Cubanos pagam US$ 2,8 mil para entrar no Brasil pela fronteira de Roraima com Guiana

PRF resgata 108 cubanos em um dia e registra maior operação contra coiotes na fronteira de
Os 108 cubanos resgatados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) pagaram até US$ 2,8 mil - mais de R$ 14 mil - a "coiotes" para entrar no Brasil pela BR-401, rodovia que liga Roraima à fronteira com a Guiana, nessa segunda-feira (8). Esta é a maior operação contra coiotes na divisa entre os países da corporação.
🔍 No contexto da migração, "coiote" é o nome dado a pessoas ou grupos que cobram para facilitar a entrada irregular de migrantes em outro país.
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Na ocorrência da PRF, cinco suspeitos foram presos por promover a migração ilegal no Cantá, Norte de Roraima. O preço corresponde ao custo total da viagem, que pode incluir o deslocamento até capitais brasileiras e outros países da América do Sul, como o Uruguai.
Segundo a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), os cubanos podem pagar até US$ 10 mil, o equilavente a mais de R$ 50 mil, pela travessia irregular. O valor é 257% superior ao relatado pelos cubanos resgatados na operação de segunda-feira (8).
Os custos variam conforme o trecho percorrido e os serviços oferecidos pelos coiotes. A PRF informou eles podem cobrar a partir de US$ 300 - R$ 1,5 mil - quando os migrantes chegam por conta própria à fronteira e precisam apenas do transporte até Boa Vista.
Rota feita pelos cubanos até o Brasil
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Nalu Cardoso/g1 RR
O relatório "Contrabando de Migrantes no Brasil: Uma Análise de Inteligência", publicado em abril de 2026 pela Abin e Organização Internacional para as Migrações (OIM), destaca que a BR-401 é a principal rota utilizada para a entrada irregular de cubanos no Brasil.
A rodovia tem cerca de 125 quilômetros entre Boa Vista e Bonfim, município localizado na região de fronteira. Os migrantes saem de Cuba, passam por Georgetown, capital da Guiana, seguem para Lethem, cidade guianense na fronteira com o Brasil, e entram no país por Bonfim. Em alguns casos, a travessia ocorre de forma clandestina pelo rio que separa os dois países.
Após a entrada em território brasileiro, eles seguem viagem em veículos até Boa Vista e outras regiões do país. A capital roraimense funciona, na maioria das vezes, apenas como ponto de passagem, e o destino final pode variar entre cidades como Curitiba e São Paulo, além de países vizinhos.
Segundo Isaías Magalhães, agente da PRF, a atividade é altamente lucrativa para os coiotes.
"É uma atividade muito lucrativa. Em alguns casos, veículos com capacidade para cinco ocupantes transportam 10, 11 ou até 12 pessoas para aumentar o lucro da viagem", afirmou.
Balanço dos últimos anos
Entre 2024 e 2026, a PRF resgatou 189 migrantes em situação de transporte clandestino durante 24 flagrantes registrados nas rodovias federais do estado. Os números ainda não foram atualizados com as novas ocorrências dessa segunda-feira (8).
Há uma rota secundária utilizada por cubanos que possuem visto venezuelano e entram no Brasil por Pacaraima, na fronteira com a Venezuela.
No mesmo período, 31 pessoas suspeitas de atuar como "coiotes" foram presas e 31 veículos utilizados no esquema foram apreendidos.
De acordo com a PRF, cerca de 91% dos migrantes resgatados são de nacionalidade cubana. Também foram identificados casos envolvendo pessoas da China, Índia e Camarões.
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