Presidente da Fifa diz que revogação de cartão vermelho de jogador dos EUA foi decisão 'independente e autônoma'

Trump admite que pediu para Fifa revisar cartão vermelho
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, se defendeu das críticas de interferência política na decisão que anulou o cartão vermelho dado ao jogador da seleção dos Estados Unidos Folarin Balogun, durante a última partida da seleção norte-americana na Copa do Mundo, contra a Bósnia Herzegovina.
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Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmar que pediu para ele que a federação revisasse o cartão vermelho aplicado ao jogador, Infantino admitiu que recebeu um telefone de Trump, mas garantiu que não teve nenhum poder sobre a decisão tomada.
"Os órgãos judiciais da FIFA decidem os casos de forma independente e autônoma. Eu informei a Trump que o caso Balogun estava sujeito a processo legal em andamento. Eu leio as decisões do comitê disciplinar assim que são divulgadas. Às vezes concordo, discordo ou me surpreendo", afirmou em comunicado.
Pouco antes, questionado sobre o tema em uma coletiva de imprensa no Salão Oval da Casa Branca, Trump disse que não considerou justa a falta marcada pelo árbitro "horrível" e se rebateu as acusações de interferência política na competição:
"Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta. Eu não disse à Fifa o que fazer. O comitê tomou a decisão certa. É injusto excluir um dos melhores jogadores dos EUA".
O árbitro da partida foi o brasileiro Raphael Claus.
🔎 Após revisar o lance no VAR, Claus expulsou Balogun aos 18 minutos da etapa final. O atacante recebeu o cartão vermelho por um pisão no tornozelo de Muharemovic.
Trump durante entrevista à imprensa no Salão Oval da Casa Branca nesta segunda-feira (6).
Reuters/Evan Vucci
Após criticar o trabalho do árbitro brasileiro em campo, o presidente dos EUA ainda fez insinuações sobre possíveis irregularidades envolvendo seu nome:
"Esse árbitro é um pouco suspeito. Se você verificar o passado dele… Eu não quero dizer isso, porque não gosto de criar polêmica, mas muito suspeito, como se eu pudesse te mostrar o histórico. Ele fez uma marcação que ninguém conseguiu acreditar, sabe? Até pessoas do outro lado".
Folarin Balogun, dos EUA, recebe um cartão vermelho do árbitro Raphael Claus.
Phil Noble / Reuters
Bélgica vai contestar decisão
Mais cedo, a Bélgica, que enfrenta os Estados Unidos nesta segunda-feira (6) por uma vaga nas quartas de final, cobrou explicações da FIFA por revogar o cartão vermelho.
Em nota, a Federação Belga de Futebol afirmou que ainda não recebeu "nem a decisão da FIFA, nem qualquer explicação sobre esse caso". Segundo a entidade, "nessas circunstâncias, não resta outra opção a não ser contestar a elegibilidade do jogador para a próxima partida".
Os belgas argumentam que o "Artigo 66.4 do mesmo Código Disciplinar da Fifa prevê claramente que um cartão vermelho (expulsão) resulta automaticamente em suspensão para a próxima partida da equipe, como tem sido o caso de todos os cartões vermelhos anteriores aplicados durante esta Copa".
A entidade que rege o futebol da Bélgica também apontou que a liberação do atacante contraria diretamente o Artigo 10.5 do Regulamento da própria Copa do Mundo de 2026, reforçando que a punição deveria ser automática. De acordo com os belgas, essa regra foi reafirmada pela Fifa em circulares e reuniões oficiais antes de cada partida do torneio.
Sob a alegação de proteger os princípios fundamentais de "fair play" e os direitos das seleções participantes, a federação belga informou que já está investigando todas as opções potenciais diante do caso.
Mais cedo, a União Europeia e a Uefa também criticaram a Fifa por anular o cartão do jogador após pedido de Trump.
Decisão comemorada por Trump e técnico dos EUA
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e presidente da Fifa, Gianni Infantino, posam para foto com o troféu da Copa do Mundo no Salão Oval, na Casa Branca. Foto de agosto de 2025.
Divulgação/Casa Branca
No domingo (5), Trump já havia parabenizado a Fifa por anular o cartão:
"Obrigado à FIFA por fazer o que era certo e reverter uma grande injustiça!", publicou o presidente.
Durante uma coletiva de imprensa também no domingo, o técnico da seleção norte-americana, Mauricio Pochettino, celebrou a decisão.
"Fomos punidos o suficiente contra a Bósnia-Herzegovina ao jogar com um a menos por 30 minutos, em uma decisão completamente injusta. E não só porque sou o técnico da seleção dos Estados Unidos e preciso defender meu lado. É porque acredito que 99,9% das pessoas concordam que aquele cartão vermelho foi injusto", disse o treinador argentino.
Folarin Balogun, dos EUA, durante jogo contra a Bósnia e Herzegovina.
Phil Noble / Reuters ...
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