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Dos estádios à Times Square: 'dinos' brasileiros viram atração na Copa dos Estados Unidos

G1 (Globo)
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Dos estádios à Times Square: 'dinos' brasileiros viram atração na Copa dos Estados Unidos

Dos estádios à Times Square: 'dinos' brasileiros viram atração na Copa dos Estados Unidos
Fantasiados de dinossauro, eles chamam atenção por onde passam. Nos arredores dos estádios, em pontos turísticos e até entre torcedores de outros países, os "dinos" brasileiros viraram atração à parte nos Estados Unidos.
Por trás de uma das fantasias está o médico clínico Wily Aguirre, de 47 anos, morador de Feira de Santana, que embarcou para a sexta Copa do Mundo da vida com um objetivo que se renova a cada quatro anos: ver o Brasil conquistar o hexacampeonato.
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As fantasias acompanham Wily e os amigos desde a Copa da Rússia, em 2018. Desde então, os personagens se transformaram em uma espécie de embaixadores informais da torcida brasileira.
"As pessoas veem a gente e perguntam se somos artistas. Por onde a gente passa, a gente leva um pouco de animação", contou.
Segundo o baiano, a receptividade tem sido grande nos Estados Unidos.
"Elas ficam impressionadas, pedem para tirar foto e perguntam de que país nós somos. Acredito que estamos conquistando torcida para o Brasil graças à simpatia dos dinos."
Além dos jogos, os dinossauros também estão presentes no roteiro turístico do grupo.
"Estamos levando eles para conhecer as praias de Miami, a Filadélfia, a Times Square e Washington. Temos um roteiro cultural aqui nos Estados Unidos também."
Dinos na Copa do Mundo dos Estados Unidos.
Arquivo Pessoal
Wily acompanha Copas do Mundo desde 2002, quando assistiu ao pentacampeonato brasileiro no Japão. Depois disso, esteve nos Mundiais da Alemanha, África do Sul, Brasil, Rússia e Qatar.
Mesmo após mais de duas décadas viajando atrás da Seleção Brasileira, ele garante que a emoção permanece intacta.
"É um sonho de criança sendo realizado. A primeira Copa que lembro foi a de 1986, quando Zico perdeu o pênalti. Eu olhava aquilo e parecia algo inalcançável, que nunca iria viver ao vivo."
"A primeira vez que fui, em 2002, está entre os três momentos mais marcantes da minha vida. Cada vez que a gente entra no estádio e ouve o hino brasileiro sendo tocado, as lágrimas vêm aos olhos. Parece que é a primeira vez que estamos vendo ao vivo".
Para esta edição da Copa, ele comprou ingressos para os jogos entre Brasil e Marrocos, Brasil e Haiti e Equador e Costa do Marfim. Os custos, porém, assustaram.
"Dessa vez fui para três jogos. Gastei 2.600 dólares. Isso é o que gastei para assistir 22 jogos no Qatar."
Brasileiros curtem a Copa do Mundo
Arquivo Pessoal
Segundo o médico, os preços são um dos aspectos que mais chamaram atenção nos Estados Unidos.
"A grandiosidade das coisas impressiona porque os estádios são muito grandes, com capacidades para 70 mil, 80 mil pessoas. Também a mercantilização da Copa. Nunca vi ingressos tão caros. O estacionamento para Brasil e Marrocos está 400 dólares."
O valor elevado fez com que o grupo encurtasse a viagem e desistisse de algumas partidas.
"Estou sem ingressos para Brasil e Escócia porque estão pedindo 1.800 dólares e eu não vou pagar. Vou assistir de fora."
Apesar disso, a confiança na Seleção segue firme.
"A gente sempre cria aquela expectativa. Eu costumo dizer que o brasileiro gosta de se iludir e as esperanças são renovadas a cada Copa. Vai que agora é a hora. Eu gosto de me iludir."
Wily durante jogo na Copa do Mundo do Qatar
Arquivo Pessoal
Wily está acompanhado do pai, Wilson Aguirre, de 74 anos, parceiro de viagens desde a Copa da África do Sul, em 2010.
"Isso para mim é um privilégio, porque eu aprendi a gostar de todos os esportes com o meu pai."
A ligação da família com o Brasil começou antes mesmo do nascimento dele. Equatoriano, Wilson decidiu se mudar para o país em 1971 após se encantar com a seleção tinha acabado de se consagrar tricampeã do mundo.
"A paixão do meu pai pelo futebol é tão grande que ele veio morar no Brasil por causa da Seleção de 70. Ele queria sentir essa energia."
A “delegação” também conta com os amigos Valdeci Uchôa e Paulo Vitor, que está acompanhado da filha Eduarda.
Ao longo dos anos, Wily também tenta não ganhar a fama curiosa de “pé frio” da Seleção Brasileira.
"A questão é que eu não fico até o final da Copa. Em todas eu volto nas oitavas de final. Deixo encaminhado para vencer, mas quando vou assistir às quartas, em casa, o Brasil perde”, se defendeu aos risos.
Em tom de brincadeira, ele diz já ter encontrado a solução para acabar com o jejum brasileiro.
"Eu peço para meus amigos me patrocinarem, mas ninguém quer fazer essa vaquinha. Todo mundo egoísta. Parece que só tenho amigos que torcem para a Argentina."
A promessa é levar Gustavo para a Copa do Mundo
Arquivo Pessoal
Se depender dos planos da família, a tradição está longe de acabar. Pai de Gustavo, de apenas 1 ano, Wily já projeta a próxima Copa do Mundo.
"Meu filho é muito pequeno, mas já avisei para minha esposa que na próxima Copa vamos ter três gerações de Aguirres na Copa do Mundo."
A justificativa, segundo ele, é simples.
"Até porque a primeira palavra que ele falou foi 'gol'. Não tem como não levar ele. Serão três gerações de dinos."
Enquanto seguem chamando atenção nas ruas e nos pontos turísticos americanos, os dinos brasileiros carregam mais do que uma fantasia divertida. Levam consigo histórias de família, amizade e amor pelo futebol que já duram mais de duas décadas e prometem continuar nas próximas Copas.
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