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Flávio Bolsonaro dedicou a maior parte da vida à política e segue passos do pai ao se candidatar à Presidência

G1 (Globo)
Flávio Bolsonaro dedicou a maior parte da vida à política e segue passos do pai ao se candidatar à Presidência

ONP Summary

Flavio Bolsonaro secured the Liberal Party's presidential candidacy in Brazil amid controversy over his past associations with high-profile prostitutes, challenging his father Jair Bolsonaro's electoral appeal. Progressive outlets highlight Flavio's struggles to gain evangelical trust due to his multiple baptismal experiences, contrasting with conservative outlets emphasizing his confirmation as the party's choice am

Progressive:Progressive outlets frame Flavio Bolsonaro's candidacy as fragile due to internal party resistance from evangelical voters who question his moral standing after multiple religious baptisms.

Moderate:Moderate outlets focus on the procedural aspect, noting Flavio Bolsonaro's confirmation as the candidate while discussing legal challenges regarding the presidential visit ban imposed by the Supreme Federal Tribunal.

Conservative:Conservative outlets highlight Flavio Bolsonaro's successful nomination as the Liberal Party candidate, downplaying internal party dissent and emphasizing his legal defense against electoral visit restrictions.

Senador Flávio Bolsonaro vai disputar sua primeira eleição presidencial
Vittor Sales
Flávio Nantes Bolsonaro tem 45 anos, é advogado e empresário e dedicou mais da metade de seu tempo de vida à política. Elegeu-se pela primeira vez aos 21, como deputado estadual no Rio de Janeiro.
Neste sábado (25), foi confirmado como candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), durante convenção em São Paulo.
Nascido em 30 de abril de 1981, em Resende, no Rio de Janeiro, é o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro com a publicitária Rogéria Nantes. A posição de primogênito lhe rendeu o apelido de "01", inspirado na tradição militar.
O senador já contou em entrevistas que o codinome foi adotado pelo pai como uma forma prática de identificar os filhos. À época, Jair era pai de Flávio, Carlos e Eduardo Bolsonaro. Mais tarde, teve outros dois filhos, em casamentos diferentes: Renan e Laura. A única menina é filha de Michelle Bolsonaro.
Flávio e os irmãos Carlos e Eduardo cresceram em um condomínio na Vila Isabel, zona norte do Rio. Tiveram uma vida de classe média, estudaram em escolas particulares e costumavam surfar na praia da Barra da Tijuca, uma das preferidas de Flávio. Nenhum seguiu os passos do pai na carreira militar.
Flávio foi eleito pela primeira vez em 2002, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Àquela altura, Jair Bolsonaro já acumulava mais de uma década como deputado federal.
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O senador já afirmou em entrevistas que, na juventude, não pretendia seguir carreira na política. Vinte e quatro anos depois de estrear na vida pública, no entanto, tenta repetir a trajetória do pai ao disputar a Presidência da República.
O parlamentar confirma sua candidatura presidencial sem o apoio formal de partidos que foram aliados no governo do pai. A federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, indicou até o momento que permanecerá neutra na disputa e não fará aliança com o PL.
A principal aposta da campanha agora é fechar um acordo com o Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A dificuldade para ampliar a coalizão remete à campanha de Jair Bolsonaro em 2018, quando o então candidato do PSL também disputou a Presidência sem o respaldo de legendas mais tradicionais. A diferença é que, desta vez, o apoio dessas siglas era tratado pelo entorno de Flávio como estratégico para fortalecer sua candidatura.
Na convenção do PSL, Bolsonaro disse que o Centrão era "o que há de pior no Brasil". Foi eleito com um discurso antipolítica. Anos depois, Bolsonaro contou com a parceria das principais figuras desse espectro político para garantir governabilidade. Entre elas, o senador Ciro Nogueira, presidente nacional do PP e ex-ministro da Casa Civil.
Candidato escolhido pelo pai
Flávio anunciou a pré-candidatura em dezembro de 2025, após visitar o pai na prisão. A decisão foi articulada pelo próprio senador, pelo ex-presidente e pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. Nos bastidores, a escolha enfrentou resistência entre lideranças de outros partidos da direita, que viam em Tarcísio de Freitas uma opção mais competitiva para enfrentar o presidente Lula (PT).
Após anunciar que seria candidato, apresentou-se como uma versão moderada do pai. "Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado. Eu sempre fui assim, eu sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado, centrado", afirmou a empresários em dezembro.
Nas últimas semanas, porém, endureceu o discurso nas críticas ao STF, após ser proibido de visitar o pai por 90 dias pelo ministro Alexandre de Moraes.
