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Acordo EUA e Irã: o que pode dar errado e as perguntas ainda em aberto, segundo especialistas

G1 (Globo)
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Acordo EUA e Irã: o que pode dar errado e as perguntas ainda em aberto, segundo especialistas

AI Summary

A leaked draft memorandum between the United States and Iran contains a 14-point plan featuring a $300 billion investment fund for Iran and the lifting of economic sanctions. The accord, which also provides for access to previously frozen Iranian assets, represents a negotiated path toward ending the conflict, though substantial implementation questions remain.

Progressive: Progressive-leaning outlets frame the agreement as a significant Iranian victory and a necessary end to military conflict, viewing American sanctions relief and financial commitments as the legitimate cost of achieving peace and acknowledging Iran's strategic strength.

Moderate: Centrist outlets focus on factual reporting of the agreement's 14-point framework and financial terms while emphasizing unresolved implementation questions and the practical gaps in the memorandum.

Conservative: Conservative-leaning outlets characterize the deal as appeasement that rewards Iran despite its military losses, arguing that the United States has surrendered its negotiating leverage by providing substantial financial and sanctions concessions.

O acordo foi assinado, mas a atenção já está se voltando para os principais pontos de tensão
Getty Images via BBC
Depois de semanas de negociações, os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo preliminar — mas as atenções estão se voltando agora para os enormes desafios de acabar com a guerra.
Na quarta-feira (17), funcionários de alto escalão dos EUA leram um memorando de entendimento de 14 parágrafos para jornalistas, incluindo a BBC.
O acordo deve ser assinado formalmente na Suíça na sexta-feira (19), abrindo caminho para que um "acordo definitivo" seja alcançado dentro de um "máximo de 60 dias prorrogáveis por consentimento mútuo".
O texto estabelece compromissos para iniciar a retirada do bloqueio naval dos EUA, restaurar a navegação pelo Estreito de Ormuz e negociar a suspensão de "todos os tipos de sanções" contra o Irã. O documento também descreve planos para um fundo de pelo menos US$ 300 bilhões para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã, além de um compromisso renovado de Teerã de não desenvolver uma arma nuclear.
O presidente dos EUA, Donald Trump, alertou que o acordo preliminar "não é final" e afirmou que os EUA podem "voltar a jogar bombas" caso ele fracasse.
O presidente do parlamento do Irã e principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, disse à imprensa estatal que sua desconfiança em relação aos EUA permanece, e que o Irã está "com o dedo no gatilho".
Trump assina acordo inicial com Irã em Versalhes
Confira abaixo as três principais ameaças às negociações de paz, de acordo com especialistas.
1) Ofensiva de Israel no Líbano
Ambos os lados declararam o "encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano", disse o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como um dos principais mediadores, durante o anúncio do acordo inicial.
O acordo divulgado na quarta-feira também inclui explicitamente o Líbano, garantindo sua "integridade territorial e soberania".
No entanto, Israel continuou atacando o Líbano — mesmo após Trump afirmar que o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, deveria ser "mais responsável em relação ao Líbano" na cúpula do G7 na França.
Na quarta-feira, aviões israelenses atingiram a área de Nabatieh al-Fawqa e os arredores de Kfar Tebnit, informou a agência estatal libanesa National News Agency (NNA).
Estima-se que 50 mil casas foram danificadas ou destruídas no Líbano durante a guerra
REUTERS
Além disso, autoridades dos EUA afirmam que, embora o Líbano esteja coberto pelo cessar-fogo, a retirada das forças israelenses do território libanês não é uma condição do acordo. Israel manterá o direito de autodefesa, segundo os EUA.
Mas o Irã afirmou que o fim da guerra no Líbano é uma "parte inseparável do acordo para encerrar a guerra".
O Hezbollah, grupo militante libanês apoiado pelo Irã, faz coro a essa posição. O Irã assegurou a seu aliado que exigirá a retirada completa das tropas israelenses do Líbano na próxima fase das negociações, disse à Reuters o escritório de relações com a imprensa do Hezbollah.
Israel também sinalizou claramente que não se considera vinculado à interpretação iraniana do acordo. O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que as forças israelenses permanecerão em zonas de segurança no Líbano "por tempo indeterminado" e advertiu que "atacarão com força total" se o Irã atacar Israel por causa do Líbano.
Tel Aviv tem sido o "principal sabotador" dos esforços de paz, diz H.A. Hellyer, cientista político do Royal United Services Institute, um centro de estudos do Reino Unido.
