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Lucy, fóssil de 3,2 milhões de anos, deixa a Etiópia e emociona visitantes em Abu Dhabi

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Lucy, fóssil de 3,2 milhões de anos, deixa a Etiópia e emociona visitantes em Abu Dhabi

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Lucy, fóssil de 3,2 milhões de anos, deixa a Etiópia e emociona visitantes em Abu Dhabi
redes sociais Natural History Museum Abu Dhabi
Há uma galeria especial dentro do Museu de História Natural de Abu Dhabi onde os visitantes diminuem o passo, baixam a voz e, muitas vezes, ficam em silêncio. À sua frente, cuidadosamente iluminado e surpreendentemente pequeno, encontra-se o esqueleto de “Lucy”, uma hominídea de 3,2 milhões de anos.
Talvez mais do que qualquer outro parente antigo dos humanos modernos, Lucy nos desafiou a refletir profundamente sobre o que significa ser humano.
Seus ossos antigos foram descobertos por uma equipe internacional liderada pelo paleoantropólogo americano Donald Johanson na região de Afar, na Etiópia, em 1974. Esse espécime notavelmente completo de Australopithecus afarensis transformou nossa compreensão da história da evolução humana.
A descoberta do esqueleto ocorreu algumas semanas depois que a equipe recebeu um novo ímpeto quando Ato Alemayehu Asfaw, um paleoantropólogo etíope e membro da equipe que mais tarde se tornou diretor do Museu Nacional da Etiópia, encontrou uma mandíbula da mesma espécie.
O esqueleto de Lucy forneceu evidências claras de que a postura e andar eretos antecedeu a expansão do cérebro humano, reformulando narrativas científicas que persistiam há décadas.
Agora no g1
Batizada no mundo ocidental em homenagem à música dos Beatles “Lucy In The Sky With Diamonds”, os integrantes etíopes da equipe a chamaram de Dinknesh (“Você é maravilhosa” em amárico). Desde então, ela tem servido como embaixadora do patrimônio cultural e natural da Etiópia. Mas, embora tenha se tornado um dos fósseis mais celebrados do mundo, pouquíssimas pessoas a tinham visto pessoalmente.
As autoridades etíopes tentaram mudar isso em 2007, trabalhando em parceria com instituições americanas para levar Lucy aos EUA. Mas uma campanha de cientistas que expressaram preocupação com a segurança do espécime esfriou a disposição dos principais museus americanos de colocá-la em exposição. Lucy foi exibida em quatro locais antes de retornar para a Etiópia em 2013.
Quase duas décadas depois, Lucy voltou a viajar para o exterior – desta vez para o Museu de História Natural de Abu Dhabi, do qual um de nós (Peter Kjærgaard) é diretor. Sua visita ocorre em um momento em que não apenas a tecnologia de transporte mudou, mas também a narrativa em torno de todo o campo da paleoantropologia.
Um segredo bem guardado
A mais recente viagem de Lucy para fora de sua terra natal, a Etiópia, foi um segredo bem guardado. Nos meses que antecederam a inauguração do Museu de História Natural de Abu Dhabi, em novembro de 2025, um grupo muito pequeno trabalhou nos bastidores na logística e na segurança do transporte dela, bem como nas delicadas condições ambientais da vitrine que seria seu novo lar temporário.
Uma pequena equipe viajou para Adis Abeba para trabalhar em estreita colaboração com colegas etíopes, incluindo especialistas da Autoridade do Patrimônio da Etiópia e do Museu Nacional da Etiópia. Cada etapa exigia cuidado, confiança e precisão.
Cada osso foi meticulosamente embalado e protegido em malas de viagem especiais com suportes cavados projetados individualmente. Nada foi deixado ao acaso. Nada poderia dar errado.
Lucy chegou em segurança a Abu Dhabi poucos dias antes da inauguração do museu. Ainda em segredo, ela foi mantida em segurança, enquanto eram realizadas as últimas verificações de condições e os trabalhos finais na galeria.
A curadora de Lucy no Museu Nacional da Etiópia, Sahleselasie Melaku, colocou cuidadosamente os frágeis ossos na vitrine. Parecia que todos nós estávamos prendendo a respiração durante todo tempo, enquanto observávamos as peças se transformando gradualmente no contorno icônico de Lucy.
