Pará tem maior número de mortes por intervenção policial desde 2019, aponta estudo; governo diz que estado registra 'redução contínua de criminalidade'

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Violência policial.
Arte/G1
O Pará registrou 632 mortes por intervenção policial em 2025, 35 a mais do que no ano anterior, segundo o estudo "Pele Alvo", produzido pela "Rede de Observatórios da Segurança" e divulgado nesta quarta-feira (1º).
Segundo o estudo, no ano em que Belém sediou a COP 30, a letalidade policial no estado atingiu o maior patamar da série histórica, que começou em 2019. Na capital paraense, foram contabilizadas 99 mortes, o maior número absoluto entre os municípios do estado.
Por outro lado, o Governo estadual alega que o Pará registra "redução contínua nos principais indicadores de criminalidade, mantendo como prioridade o enfrentamento à violência e a redução da letalidade policial".
🔎 Em nota, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) do Pará informou ao g1 que os policiais usam câmeras corporais, drones táticos e pistolas não letais, "para maior segurança de todos" e são continuamente capacitados com "qualificação técnica e psicológica para eficácia das ações".
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Entre os casos com informação de raça ou cor informados no estudo, 516 vítimas eram pretas ou pardas, conforme critério adotado pelo IBGE. O estado registrou ainda a segunda maior taxa de mortes de pessoas negras (pretas ou pardas) entre os estados monitorados, com oito mortes por 100 mil habitantes, atrás apenas da Bahia.
O levantamento do "Pele Alvo" reúne dados das secretarias de segurança pública estaduais obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) em nove estados: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
As informações passam por validação, para identificar eventuais inconsistências. Os pesquisadores adotam o critério do IBGE para definir a população negra como o somatório de "pretos" e "pardos".
Os dados também indicam um perfil predominante das vítimas: 418 vítimas estavam na faixa de 12 a 29 anos e 244 pessoas não tinham o ensino fundamental completo.
A Polícia Militar foi responsável por 89,7% das mortes registradas no estado. O estudo também aponta que houve 19 homicídios cometidos por agentes do Estado fora de situações de confronto.
Há ainda concentração geográfica dos casos. Os municípios de Belém, Ananindeua e Marituba somam, juntos, 193 vítimas.
Polícia Militar do Pará
Elton Pereira/Tv Tapajós
Segundo a publicação, o cenário evidencia o caráter seletivo da violência policial e reforça desigualdades raciais. A sétima edição do estudo mantém o objetivo de ampliar o debate sobre letalidade policial e denunciar impactos desproporcionais sobre a população negra.
O estudo diz que apesar de investimentos em políticas públicas, como as Usinas da Paz, permanece no Pará práticas de policiamento militarizado e confrontos armados. "A Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup) destaca, por outro lado, a redução nos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) em áreas atendidas pelo programa Territórios pela Paz", informou a publicação.
Cenário nacional
Nos nove estados analisados, 2025 registrou 4.330 mortes decorrentes de intervenção policial, um aumento de 6,4% em relação a 2024 e o maior número da série recente.
Desconsiderando os casos sem informação de raça ou cor, 86,3% das vítimas eram negras, totalizando 3.104 pessoas.
Ceará (200), Maranhão (142), Pará (632) e São Paulo (834) apresentaram os maiores números de mortes desde 2019.
Já o governo do Pará alega que houve redução da letalidade policial. A Segup compara dados de 2025 com 2018, antes de o estudo começar a ser feito, e diz que o comparativo entre esses dois anos apresenta "redução de 7,6% nas Mortes por Intervenção Legal de Agentes do Estado (MILAE).
Agora no g1
Redução da criminalidade letal
O governo do Pará divulgou também nesta quarta-feira (1º) dados apontando para redução da criminalidade no estado, sendo de 61% se comparado o primeiro semestre de 2018 com o primeiro semestre de 2026.
"Entre janeiro e junho deste ano, o Pará registrou 836 casos de Crimes Violentos Letais Intencionais. Quando comparado ao primeiro semestre de 2018, que registrou 2.153 casos, a queda chega a 61,17%", informou o governo.
Além disso, ainda de acordo com a Segup, o Pará teve o mês de junho com o menor número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) dos últimos 16 anos.
O governo do Pará atribuiu a redução aos investimentos feitos nos últimos anos, incluindo "novas viaturas, armamentos, munições, embarcações rápidas, implantação de Bases Fluviais Integradas, ampliação dos equipamentos tecnológicos e sistemas de monitoramento inteligente".
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