4 grandes mudanças no Reino Unido 10 anos após o Brexit (e quais as chances de o país voltar à União Europeia)

ONP Summary
A decade after the 2016 referendum to leave the European Union, the United Kingdom faces documented economic costs with households approximately 8 percent poorer, while political instability has produced six Prime Ministers in succession. Public opinion has shifted dramatically—recent polling indicates nearly 60 percent of Britons now view the decision as mistaken. The immigration concerns that originally drove support for Brexit have not been resolved; instead, these same grievances are now fueling a surge in far-right and populist movements.
Moderate: Centrist-leaning outlets emphasize the divergence between Brexit's promised benefits and actual outcomes, focusing on measurable economic damage, persistent political instability, and overwhelming public regret shown in polling. They highlight a troubling paradox: the immigration grievances that motivated the original vote remain unaddressed and are now channeling into even more extreme populist and far-right political movements.
Conservative: Conservative-leaning outlets take varied approaches: some articles defend the Brexit decision or question the prevailing 'cataclysmic mistake' narrative, while others report public dissatisfaction in neutral terms without emphasizing economic failure and broken promises. The framing generally resists the concentrated focus on economic costs and political dysfunction found in centrist coverage.
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Muitos dos que votaram a favor do Brexit no referendo buscavam maior autonomia para tomar decisões políticas, comerciais e econômicas sem a interferência da União Europeia
Getty Images/Via BBC
Há exatamente dez anos, um terremoto político, econômico e social abalou o Reino Unido quando uma pequena maioria dos eleitores decidiu que o país deveria deixar a União Europeia, sob a promessa de um futuro melhor fora do bloco de países.
Muitos dos que votaram a favor do Brexit (apelido dado a essa saída) no referendo buscavam maior autonomia para tomar decisões políticas, comerciais e econômicas sem a interferência da União Europeia. Também esperavam reduzir a imigração e ampliar o peso do Reino Unido no cenário geopolítico internacional.
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Uma década depois, a União Europeia já não influencia diretamente as decisões britânicas. Mas muitas das consequências desse rompimento estão longe daquilo que os defensores do Brexit prometeram aos eleitores britânicos.
O número 10 de Downing Street (residência e escritório do primeiro-ministro britânico) viu passar seis primeiros-ministros ao longo desses dez anos e se prepara para receber o sétimo ainda neste verão, após o anúncio da renúncia de Keir Starmer na segunda-feira (22/6), uma situação incomum na política britânica das últimas décadas.
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A saída do maior mercado comum do mundo, a União Europeia, também trouxe consequências significativas para a economia e o comércio do Reino Unido. E, ao contrário do que prometiam alguns defensores do Brexit, não reduziu os fluxos migratórios. Pelo contrário: eles aumentaram e mudaram profundamente de perfil.
Hoje, muitos dos que votaram pelo Brexit há dez anos se arrependem da decisão. Entre aqueles que não puderam votar, por ainda serem menores de idade, mas que convivem com as consequências do Brexit, o desejo de retornar ao bloco é amplamente majoritário, segundo pesquisas de opinião.
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Os últimos dez anos foram marcados por fortes turbulências em todo o mundo. A pandemia e a guerra na Ucrânia afetaram as economias globais, e não apenas a britânica. A fragmentação política e a ascensão do populismo também não são fenômenos exclusivos do Reino Unido, mas tendências observadas em diversos países.
Mas especialistas alertam que, no caso britânico, o Brexit intensificou os efeitos negativos dessas transformações globais.
A seguir, quatro grandes mudanças no país nesses últimos 10 anos:
1. Instabilidade política
Durante décadas, o Reino Unido foi visto como um exemplo de previsibilidade e estabilidade. Conservadores e trabalhistas se alternavam no poder em um sistema marcado pelo bipartidarismo e por poucos sobressaltos políticos.
Os eleitores de classe média alta tendiam a apoiar o Partido Conservador, enquanto os trabalhadores costumavam votar no Partido Trabalhista. O Brexit rompeu essa lógica ao introduzir uma nova divisão no eleitorado: sair ou permanecer na União Europeia.
Keir Starmer, o sexto primeiro-ministro britânico desde o referendo do Brexit, renunciou nesta segunda-feira (22/6) após apenas dois anos no cargo
EPA/Via BBC
Desde então, seis primeiros-ministros tentaram conduzir o país sem conseguir permanecer no cargo por mais de dois anos, na melhor das hipóteses.
"O Brexit foi tóxico para a política britânica", afirmou Jun Du, diretora do Instituto de Produtividade do Reino Unido, à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Para a economista, a saída da União Europeia aprofundou divisões que já existiam antes do referendo e "trouxe mais instabilidade, mais polarização política e mais divisões na economia e na sociedade, com um impacto profundo, persistente e estrutural".
Se é verdade que referendos podem produzir consequências imprevisíveis, poucos casos ilustram isso tão bem quanto o de David Cameron (2010-2016), que há dez anos ocupava o cargo de primeiro-ministro e se tornou a primeira vítima política do Brexit.
Cameron convocou o referendo na expectativa de que os britânicos apoiassem a sua posição favorável à permanência na União Europeia e, assim, neutralizassem as vozes populistas que ganhavam força à direita de seu partido, lideradas por Nigel Farage (que em 2016 liderava o partido UKIP, um partido de direita criado para lutar pela saída do Reino Unido da União Europeia) e por setores do próprio Partido Conservador.
O plano não deu certo.
