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O que se sabe sobre o programa nuclear iraniano, o ponto mais delicado do acordo de paz entre Irã e EUA

G1 (Globo)
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O que se sabe sobre o programa nuclear iraniano, o ponto mais delicado do acordo de paz entre Irã e EUA

AI Summary

The US Defense Department has requested approximately $80-103 billion from Congress to cover expenses from military operations in Iran and other defense costs. This comes after the US and Iran reached a peace agreement, though significant issues including Iran's nuclear weapons program and regional security concerns remain to be negotiated. The accord has raised questions among analysts about the adequacy of American negotiating leverage and whether critical issues such as human rights protections and Iran's economic reintegration can be properly addressed in ongoing diplomatic talks.

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EUA e Irã assinam oficialmente o acordo de trégua
Entre os diversos pontos ainda em aberto nas negociações entre EUA e Irã para um acordo de paz definitivo, o programa nuclear iraniano é certamente o mais delicado.
O presidente dos EUA, Donald Trump, passou anos criticando o acordo com Teerã assinado pelo seu antecessor, Barack Obama, que limitava sensivelmente a capacidade nuclear do Irã.
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Agora, porém, após uma guerra que falhou em derrubar o regime dos aiatolás e mostrou a capacidade dos iranianos de manter o Estreito de Ormuz fechado e afetar a economia mundial, o governo Trump pode estar numa posição mais fraca para negociar termos mais favoráveis aos EUA.
➡️Nesta semana, EUA e Irã assinaram um "memorando de entendimento", que é um acordo inicial de paz, com 14 pontos. O documento inclui garantias de que Teerã nunca terá armas nucleares, a suspensão de sanções norte-americanas contra o país e uma compensação financeira ao governo iraniano. O texto estabelece um prazo de 60 dias em regime de cessar-fogo para a discussão dos detalhes do acordo definitivo — se as partes não chegarem a um acordo, o prazo se estende por mais 60 dias.
Mas o que é o programa nuclear iraniano, e por que ele preocupa países do Ocidente, como EUA e Israel?
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, mostra assinatura em memorando de entendimento com os EUA, em 18 de junho de 2026
Gabinete Presidencial do irã via AP
O programa nuclear
O Irã mantém há décadas um programa de pesquisa e desenvolvimento nuclear, iniciado durante a ditadura do xá Reza Pahlavi. O regime dos aiatolás, que assumiu o país após a Revolução de 1979, retomou o projeto por volta dos anos 1990.
Segundo Teerã, o programa tem fins pacíficos. A comunidade internacional desconfia dessa afirmação, porém: no início dos anos 2000, foram descobertas instalações secretas relativas ao programa.
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) publicou um relatório em 2011 dizendo que existem "informações confiáveis" de que o Irã realizou atividades relacionadas ao desenvolvimento de um artefato nuclear explosivo, como parte de um "programa estruturado" antes de 2003.
Um dos indícios é o nível máximo de enriquecimento de urânio com o qual o país trabalha, próximo de 60%. Embora haja aplicações em pesquisa e na medicina, o uso do elemento para fins energéticos necessita de um teor de enriquecimento muito mais baixo, inferior a 4%.
O Irã é signatário desde 1970, durante o regime Pahlavi, do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Especula-se que o Irã tenha outro motivo para desenvolver um programa nuclear bélico: Israel, que não é signatário do tratado, possui um programa nuclear secreto, baseado nas instalações de Dimona, no deserto do Negev, e que conta com bombas atômicas há décadas.
Israel trata o tema com "ambiguidade deliberada", estratégia de não negar nem desmentir sua existência. Como não é signatário de nenhum acordo na área, o país não permite inspeções da AIEA, apesar de pressões da comunidade internacional.
Foto de 5 de novembro de 2019 pela Organização de Energia Atômica do Irã mostra centrífugas na instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no centro do Irã
Organização de Energia Atômica do Irã via AP
O Irã, que tem em Israel seu maior inimigo regional, teria interesse em desenvolver um arsenal como forma de dissuadir ataques das forças israelenses contra si.
Caso Teerã mantenha o programa, o temor de EUA e Israel, e do Ocidente em geral, é que o país atinja a chamada "capacidade de ruptura" ("breakout capability"): acumular conhecimento, material e infraestrutura suficientes para produzir uma bomba nuclear em pouco tempo caso tome essa decisão política.
