UE cobra que EUA cumpram acordo comercial após novas tarifas de Trump

ONP Summary
Trump's administration announced new tariffs of 10-12.5% on approximately 60 countries, replacing a universal tariff that expired after the Supreme Court rejected its legal basis. The action affects numerous nations including European Union members and is justified as addressing inadequate forced labor protections.
Progressive:Trade war escalation — progressive outlets frame Trump's move as resuming aggressive commercial conflict after a Supreme Court setback, continuing an escalatory campaign.
Conservative:Forced labor enforcement — conservative outlets characterize the tariffs as Trump addressing inadequate labor protections in affected countries.
Em 2023, o comércio entre a UE e os EUA ultrapassou US$ 1,8 trilhão
Getty Images via BBC
A União Europeia (UE) afirmou nesta sexta-feira (24) que espera que os Estados Unidos cumpram integralmente o acordo comercial firmado entre as partes e em vigor desde 1º de julho, mesmo após o governo de Donald Trump anunciar novas tarifas sobre produtos importados sob a justificativa de combater o trabalho forçado nas cadeias globais de produção.
As declarações ocorrem um dia após os EUA anunciarem uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros parceiros comerciais, incluindo a UE. Com a medida, a carga tarifária sobre alguns itens exportados pelo Brasil pode chegar a 37,5%, somando-se às tarifas já anunciadas na semana passada.
Em comunicado, um porta-voz da Comissão Europeia afirmou que o bloco já cumpriu os compromissos previstos no acordo comercial firmado com Washington e que continuará dialogando com a administração americana.
"A UE já cumpriu a sua parte do acordo. Continuaremos a dialogar com a administração dos EUA para garantir que os EUA cumpram integralmente os seus compromissos", disse o representante.
Agora no g1
A cobrança da UE ocorre pouco mais de um mês após o Parlamento Europeu aprovar a redução de tarifas de importação sobre diversos produtos americanos, cumprindo sua parte de um acordo comercial firmado com Washington no ano passado. A votação aconteceu em 16 de junho, onze meses depois de o entendimento ter sido fechado durante um encontro realizado em um campo de golfe de Trump, na Escócia.
Pelo acordo, os europeus concordaram em eliminar tarifas sobre produtos industriais dos EUA e ampliar o acesso de produtos agrícolas americanos ao mercado europeu. Em contrapartida, os Estados Unidos mantiveram tarifas de 15% sobre a maior parte dos bens exportados pelo bloco. Antes da aprovação das medidas, Trump chegou a ameaçar impor tarifas “muito mais altas” caso a União Europeia não implementasse os compromissos até 4 de julho.
O Reino Unido, por sua vez, afirmou que não será afetado pela nova rodada de tarifas. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira (24), um porta-voz do governo britânico disse que o acordo comercial firmado com Washington permanece em vigor e que as empresas do país não enfrentarão aumento nas taxas alfandegárias em decorrência da medida.
"Não há qualquer alteração negativa nas taxas alfandegárias que as empresas do Reino Unido enfrentam em consequência deste anúncio. O nosso acordo com os EUA mantém-se em vigor e, hoje, assistimos a uma melhoria das nossas condições comerciais, com tarifas zero para o whisky e a tecnologia médica", afirmou o porta-voz.
O governo britânico também destacou que adota medidas para evitar que empresas do país sejam cúmplices de trabalho forçado nas cadeias globais de abastecimento.
Nova tarifa de Trump
As novas tarifas fazem parte de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que concluiu que diversos países não adotam mecanismos suficientes para impedir a entrada em seus mercados de produtos fabricados com trabalho forçado.
Segundo os EUA, o Brasil, a União Europeia e dezenas de outros parceiros comerciais falham em fiscalizar adequadamente suas cadeias de importação, o que criaria condições de concorrência desleal para empresas americanas. A justificativa, porém, vem sendo contestada por especialistas e autoridades internacionais.
Analistas em comércio internacional observam que a investigação não apresentou casos concretos de produtos brasileiros produzidos com trabalho forçado que tenham sido identificados no mercado americano. Além disso, setores frequentemente associados a resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão no Brasil, como pecuária e cafeicultura, ficaram fora das principais sobretaxas anunciadas por Washington.
A ofensiva comercial também ocorre em um momento em que o governo Trump busca ampliar instrumentos de pressão sobre parceiros econômicos e reorganizar cadeias globais de produção. Para parte dos especialistas, as medidas têm relação não apenas com o combate ao trabalho forçado, mas também com a estratégia americana de proteger sua indústria e aumentar a pressão sobre a China e outros concorrentes comerciais.
Dados da fundação Walk Free mostram que os próprios Estados Unidos lideram o ranking mundial de importações potencialmente expostas ao risco de trabalho forçado, movimentando cerca de US$ 169,6 bilhões por ano em mercadorias associadas a esse risco. O Brasil aparece muito abaixo, com aproximadamente US$ 5,6 bilhões, segundo dados de 2023.
*Com informações da Reuters. ...
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