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Urnas fecham na Colômbia; candidato de Petro e 'outsider' apoiado por Trump disputam presidência

G1 (Globo)
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Urnas fecham na Colômbia; candidato de Petro e 'outsider' apoiado por Trump disputam presidência

AI Summary

On June 21, Colombians voted in a presidential runoff between far-right lawyer Abelardo de la Espriella, backed by the Trump administration, and leftist senator Iván Cepeda. The election outcome is expected to reshape Colombia's approach to its decades-long armed conflict and signal the country's political direction in a region increasingly dominated by right-wing governments.

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Eleições na Colômbia: 2º turno com disputa entre candidato de Petro e apoiado por Trump
As urnas fecharam neste domingo (21) no 2º turno as eleições presidenciais na Colômbia, e a autoridade eleitoral do país iniciou a apuração. O pleito definirá os rumos do país latino-americano pelos próximos quatro anos: a continuidade de um governo de esquerda, com Iván Cepeda, ou uma guinada à direita, com Abelardo de la Espriella.
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A votação se encerrou às 18h no horário de Brasília, segundo a agência de notícias AFP. Até a última atualização desta reportagem ainda não haviam sido publicadas pesquisas de boca de urna para apontar os rumos da votação.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), autoridade eleitoral máxima do país, ainda não havia se pronunciado de forma oficial sobre a votação, porém afirmou mais cedo neste domingo que a Colômbia tem "a democracia mais forte do mundo", e que o pleito contou com espectadores internacionais, como representantes da OEA e da União Europeia, e jornalistas estrangeiros.
A eleição se tornou uma "queda de braço" entre o atual presidente do país, Gustavo Petro, e o presidente dos EUA, Donald Trump. Cepeda é candidato apoiado por Petro, enquanto o ultradireitista Espriella teve apoio declarado do líder norte-americano. Leia mais abaixo.
O resultado da eleição pode cimentar a onda de governos da direita na América Latina. Isso porque Espriella liderava as pesquisas de intenção de voto antes do 2º turno da eleição e pode se juntar a diversos países latino-americanos que elegeram governos direitistas nos últimos anos, como no Chile, com Jorge Kast, e a Bolívia, com Rodrigo Paz.
Após polêmica no 1º turno, o presidente Petro afirmou neste domingo após votar que respeitará o resultado das eleições, assim como Cepeda. O candidato esquerdista disse também que sua equipe fará uma "supervisão muito clara, rigorosa e minuciosa" da apuração.
Apoiador de Aberlardo de la Espriella vota durante 2º turno das eleições presidenciais, em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026.
Jair Coll/ Reuters
'Queda de braço' entre esquerda e direita
A atual eleição presidencial é apontada pela imprensa colombiana como o mais antagônico da história recente do país:
Já Cepeda, filósofo de 63 anos e senador veterano defensor dos direitos humanos, promete dar continuidade ao projeto político de Gustavo Petro. No primeiro turno, ele explorou os avanços sociais do atual governo, fator-chave para alçá-lo como favorito nas primeiras pesquisas de intenção de voto. No entanto, o candidato de Petro também herdou o desgaste da gestão de Petro por dificuldades no combate ao crime organizado.
O esquerdista Iván Cepeda, candidato à presidência da Colômbia, vota no 2º turno das eleições presidenciais, em Bogotá, na Colômbia, em 21 de junho de 2026.
Sergio Acero/ Reuters
Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, apresenta-se como um "salvador anti-establishment" e repete promessas de campanha de nomes da extrema direita da América Latina. Ele venceu o primeiro turno com propostas linha-dura para combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo. Ele também é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é republicano registrado;
Leia mais sobre os projetos dos dois candidatos para a Colômbia.
👉 Foi justamente esse ponto que fez Espriella disparar no primeiro turno das eleições. Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões.
“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella.
O candidato à presidência da Colômbia Abelardo de la Espriella, de extrema direita, mostra sua cédula de votação durante 2º turno das eleições presidenciais do país, em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026.
Ivan Valencia/AP
Cepeda apostou no caminho contrário: disse que quer continuar as negociações de paz com os grupos armados que lutam contra o Estado há décadas — na sexta-feira (19), para impulsionar a promessa, o governo da Colômbia divulgou a entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros após tratativas com a gestão de Petro.
Mas foi o discurso do candidato da extrema direita que mais ecoou no eleitorado no primeiro turno. Pesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia - fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego.
Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.
“A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno”, disse o analista político Eduardo Pizarro à Reuters.
Pizarro afirma que a percepção de insegurança aumentou nas cidades, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos. Ao mesmo tempo, a expansão de grupos armados em áreas rurais afetou mais civis.
Cepeda havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno. Por isso, a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu tanto que Petro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Iván Cepeda.
Temor de contestação e violência nas ruas
Eleições na Colômbia: Abelardo de la Espriella (à esquerda) e Ivan Cepedo (à direita)
Reuters
A contestação aumentou as tensões e alimentou temores de que o governo Petro reivindique os resultados no caso de uma vitória de Espriella. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu neste domingo que todas as partes respeitem um resultado.
Autoridades temem que a contestação por uma das partes dos resultados incentivem protestos nas ruas e aumentem episódios de violência que ocorreram durante o processo eleitoral. No ano passado, o candidato da direita à presidência, Miguel Uribe, um dos favoritos em pesquisas de intenção de voto até então, foi assassinado durante um comício.
Direita na América Latina
Homem segura adesivos com imagens dos dois candidatos à presidência no segundo turno da Colômbia, imitando figurinhas da Copa do Mundo, em 4 de junho de 2026.
Jose Vargas/ Reuters
Caso De la Espriella vença, a onda que levou outros líderes de extrema direita à vitória na América Latina conquistaria seu maior triunfo até agora, isolando governos de esquerda na região e redesenhando as alianças geopolíticas do continente.
O resultado pode respaldar um movimento que tem, entre seus principais representantes, Nayib Bukele, em El Salvador, Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile.
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