Material e instalações
Só existe uma usina nuclear comercial ativa no território iraniano atualmente, o complexo de Bushehr, construído com tecnologia e assistência russas. Uma outra instalação, Arak, foi desativada em cumprimento ao acordo nuclear de 2015, costurado entre Teerã e EUA durante o governo de Barack Obama (leia mais abaixo).
Após a retirada unilateral do acordo pelos EUA, durante o governo Trump, o Irã reativou instalações e centrífugas para o enriquecimento de urânio, particularmente em Natanz e em Fordow — esta última, bombardeada pelos EUA em 2025 durante a Guerra dos 12 Dias entre israelenses e iranianos.
Atualmente, a AIEA estima que o Irã tenha 11 toneladas de urânio em estoque (11 vezes maior do que quando Trump se retirou do acordo), cerca de 410 kg dos quais, pelo menos, enriquecido a 60%.
Entenda como funciona o enriquecimento de urânio
Imagem de satélite mostra uma visão geral da instalação nuclear iraniana de Natanz, ao sul da capital, Teerã
Maxar Technologies/AFP
Acordo de Obama
Depois de anos de negociações, o governo Obama e o regime dos aiatolás chegaram a um acordo em 2015 para impor limitações severas ao programa nuclear iraniano.
Oficialmente chamado de Plano de Ação Conjunto e Completo (JCOPA), tinha como objetivo principal garantir que o programa nuclear do Irã fosse exclusivamente pacífico, em troca do fim das sanções internacionais. As principais cláusulas eram:
A redução de cerca de 19 mil para 5.060 centrífugas de primeira geração por 10 anos.
A exigência de um enriquecimento de urânio máximo de 3,67% por 15 anos.
Redução de 98% do estoque de urânio enriquecido, mantendo apenas 300 kg por 15 anos.
Proibição de enriquecer urânio em Fordow, onde 1.000 centrífugas poderiam operar somente para fins de pesquisa (na prática, o programa ficaria quase totalmente concentrado em Natanz).
A desativação permanente do reator nuclear de Arak, capaz de produzir plutônio, que pode ser empregado para fins militares.
Compromisso de submeter o programa a rigorosas inspeções da AIEA, que poderia fiscalizar o parque de centrífugas durante 20 anos e a produção de concentrado de urânio ("yellow cake") durante 25 anos.
Em troca disso, o Irã ganharia o levantamento da maioria das sanções comerciais e a anulação de seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
As sanções e resoluções motivadas pelo programa de mísseis balísticos continuariam valendo. Abusos dos direitos humanos, apoio a organizações terroristas, como o Hezbollah e os houthis e supostas atividades de desestabilização no Oriente Médio, no entendimento do Ocidente, continuariam também sendo motivos para sanções.
O acordo foi assinado em Viena em 14 de julho de 2015 entre o Irã e o chamado grupo P5+1 (EUA, Rússia, China, Reino Unido, França + Alemanha).
Centrífugas de enriquecimento de urânio na usina de Natanz, no Irã.
IRIB via AP, File
Um novo acordo?
Desde o momento de sua assinatura, Donald Trump e senadores republicanos que se tornariam trumpistas criticaram duramente o acordo costurado por Obama, considerando-o leniente demais com o programa iraniano. Israel também foi contra o documento.
Trump assumiu a Casa Branca pela primeira vez em 2017 e, em 8 de maio de 2018, determinou a retirada unilateral dos EUA do acordo e a retomada imediata das sanções.
O Irã respondeu com a retomada do seu programa multiplicando por 10 o seu estoque de urânio enriquecido desde então. A usina de Arak segue desativada.
Depois de anos de críticas ferrenhas ao acordo de Obama, Trump tem agora o desafio de negociar um texto ainda mais restritivo do que o acordado por seu antecessor.
O republicano já deu sinais de mudança em seu tom. Nesta semana, ele contemporizou o programa de mísseis balísticos de Teerã, que causaram danos severos a instalações militares americanas na região e atingiram bairros em Tel Aviv e Haifa, entre março e abril.
Agora, Trump diz que "não seria justo" proibir que o Irã desenvolva mísseis balísticos enquanto outros países da região não fossem submetidos a restrições semelhantes.

O que diz o 'memorando de entendimento'
No memorando assinado na quarta (17), o Irã reafirma que não vai adquirir nem desenvolver armas nucleares, enquanto os EUA concordam em resolver a questão do estoque de urânio enriquecido iraniano por meio de um mecanismo a ser definido de comum acordo.
A tarefa de Donald Trump de negociar uma solução para o impasse, porém, não será nada fácil. Analistas avaliam que o Irã emerge da guerra com maior poder de barganha, após demonstrar que o regime dos aiatolás é mais resiliente do que muitos pensavam. ...

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