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Ave que passa dias sem pousar é registrada em caverna atrás de cachoeira em MG

G1 (Globo)
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Ave que passa dias sem pousar é registrada em caverna atrás de cachoeira em MG

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Ave que passa dias sem pousar é registrada em caverna atrás de cachoeira em MG
Eles passam boa partee da vida no ar, conseguem percorrer mais de 100 quilômetros por dia em busca de alimento e só pousam para descansar e se reproduzir. Um registro feito em uma cachoeira no sul de Minas Gerais revela o comportamento dos taperuçus-de-coleira-branca, um tipo de andorinhão que utiliza paredões úmidos atrás de quedas d'água como abrigo para formar colônias e criar os filhotes.
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Os andorinhões não são andorinhas grandes. A coloração predominantemente escura e o voo rápido fazem com que essas aves também sejam confundidas, muitas vezes, com morcegos. Mas a verdade surpreende: em termos evolutivos, os parentes mais próximos dos andorinhões são os beija-flores.
Essa é apenas uma das curiosidades sobre o grupo, considerado um dos mais especializados para o voo. Capazes de permanecer dias sem pousar, os andorinhões passam praticamente toda a vida no ar e só procuram locais como cavernas e paredões atrás de cachoeiras para descansar e se reproduzir.
Taperuçu-de-coleira (Streptoprocne zonaris)
Fernando Igor de Godoy
Foi justamente um desses momentos que Benê Santos registrou em Pocinhos do Rio Verde, distrito de Caldas (MG). As imagens mostram um grupo de taperuçus-de-coleira-branca (Streptoprocne zonaris), uma espécie de andorinhão utilizando o paredão de uma cachoeira para descansar e se reproduzir.
"Eu sempre ando com minha câmera, ela é minha companheira. Nesse dia ouvi a vocalização e a movimentação delas. Então as segui até a cachoeira. Foi um registro inédito para mim", conta.
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Uma vida praticamente inteira no ar
Segundo o ornitólogo Fernando Igor de Godoy, os andorinhões pertencem à família Apodidae, que reúne 109 espécies distribuídas por praticamente todo o mundo, com exceção das regiões polares. No Brasil, 20 espécies já foram registradas.
A maior parte delas compartilha um modo de vida semelhante: passa quase todo o tempo em voo e utiliza cavernas e paredões próximos a cachoeiras para descansar e se reproduzir.
Indivíduos de taperuçus-velhos (Cypseloides senex) em cachoeira na cidade de Ijuí (RS)
Fernando Igor de Godoy
Há, porém, exceções. Algumas espécies preferem dormir em folhas verticais de palmeiras ou até utilizar chaminés como abrigo. Já o andorinhão-estofador foge completamente ao padrão e pode construir ninhos até mesmo no forro de casas.
Os andorinhões são aves extremamente adaptadas ao voo. Alimentam-se de insetos capturados no ar e podem percorrer mais de 100 quilômetros a partir do dormitório em busca de alimento.
Andorinhão-do-buriti
Leonardo Casadei
Além disso, estudos realizados com uma espécie africana indicam que esses animais podem permanecer dias sem pousar. Os pesquisadores acreditam que eles consigam descansar durante o voo, provavelmente por meio de pequenos períodos de sono enquanto planam nas correntes ascendentes de ar quente.
Ainda não há confirmação de que as espécies neotropicais, como as encontradas no Brasil, apresentem exatamente o mesmo comportamento.
Por que eles vivem atrás de cachoeiras?
Os paredões úmidos e as cavernas atrás de cachoeiras são utilizados pelos taperuçus – grupo de andorinhões dos gêneros Streptoprocne e Cypseloides – como locais de repouso e reprodução.
Segundo Fernando Igor, esses ambientes oferecem proteção contra predadores, já que o acesso costuma ser difícil por causa da água, das rochas escorregadias e da pouca luminosidade. É ali que as aves constroem os ninhos, colocam os ovos e criam os filhotes.
Andorinhão-preto pode alcançar a velocidade de 500 quilômetros por dia
Ged Tranter/iNaturalist
Apesar da segurança, a estratégia também apresenta riscos. Filhotes podem cair dos paredões e, como vivem em colônias, doenças transmissíveis podem se espalhar rapidamente entre os indivíduos.
Feitos para agarrar paredes
Ao contrário da maioria das aves, os andorinhões não conseguem pousar em galhos ou fios.
"Suas patas são altamente especializadas para agarrar superfícies verticais. Embora possuam três dedos voltados para frente e um para trás, esse quarto dedo pode girar para a frente, formando uma espécie de "mão", ideal para se fixar em rochas, cavernas e outras superfícies", explica o especialista.
Bando de taperuçus-de-coleira-branca em Jacutinga (MG)
Geiser Trivelato
Além disso, as unhas curvas, um apoio desenvolvido na região do tarso – semelhante a um calcanhar –e a cauda rígida ajudam a sustentar o peso do corpo enquanto permanecem agarrados aos paredões.
Um registro especial
O que mais chamou a atenção de Benê foi a quantidade de indivíduos reunidos e a oportunidade de documentar um comportamento que acompanha há anos.
"Esse comportamento deles, tanto no deslocamento quanto no retorno ao interior da caverna, me impressiona. Durante alguns anos venho observando essas aves, e fazer esse registro aqui em Caldas está sendo muito especial. Observar aves, para mim, é um remédio que alivia a alma".
Turismo exige cuidados
Embora escolham locais naturalmente protegidos, os andorinhões podem ser afetados pela presença humana.
A visitação intensa em cachoeiras pode provocar perturbações nas colônias, fazendo com que os adultos abandonem temporária ou definitivamente os ninhos.
Jovem de taperuçu-preto em Pacoti (CE)
Ciro Albano
Além disso, atividades como abertura de acessos, mineração, alterações na paisagem e até a poluição da água podem comprometer as condições necessárias para a reprodução dessas aves.
A orientação dos especialistas é que visitantes evitem se aproximar das áreas onde há ninhos e respeitem o comportamento natural dos animais, especialmente durante o período reprodutivo.
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