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Pesquisa: Amazônia depende dos animais mais do que se imaginava; entenda

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Pesquisa: Amazônia depende dos animais mais do que se imaginava; entenda

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Sem animais, 99% das árvores da Amazônia não conseguem se reproduzir, mostra estudo
Charles Gates/Animalia
A reprodução da maior parte das árvores da Amazônia depende diretamente de animais como abelhas, aves, mamíferos e até formigas. É o que mostra um estudo que reuniu informações sobre espécies que representam 94% dos indivíduos estimados na floresta e revela a importância dessas interações para a manutenção do maior bioma tropical do planeta.
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O levantamento analisou 5.201 espécies de árvores, cerca de metade de todas as espécies conhecidas na Amazônia. Embora muitas espécies raras ainda estejam fora da amostra, os pesquisadores explicam que as árvores mais abundantes da floresta estão bem representadas, permitindo compreender como funcionam as principais redes ecológicas do bioma.
Segundo Caio Simões Ballarin, biólogo, pós-doutorando do Instituto de Biociências da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e um dos colaboradores da pesquisa, a diferença entre esses números ajuda a entender a dimensão do estudo.
"Vale explicar a diferença entre esses dois números, porque ela é importante. 'Espécie' é o tipo de árvore — como falar em 'castanheira' ou 'açaí'. 'Indivíduo' é cada árvore de pé na floresta, uma a uma. Então, embora a gente tenha estudado metade dos tipos de árvores, esses tipos são justamente os mais comuns e numerosos — por isso eles representam quase todas as árvores que você encontraria caminhando pela floresta", explica.
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Uma floresta sustentada por animais
Pesquisa revela que quase todas as árvores da Amazônia dependem dos animais para sobreviver
christels/Pixnio
Ao cruzar informações sobre flores, frutos, sementes e as diferentes formas de dispersão, os cientistas descobriram que os animais são protagonistas na manutenção do ecossistema amazônico.
Quase 80% das espécies avaliadas dependem deles tanto para transportar pólen entre as flores quanto para espalhar sementes pela floresta.
O estudo também mostrou que apenas cerca de 1% das árvores analisadas conseguem realizar essas duas etapas da reprodução sem a participação de animais. Isso significa que 99% delas dependem desses seres para sobreviver.
Conforme o biólogo, as abelhas aparecem como os visitantes mais frequentes na polinização e, por isso, estão associadas à maior parte das árvores estudadas. Além delas, também participam desse processo os chamados "visitantes generalistas" — um conjunto variado de pequenos insetos —, além de borboletas, besouros, moscas, vespas, beija-flores e morcegos, dependendo da espécie de árvore.
Na dispersão de sementes, aves, mamíferos e também formigas — responsáveis por transportar sementes menores — levam as sementes para longe da planta-mãe, permitindo que novas árvores se estabeleçam em diferentes áreas da floresta.
O pesquisador destaca as diferentes formas de dispersão realizadas pelos animais:
Endozoocoria: o animal come o fruto e depois elimina a semente nas fezes, em outro local. É, de longe, o mecanismo mais comum.
Epizoocoria: a semente "pega carona" presa ao corpo do animal, no pelo ou nas penas.
Sinzoocoria: o animal transporta a semente, geralmente para armazená-la como alimento, e parte delas acaba germinando.
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Espécies "chave"
O trabalho também identificou grupos de árvores que concentram uma parcela expressiva das interações entre plantas e animais na Amazônia. Entre eles estão os gêneros Inga, Protium, Eschweilera, Pouteria, Virola e Ocotea.
Para Caio, essas árvores funcionam como uma espécie de "estoque central" da floresta por serem abundantes e fornecerem flores e frutos para uma grande variedade de animais.
O ingá é um dos principais exemplos, porque seus frutos alimentam aves, mamíferos e insetos, enquanto suas flores atraem polinizadores como abelhas, morcegos, mariposas e beija-flores.
"Uma árvore só pode sustentar dezenas de tipos de bichos. O ingá mostra como uma única espécie pode estar no centro de uma enorme teia de relações ecológicas", afirma o pesquisador.
Além disso, os cientistas destacam a importância das chamadas espécies-chave, que exercem um papel relevante no ecossistema não pela abundância de indivíduos, mas pelo impacto que provocam.
"Mesmo com poucos indivíduos, ela pode ser fundamental porque oferece recursos muito importantes e procurados. Sem ela, várias espécies 'sentem o baque'... mas também existem árvores muito abundantes que cumprem um papel parecido, interagindo com uma enorme variedade de organismos", completa Caio.
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oecophylla/iNaturalist -
Para os pesquisadores, os resultados reforçam uma preocupação crescente: a chamada defaunação, processo de perda de animais provocado pela caça, pelo desmatamento, pela fragmentação florestal e pelas mudanças climáticas.
"Como a maioria das árvores depende desses animais para se reproduzir, perder essas populações — algo que já acontece pela caça, desmatamento e fragmentação da floresta — coloca em risco a própria capacidade da floresta de se regenerar", explica Caio.
Sem polinizadores e dispersores, muitas árvores têm mais dificuldade para se reproduzir e colonizar novas áreas. Esse efeito não se limita às plantas. Também pode comprometer a oferta de frutos consumidos por comunidades tradicionais, como açaí e castanha-do-pará, produtos que dependem diretamente dessas interações ecológicas.
O biólogo destaca ainda a importância de cada grupo de animais para a manutenção da floresta.
"Cada grupo de animal é insubstituível para um certo conjunto de plantas. Por isso, a resposta mais honesta é que, embora as abelhas se destaquem pela quantidade de plantas que atendem, a perda de qualquer grupo carrega riscos próprios e específicos."
Ele completa afirmando que o sistema funciona graças à diversidade de espécies, com animais interagindo simultaneamente com diferentes tipos de flores e frutos. É a soma dessas interações que mantém a floresta funcionando.
*Sob supervisão de Rodrigo Peronti.
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