"A postura militar agressiva israelense, seja direcionada ao Irã ou conduzida por meio da devastação contínua no Líbano, representa a maior ameaça individual ao progresso diplomático", afirma.
O processo pode entrar em colapso antes que "negociações substanciais sobre a questão nuclear sequer comecem" se Teerã for arrastado para um confronto direto, segundo Hellyer.
O presidente libanês, Joseph Aoun, acolheu o acordo preliminar, dizendo esperar que ele se traduza em "medidas práticas que ponham fim definitivo ao ciclo de violência".
Para o próprio Líbano, as consequências da guerra têm sido devastadoras. Mais de 3,7 mil pessoas morreram, cerca de um milhão foram deslocadas e grandes partes do sul sofreram destruição generalizada.
2) Programa nuclear do Irã
Placa para Natanz, onde está instalação nuclear iraniana
Getty Images via BBC
Outro ponto de atrito é o urânio enriquecido do Irã, embora Trump tenha dito que não há pressa em confiscá-lo.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã havia acumulado cerca de 400 kg de urânio enriquecido a 60% até o ano passado. Para fabricar uma arma nuclear, o nível de enriquecimento necessário é de cerca de 90%.
Teerã tem afirmado consistentemente que seu programa nuclear é pacífico e reiterou no acordo que não buscará desenvolver armas nucleares.
No entanto, as principais questões — incluindo o tratamento do material enriquecido existente — foram deixadas para um acordo final ainda a ser negociado.
Ambos os lados concordaram, em princípio, em decidir como lidar com o material enriquecido armazenado. No mínimo, o urânio será "misturado" — ou seja, reduzido — no local sob supervisão da AIEA.
Pelo acordo nuclear de 2015 negociado pelo presidente Barack Obama, Teerã limitou o enriquecimento a 3,67%. Após a retirada dos EUA do acordo em 2018 — durante o primeiro mandato de Trump — o Irã expandiu significativamente seu programa nuclear.
O presidente provavelmente "reiniciará operações militares" se considerar que o Irã está novamente enriquecendo urânio em nível para fabricação de armas, disse Darin Selnick, ex-subchefe de gabinete do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, à BBC.
Por ora, espera-se que as duas partes mantenham o "status quo" durante o período de negociação de 60 dias: o Irã não ampliará suas atividades nucleares, enquanto os EUA se absterão de impor novas sanções ou aumentar sua presença militar na região.
3) Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz
BBC
O acordo também visa reabrir o estreito de Ormuz, que está paralisado desde fevereiro. Antes da guerra, cerca de 20% do abastecimento global de petróleo e gás passava por essa importante rota marítima.
O texto afirma que a via será reaberta após a assinatura do acordo na sexta-feira, atingindo operações completas dentro de 30 dias, à medida que obstáculos técnicos e de segurança sejam eliminados, incluindo a remoção de minas realizada pelo Irã.
O acordo estabelece que o estreito permanecerá sem cobrança de pedágio por um período inicial de 60 dias, "do Golfo Pérsico ao Mar de Omã e vice-versa". E acrescenta que o Irã manterá negociações com Omã e outros Estados do Golfo sobre a futura administração da via e serviços marítimos, em conformidade com o direito internacional.
Isso abriria a possibilidade para a implementação de taxas no futuro.
Teerã já indicou que deseja um papel maior na gestão do estreito. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, afirma que o país cobrará das embarcações uma taxa de serviço pela passagem. No entanto, não está claro o que essas taxas cobririam.
Pedágios de passagem não são permitidos pelo direito internacional, embora sejam aceitáveis cobranças por serviços específicos.
Ainda assim, o lado americano expressou confiança de que o estreito permanecerá livre de pedágios após as negociações.
Uma autoridade dos EUA afirmou que o Irã pode tentar insistir na sua posição, mas os Estados do Golfo não aceitarão nenhum arranjo que restrinja o acesso gratuito.
Trump disse que o Irã agirá com "bom senso" e não vai impor taxas, já que a medida poderia aumentar o risco de escalada militar. Os EUA também acreditam que os Estados do Golfo "nunca" aceitariam um sistema futuro com cobrança.
Também permanecem questões práticas.
A remoção de minas pode levar "de semanas a meses", disse à BBC o contra-almirante aposentado da Marinha dos EUA Mark Montgomery.
As empresas de navegação provavelmente agirão com cautela até estarem convencidas de que o cessar-fogo será mantido.
"Seria necessário um capitão extremamente corajoso para atravessar o estreito de Ormuz, dado o cenário atual", disse à BBC Verify Martin Kelly, da empresa de gestão de crises EOS Risk Group.
Hellyer adverte, no entanto, que o acordo para encerrar a guerra segue sendo apenas "um memorando de entendimento — um marco para negociação, não uma resolução".
"O trabalho difícil ainda está por começar", diz.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês). ...

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