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Pessoas negras representam mais de 93% das mortes por intervenção policial na Bahia, confirma estudo

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Pessoas negras representam mais de 93% das mortes por intervenção policial na Bahia, confirma estudo

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Pessoas negras representam mais de 93% das mortes por intervenção policial na Bahia, confirma estudo
Daniel Ramalho/AFP/Arquivo
Cerca de 93,9% das mortes por intervenção de agentes de segurança pública na Bahia são de pessoas negras, segundo o estudo "Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã", realizado pela Rede de Observatórios da Segurança. O número supera a própria porcentagem de negros que vivem no estado — grupo composto por pretos e pardos conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) —, que é de 79,7%.
Divulgado nesta quarta-feira (1º), o levantamento analisa dados de 2025 dos estados da Bahia, Amazonas, Ceará, Pará, Pernambuco, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Segundo a pesquisa, dos 365 dias do ano passado na Bahia, 346 tiveram registros de mortes provocadas por agentes públicos de segurança. Assim como nos outros estados analisados, a maioria das vítimas são jovens de até 29 anos, do sexo masculino, que vivem em periferias e favelas.
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Em números absolutos, o total de mortos por intervenção policial na Bahia no último ano chegou a 1.243 pessoas. Destas, 1.043 tinham idade entre 18 e 29 anos, enquanto 152 tinham entre 12 e 17 anos, e 280 estavam entre 30 e 39 anos.
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De acordo com Silvia Ramos, cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança, os números demonstram um padrão das vítimas da letalidade policial.
“Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias".
O estudo também apresenta a diferença na proporção de mortes entre a população negra e branca. Os dados revelam que pessoas negras têm quatro vezes mais risco de serem mortas pela polícia do que as brancas.
Dados refletem falta de políticas públicas pós-abolição da escravidão
Para Larissa Neves, pesquisadora do Observatório de Segurança da Bahia da Iniciativa Negra, não é possível dissociar a realidade apresentada pelos dados da herança da escravidão no Brasil.
Após a abolição do período escravocrata no país, em 13 de maio de 1888, o Estado brasileiro não promoveu políticas de inclusão da população negra, o que gerou uma intensa desigualdade social e a delegação dessa população às periferias das cidades.
"O Estado não promoveu políticas de reparação ou acesso à cidadania para a população negra. Ao contrário disso, consolidou mecanismos muito mais de controle social para os territórios e populações negras, substituindo formas explícitas de dominação por outras mediadas pelo sistema penal e também pelas instituições de segurança pública", afirma.
A pesquisadora aponta que, com esses fatores, estabeleceu-se uma estrutura de organização da sociedade baseada em conceitos racistas. Até a contemporaneidade, essa configuração reflete diretamente em quem se torna "alvo" da violência policial.
"A gente está falando de um processo que está ligado ao racismo estrutural que vai organizar historicamente as instituições e definir quais corpos são percebidos como perigosos, suspeitos, elimináveis, matáveis", afirma.
Ainda segundo o estudo, este é o quinto ano consecutivo que a Bahia contabiliza mais de mil mortos por intervenção policial.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) para entender as medidas aplicadas para a redução da letalidade durante ações policiais no estado, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem.
Disputa de facções por território intensifica letalidade policial
Entre os 417 municípios baianos, apenas 12 acumulam metade das vítimas em 2025. Somado a isso, há a intensa atuação de organizações criminosas no estado, onde mais de 20 facções criminosAs disputam o dominínio de territórios.
Para Larissa Neves, pesquisadora do Observatório de Segurança da Bahia da Iniciativa Negra, essas disputas territoriais, aliadas à letalidade policial, colocam os jovens em dupla vulnerabilidade.
"A juventude negra vai ocupar uma posição particularmente muito vulnerável nesse cenário: seja como principal alvo da violência armada [ou] vítima da violência produzida pelas respostas estatais que são baseadas no confronto e na militarização".
Ela enfatiza que o investimento em policiamento ostensivo, armamentos ou viaturas não soluciona a criminalidade ou reduz o número de mortes.
"[Essas medidas] Não têm se traduzido necessariamente em redução da violência letal. Pelo contrário, em muitos contextos, observamos uma intensificação da letalidade policial, especialmente aqui no caso da Bahia", diz.
Para a pesquisadora, é preciso buscar políticas públicas integradas que priorizem a prevenção, a redução da desigualdade e O fortalecimento das redes de proteção social. "Isso vai incluir investimento em educação, cultura, trabalho, saúde mental, assistência social e políticas voltadas para a juventude. Também são fundamentais mecanismos de controle externo da atividade policial: transparência, produção qualificada de dados e também responsabilização em casos de abuso e violência policial", pontua.
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