Finalmente, ela estava diante de nós. A decisão da Etiópia de compartilhá-la foi uma forma impactante de celebrar a inauguração de um novo museu em uma região onde tais instituições têm sido historicamente raras.
Temos observado os visitantes se depararem com Lucy não como um objeto científico abstrato, mas como um ser individual. O efeito tem sido impressionante. As pessoas se demoram no local. Elas refletem. Muitas ficam visivelmente comovidas e, com frequência, surpresas ao perceberem que não se trata de uma réplica, mas do fóssil original — um ser que viveu e se movimentou pelo nosso mundo há milhões de anos.
Colaboração, não colonialismo
A jornada de Lucy da Etiópia até Abu Dhabi reflete uma mudança mais ampla na forma como o conhecimento, o patrimônio e a autoridade são compartilhados.
Durante grande parte da história moderna, as descobertas na África eram coletadas, estudadas, interpretadas e exibidas longe de seus locais de origem. Agora, esse modelo está mudando. Cada vez mais as nações africanas estão assumindo o controle sobre seu patrimônio cultural e científico, determinando não apenas como ele é preservado, mas também como é interpretado, compartilhado e exibido.
A presença de Lucy em Abu Dhabi simboliza essa mudança. Ela não foi retirada de seu contexto; ela foi compartilhada por meio da colaboração. Ela continua sendo etíope, e sua nova jornada é definida por uma forte parceria – um modelo que esperamos que construa confiança, fortaleça as instituições tanto nos Emirados Árabes Unidos quanto na Etiópia e abra novos caminhos para a pesquisa e a educação compartilhadas.
Quando o Museu de História Natural do Reino Unido foi inaugurado em Londres em 1881, ele foi visto como um símbolo por excelência da ambição vitoriana, da curiosidade científica e do poder industrial do país. De maneira semelhante, a construção de um Museu de História Natural em Abu Dhabi no século XXI é um símbolo de nacionalidade, identidade global e ambição científica.
O museu nos Emirados Árabes foi projetado do zero para envolver um público moderno em conceitos contemporâneos, como biodiversidade, conservação e impactos humanos. Ele foi inaugurado em um momento de reconhecimento global da necessidade de descolonizar muitos museus ocidentais e incluiu uma coleção rara de fósseis do Mioceno Superior (com 7 a 8 milhões de anos) dos Emirados Árabes Unidos, que foram devolvidos de seu local de permanência de longa data no museu de Londres.
Acreditamos que o futuro da ciência depende não apenas de descobertas, mas também da cooperação — da capacidade de unir regiões, perspectivas e histórias. Lucy está ajudando a fazer isso.
Quando ela retornar a Adis Abeba, neste julho de 2026, levará consigo a marca desse intercâmbio. O que permanecerá em Abu Dhabi será mais do que a lembrança de uma exposição notável. Será um conjunto de relações entre instituições, entre países e entre as pessoas e seu passado compartilhado.
Mark Maslin é vice-reitor adjunto do “UCL Climate Crisis Grand Challenge” e coordenador da área de Clima, Saúde e Segurança na UNU. Ele foi codiretor da Parceria de Formação Doutoral do NERC em Londres e é membro do Grupo Consultivo sobre a Crise Climática. Atua como consultor da Sheep Included Ltd, da Lansons e da NetZeroNow, além de já ter prestado consultoria ao Parlamento do Reino Unido. Recebeu financiamento do NERC, EPSRC, ESRC, DFG, Royal Society, DIFD, BEIS, DECC, FCO, Innovate UK, Carbon Trust, Agência Espacial do Reino Unido, Agência Espacial Europeia, Research England, Wellcome Trust, Leverhulme Trust, CIFF, Sprint2020 e British Council. Recebeu financiamento da BBC, da Lancet, da Laithwaites, da Seventh Generation, do Channel 4, da JLT Re, da WWF, da Hermes, da CAFOD, da HP, do Royal Institute of Chartered Surveyors, da John Templeton Foundation, da The Nand & Jeet Khemka Foundation e da Quadrature Climate Foundation.
Peter C. Kjærgaard não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico. ...

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