, após o período da intervenção, a empresa será devolvidas pelos interventores, assim como ocorreu em outras empresas de transportes.
Certo de ter atendido a solicitação de V.Sas., nos colocamos a inteira disposição para quaisquer novos questionamentos."
O que diz a prefeitura
"A Prefeitura de São Paulo determinou a intervenção na concessionária de ônibus Transunião após ação e investigação do Ministério Público e informa que a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transporte (SMT) e a SPTrans intensificaram a fiscalização na empresa, que opera em dois lotes da cidade.
Entre 2024 e 2025 o número de multas aplicadas à empresa por descumprimento de partidas se manteve estável, passando de 14.994 para 14.890. Neste ano são 6.400 autuações entre janeiro e maio." ...

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