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EUA voltam a atacar o Irã; presidente do parlamento iraniano diz que 'a era dos acordos acabou'

G1 (Globo)
EUA voltam a atacar o Irã; presidente do parlamento iraniano diz que 'a era dos acordos acabou'

Casa Branca quer que Irã se comprometa publicamente a não atacar navios em Ormuz
Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã neste domingo (12), após uma escalada de ofensivas iniciada com um ataque iraniano contra um navio de contêineres no Estreito de Ormuz, que deixou a embarcação em chamas e um tripulante desaparecido.
Em resposta à ação iraniana, Washington lançou uma primeira ofensiva contra alvos no país. Teerã reagiu com ataques contra Bahrein, Kuwait, Catar, Jordânia e Omã - países da região que abrigam instalações militares americanas ou têm papel estratégico no tráfego marítimo.
Mais tarde, os Estados Unidos voltaram a atacar o Irã, atingindo sistemas de mísseis, defesas aéreas e embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo uma autoridade americana.
Entenda a sequência de ataques
Um funcionário americano afirmou que os ataques tiveram como alvo sistemas de mísseis, defesas aéreas e embarcações da Guarda Revolucionária Islâmica, força paramilitar ligada ao governo iraniano, em diferentes locais.
A fonte falou sob condição de anonimato porque não tinha autorização para divulgar publicamente detalhes das operações militares.
O Irã e os Estados Unidos estão próximos da metade do período de 60 dias estabelecido por um acordo provisório que busca levar a um fim definitivo da guerra. O Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o fornecimento global de petróleo e gás natural e considerado há décadas uma via marítima internacional, se tornou um dos principais pontos de tensão nas negociações, que agora correm risco de fracassar.
“Um retorno a hostilidades em larga escala teria consequências catastróficas”, afirmou o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, em comunicado.
Irã afirma que fechou o estreito; EUA dizem que rota continua aberta
O Exército americano informou anteriormente neste domingo que atingiu cerca de 140 alvos no Irã, incluindo locais de lançamento de mísseis e drones, depósitos de munição, equipamentos de comunicação e outras instalações militares.
Os ataques foram mais intensos do que os registrados nos dias anteriores. Na última semana, os Estados Unidos realizaram três rodadas de ataques aéreos contra o Irã em resposta a ofensivas contra navios que atravessavam o estreito por uma rota próxima à costa de Omã, tentando evitar águas territoriais iranianas.
“Bombardeamos eles pra valer na noite passada”, afirmou o presidente Donald Trump em entrevista ao programa “Meet the Press”, da emissora americana NBC.
Agências de notícias semioficiais do Irã informaram que um oficial da Marinha morreu. Em retaliação, Teerã atacou países da região que abrigam tropas americanas, enquanto insistiu que apenas o Irã deve controlar o Estreito de Ormuz e poderia cobrar embarcações que utilizem a passagem.
“A era dos acordos unilaterais acabou”, escreveu Mohammad Bagher Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais negociadores do país. “Nós dissemos: cumpra sua palavra ou pague o preço. A realidade está batendo à porta.”
O Irã afirmou que o estreito permaneceria fechado até que a situação voltasse à normalidade e ameaçou atingir “bases inimigas adicionais na região” caso sofresse novos ataques. O governo americano e Trump, porém, afirmaram que a passagem marítima continuava aberta.
O Exército dos Estados Unidos disse que mais de 140 navios atravessaram a região na última semana. Uma organização multinacional supervisionada pela Marinha americana afirmou que o tráfego seguia ocorrendo “em níveis reduzidos” tanto próximo a Omã quanto ao Irã. Antes da guerra, cerca de 140 embarcações passavam diariamente pelo local.
Antes do conflito, aproximadamente um quinto de todo o petróleo e gás natural comercializados no mundo passava pelo Estreito de Ormuz. O controle iraniano sobre a passagem provocou uma crise energética global, embora os preços do petróleo tenham caído significativamente após atingirem máximas de US$ 120 por barril durante o conflito.
Embarcações no Estreito de Ormuz , vistas de Musandam, Omã
REUTERS / Stringer
Omã convoca embaixador iraniano após ataques
Alertas de mísseis foram acionados em vários países árabes do Golfo.
As forças militares do Catar afirmaram ter interceptado ataques iranianos, enquanto explosões foram ouvidas nos Emirados Árabes Unidos, país vizinho. Três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas por estilhaços durante a interceptação dos ataques, informou o Ministério do Interior do Catar.
Alertas de mísseis também foram acionados no Bahrein, onde fica a 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos.
O Ministério da Defesa do Kuwait informou que três “postos de fronteira terrestre” no norte do país e uma plataforma de exploração marítima da Kuwait Oil Company foram danificados. Um trabalhador ficou ferido.
Três mísseis iranianos atingiram áreas da Jordânia, causando pequenos danos, mas sem deixar feridos, segundo a agência estatal de notícias do país.
A agência estatal de notícias de Omã informou que drones atingiram locais próximos à via marítima, um dia depois de Omã e Irã realizarem negociações sobre o estreito e concordarem em continuar as conversas. A passagem fica dentro das águas territoriais de Irã e Omã.
Omã convocou o embaixador iraniano para protestar contra os ataques, uma medida inédita desde o início da guerra. O governo classificou as ações de Teerã como “irresponsáveis”.
Donald Trump declara que o acordo de paz acabou e ordena nova onda de ataques contra o Irã
Jornal Nacional/ Reprodução
Ataque iraniano a navio deixa tripulante indiano desaparecido
O navio de contêineres com bandeira do Chipre atingido pelo Irã sofreu “danos significativos na casa de máquinas”, segundo o Exército americano.
A autoridade marítima de Omã informou que resgatou 23 tripulantes, mas um deles continuava desaparecido. O Ministério das Relações Exteriores da Índia confirmou que o desaparecido era um cidadão indiano.
O Centro de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido, ligado às forças militares britânicas, afirmou que o navio navegava próximo à costa de Omã.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que várias embarcações “ignoraram seus alertas” e desobedeceram instruções para seguir uma rota considerada autorizada pelo governo iraniano. Segundo a força, uma delas “foi atingida por um disparo de advertência e obrigada a parar”.
A imprensa estatal iraniana informou posteriormente que os Estados Unidos realizaram ataques em diversas partes do país, incluindo o sul do Irã, na província mais próxima ao Estreito de Ormuz, e instalações militares em uma região próxima a Teerã.
Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã, em 3 de junho de 2026
REUTERS/Stringer
Ataques ocorreram após novas negociações diplomáticas sobre o estreito
Trump afirmou na semana passada que o acordo provisório firmado durante a guerra estava “encerrado”. Apesar disso, mediadores como Paquistão, Catar e Egito continuaram tentando negociar um entendimento.
Um funcionário regional envolvido nas negociações, que falou sob condição de anonimato, afirmou que os esforços para manter o cessar-fogo continuaram neste domingo (12). O Paquistão informou que seu ministro das Relações Exteriores conversou por telefone com o principal diplomata iraniano e pediu “redução da escalada” por parte dos dois lados.
O novo líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, que não havia sido visto publicamente desde o início da guerra, afirmou no sábado (11), em sua primeira declaração após o funeral de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, que os iranianos vingariam sua morte nos ataques iniciais do conflito, ocorridos em 28 de fevereiro. ...

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