Quadrilha junina com quase 50 anos de história na Bahia cria escola e forma talentos para manter tradição

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Quadrilha junina cria escola e forma talentos para manter tradição na Bahia
Com 49 anos de história, a quadrilha junina Remelexo Cearense, da cidade de Barreiras, no oeste da Bahia, se tornou uma escola para criação de talentos na tradição junina. Uma das quadrilhas mais tradicionais da região e vencedora de uma série de títulos regionais, a Remelexo Cearense se tornou uma associação cultural cujo compromisso ultrapassou as competições.
Ao g1, o atual presidente da quadrilha junina, Everton Lucas de Souza, contou que a história do grupo se mistura com a própria família e o desenvolvimento da região. O projeto nasceu no bairro Vila dos Funcionários, originado da reunião de uma série de trabalhadores da construção civil que se alocaram na região durante a construção da rodovia que liga a Bahia a Brasília.
"Foi fundada através do quarto Batalhão de Engenharia e Construção que veio da cidade de Crato, no Ceará, para Barreiras para ajudar nessa construção da BR. Aí vieram os meus avós, avós de tios e conhecidos", relembra.
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Os pais de Everton e os demais trabalhadores se estabeleceram no bairro que, até hoje, é chamado de Vila dos Funcionários. A localidade conhecida como um pedacinho do Ceará na Bahia é considerada um patrimônio cultural do município e marca um momento de grande desenvolvimento na região.
Quadrilha junina com quase 50 anos de história cria escola e forma talentos para manter tradição no oeste da Bahia
Remelexo Cearense
Foi pensando na cultura de quadrilhas juninas do estado nordestino que a mãe de Everton, Antônia Lucia de Souza, decidiu montar um quadrilha junina com outros adultos da cidade. Inicialmente, os encontros aconteciam por intermédio da Igreja Nossa Senhora das Graças, mas a atuação do grupo extrapolou os muros do templo religioso.
💃🏾 Da Remeleixão ao Remelexinho
Desde pequeno, Everton participa das atividades e, assim como a mãe, passou a dançar e amar as quadrilhas juninas. Foi a partir dessa cultura familiar que ele repensou a atuação do projeto.
Após os anos da pandemia de Covid-19, quando o grupo precisou suspender a atuação devido às regras de isolamento social, ele percebeu que a tradição das quadrilhas estava enfraquecida. Com isso, decidiu usar a estrutura e alcance da Remelexo Cearense para semear essa cultura.
"A gente permanece viva até hoje graças a essa tradição de passar de pai para filho. Chegou um certo tempo que só tinha [espaço] para adulto, aí o pessoal estava ficando idoso e resolveram criar a Remeleixão. E para os filhos não tinha nenhuma junina, aí com o passar do tempo criaram a Remelexinho Cearense".
Atualmente, o grupo atende cerca de 40 crianças que aprendem a dançar durante todo o ano e, no São João, treinam os enredos tradicionais da junina para o período. As crianças têm idades entre 6 e 14 anos, E participam de aulas gratuitas na associação duas vezes por semana.
Everton Souza com a mãe e as crianças da Remelexinho Cearense.
Remelexo Cearense
Apesar de ainda competirem oficialmente, as crianças da Remelexinho Cearense já são convidadas para abrir eventos juninos em diversas cidades da região.
"A gente está tendo muito convite. Vamos fazer duas apresentações fora da cidade: a abertura do concurso regional de Quadrilhas Juninas aqui do Oeste, organizado pela União de Quadrilhas Juninas. Vai ser em São Desidério, dia 20 de junho. E também vamos fazer outra apresentação em uma cidade próxima daqui, a Angical", conta Everton.
Das roupas usadas nas apresentações às coreografias, todo o trabalho construído na associação é feito com a ajuda da comunidade e patrocinadores locais. Para o presidente da Remelexo Cearense, essa força coletiva e a passagem dos conhecimentos tradicionais para as crianças são caminhos para fortalecer a tradição das quadrilhas na Bahia.
"A importância maior do que a gente está fazendo é trazer isso para dentro das crianças. Acho que quem pode manter isso vivo [são elas] — eu sou um exemplo claro disso, minha mãe passou isso para mim e eu estou passando isso para os meus filhos e espero estar passando isso para as crianças da Remelixinho".
Quadrilha junina com quase 50 anos de história cria escola e forma talentos para manter tradição no oeste da Bahia
Remelexo Cearense
Competição e valorização na Bahia
Conforme a Federação Baiana de Quadrilhas Juninas, em média 100 quadrilhas juninas estão divididas por todo o estado. Neste ano, o XVII Campeonato Estadual de Quadrilhas Juninas reúne 60 quadrilhas no bairro de Periperi, em Salvador. A Remelexo Cearense não está entre elas, já que o grupo agora está focado na formação das crianças.
A competição, considerada uma das maiores do estado, é uma ferramenta essencial para a celebração da tradição, um dos elementos centrais do período em todo o Nordeste.
'Luar do Recôncavo' venceu campeonato de quadrilhas juninas em Salvador em 2025.
Sufotur
As apresentações foram realizadas até domingo (14), das 10h às 21h, na Praça da Revolução, como parte do calendário junino oficial da capital.
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