Na última semana, em reunião com diplomatas em Brasília, Flávio repetiu informações falsas sobre as urnas eletrônicas, já desmentidas pelo TSE.
O episódio lembrou a reunião de 2022 em que o pai lançou suspeitas infundadas sobre o sistema de votação, sem apresentar provas. Por causa desse encontro com embaixadores, Jair Bolsonaro foi condenado por abuso de poder e ficou inelegível.
O ex-presidente Jair Bolsonaro e os três filhos: Carlos, Flávio e Eduardo
Reprodução
Carreira política no RJ e em Brasília
O senador cursou o ensino médio na Escola Técnica Rezende Rammel, no Rio, onde frequentou curso técnico em eletrônica. Depois, formou-se em Direito pela Universidade Candido Mendes.
Na política, desde seu primeiro mandato, o "01" apostou em pautas ligadas à segurança pública e ao conservadorismo como principais bandeiras. Foi deputado estadual por quatro mandatos seguidos.
Em 2014, propôs na Alerj um projeto para criar o Programa Escola Sem Partido, sem sucesso. Dois anos depois, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro e terminou em quarto lugar.
Anos antes, em 2007, fez um discurso na Alerj em que criticou o que chamou de estigmatização das milícias. "A milícia nada mais é do que um conjunto de policiais, militares ou não, regidos por uma certa hierarquia e disciplina, buscando, sem dúvida, expurgar do seio da comunidade o que há de pior: os criminosos", disse na ocasião. "Em todas essas milícias sempre há um, dois, três policiais que são da comunidade e contam com a ajuda de outros colegas de farda para somar forças e tentar garantir o mínimo de segurança nos locais onde moram. Há uma série de benefícios nisso."
Em 2024, durante entrevista ao jornal "Folha de S.Paulo", foi perguntado sobre a declaração e disse o seguinte:
"Naquela época, como eu sempre tive uma atuação de defesa dos policiais, eu estou falando de 2005, 2006, qualquer prédio que tinha três PMs e que não deixavam vender maconha na porta do seu prédio era considerado milícia. No contexto que estava surgindo aquilo tudo é que eu tinha uma determinada postura. É óbvio, é óbvio que hoje o miliciano é equivalente a um traficante de drogas. [...] Eu não defendo milícia, nunca defendi que haja um poder paralelo para extorquir trabalhador em comunidades carentes".
Já no Senado, em 2023, durante as discussões sobre um projeto de lei que propunha tipificar atos do crime organizado como terroristas, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Flávio sugeriu que a palavra "milícia", presente no texto, passasse a ser usada apenas quando associada à imposição de algum serviço — como internet ou distribuição de gás — mediante ameaça, enquanto o termo "esquadrão" trataria de grupos de extermínio.
Flávio chegou ao Senado em 2018, mesmo ano em que o pai virou presidente. Eleito com mais de 4,3 milhões de votos, tornou-se uma das principais vozes em defesa do governo Bolsonaro e também da direita.
O senador é apontado por aliados como o principal herdeiro do capital político de Jair Bolsonaro, embora essa condição seja alvo de disputas dentro da própria família.
O projeto presidencial sofreu uma turbulência nos últimos meses com o caso "Dark Horse", em que apareceu em diálogos pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, e após Michelle Bolsonaro expor desavenças e um racha na família. A trégua entre madrasta e enteado, selada nesta semana, traz a expectativa de colocar a campanha em um novo momento a partir da convenção.
Rachadinhas e compra de mansão
Flávio foi investigado e denunciado pelo Ministério Público em 2020, acusado de comandar um esquema de rachadinhas para desviar salários de funcionários quando era deputado no RJ e lavar o dinheiro com a compra de imóveis e por meio de uma loja de chocolates.
O inquérito começou após a identificação de movimentações financeiras atípicas na conta de Fabrício Queiroz, seu ex-assessor. As provas do caso foram anuladas depois, porque tribunais decidiram que ele tinha direito a foro privilegiado, por ser parlamentar.
Quando era investigado, o senador comprou uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília e financiou parte do valor com o Banco de Brasília (BRB). Flávio diz que o negócio foi legal e que adquiriu o imóvel com recursos próprios. Documentos apresentados pelo banco em 2024 apontaram que o empréstimo já foi quitado pelo parlamentar, 27 anos antes do previsto.
Além de atuar na política, Flávio é empresário. Entre 2015 e 2021, teve uma franquia da marca de chocolates Kopenhagen, no Shopping Via Parque, na Barra da Tijuca. A loja tornou-se alvo de investigações do Ministério Público por suspeita de ter sido utilizada em um esquema de lavagem de dinheiro das rachadinhas, no inquérito que teve as provas anuladas.
O senador é casado com Fernanda Bolsonaro há 15 anos e tem duas filhas: Luiza, de 12 anos, e Carolina, de 14. ...

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