Cameron renunciou, e coube à sua sucessora, Theresa May, negociar com a União Europeia uma separação extremamente complexa. Ela enfrentou um Parlamento dominado por parlamentares contrários ao Brexit e um governo comprometido com a implementação da saída em uma data previamente definida, um processo que também acabaria lhe custando o cargo.
Ela foi sucedida por Boris Johnson, um dos conservadores que mais fizeram campanha em favor do Brexit. Johnson também acabou renunciando, embora, em seu caso, a queda tenha sido provocada pelos escândalos relacionados às festas realizadas na sede do governo durante a pandemia.
A sua substituta, Liz Truss, tornou-se a primeira-ministra britânica que menos tempo permaneceu no cargo. Foram apenas 45 dias, após o plano econômico apresentado por seu governo abalar a confiança dos mercados e provocar uma forte desvalorização da libra esterlina.
Depois dela veio Rishi Sunak, que teve de lidar com as consequências de todos esses fracassos e conduziu o Partido Conservador à pior derrota eleitoral da política britânica desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), nas eleições de 2024.
Os trabalhistas venceram o pleito e levaram Keir Starmer ao cargo de primeiro-ministro. Mas o resultado também refletiu, sobretudo, a derrota dos conservadores, enfraquecidos pelas promessas não cumpridas do Brexit, pelos escândalos que atingiram sua reputação e por uma economia estagnada.
Pesou também a ascensão do partido populista de direita Reform UK, liderado por Nigel Farage (que saiu do UKIP em 2018 para fundar o Brexit Party, que pouco depois mudaria de nome para Reform UK). O Brexit forneceu ao partido uma plataforma política e um discurso mobilizador, permitindo-lhe atrair parte significativa do eleitorado conservador.
Agora, o próprio Starmer acaba de anunciar a sua renúncia (22/6) após dois anos à frente do governo e deixará Downing Street assim que o Partido Trabalhista escolher um sucessor.
Starmer prometeu pôr fim ao "caos" da política britânica. Mas o alto custo de vida, uma série de escândalos e o mau desempenho nas últimas eleições locais, nas quais o Reform UK teve uma vitória expressiva, alimentaram uma rebelião dentro do próprio Partido Trabalhista — e o primeiro-ministro não resistiu à pressão.
Para Jill Rutter, pesquisadora sênior do Institute for Government, "talvez isso não seja consequência direta do Brexit, mas é difícil afirmar que as transformações políticas dos últimos dez anos não tenham contribuído para esse cenário", escreveu ela em um relatório elaborado por ocasião dos dez anos do Brexit.
2. Avanço da direita anti-imigração
A fragmentação política não é um fenômeno exclusivo do Reino Unido. Tampouco é a ascensão dos partidos populistas de direita, um dos acontecimentos políticos mais marcantes do século 21 nas democracias ocidentais.
Mas, no caso britânico, argumenta Anand Menon, diretor do think tank (centro de pesquisa e debates) UK in a Changing Europe, o Brexit acabou se tornando também um fator que "pode ter contribuído para o atual crescimento do apoio aos partidos populistas".
Enquanto em 2019 os dois partidos tradicionais que dominavam a política britânica somaram 76% dos votos, esse percentual caiu para 58% nas eleições de 2024 e continuou recuando nos pleitos seguintes, à medida que o Reform UK avançava pela direita e os Verde ganhavam espaço à esquerda, observa Rutter, do Institute for Government.
O crescimento do partido nas pesquisas levou Cameron a convocar o referendo do Brexit, na expectativa de enfraquecer o movimento com uma vitória da permanência nas urnas. Isso não aconteceu. E, longe de desaparecer após a concretização de seu principal objetivo, as ideias defendidas por Farage acabaram influenciando o próprio Partido Conservador.
O Brexit alterou os eixos centrais da política britânica. E, embora a saída da União Europeia já seja um fato consumado, as divisões que ela produziu continuam presentes, agora em torno de outro tema: a imigração.
Para Sam Freedman, pesquisador do Institute for Government, "a imigração substituiu o Brexit como tema que polariza as mesmas coalizões [eleitorais]".
Quem antes via na União Europeia a origem dos problemas do Reino Unido agora tende a responsabilizar os imigrantes.
Atualmente, é muito provável que aqueles que defendem a deportação de imigrantes como prioridade máxima do governo tenham votado a favor do Brexit no passado. Segundo Freedman, esse grupo também tende a ser mais velho, majoritariamente branco, predominantemente masculino e com menor nível de escolaridade.
De fato, o Reform UK hoje está muito mais associado às suas propostas de endurecimento da política migratória e de expulsão de imigrantes do que à questão europeia. Embora o partido continue defendendo, esse tema já não ocupa um papel central em seu programa.
3. Aumento da imigração (na contramão do que prometiam os defensores do Brexit)
A ascensão do Reform UK e a incorporação de sua agenda por outros partidos apenas reforçam algo que já estava claro em 2016: o controle da imigração foi uma das principais motivações para muitos dos eleitores que votaram a favor do Brexit.
A saída da União Europeia deu ao governo britânico liberdade para definir as suas próprias políticas migratórias. Desde então, o país implantou um sistema baseado em pontos e passou a aplicar as mesmas regras tanto para cidadãos da UE quanto para pessoas vindas de outros países.
Mas, embora o Reino Unido tenha "retomado o controle", como dizia um dos principais slogans da campanha do Brexit, sobre quem pode entrar ou permanecer em seu território, o resultado ficou longe daquilo que muitos eleitores imaginavam, explicou John Curtice, pesquisador do National Centre for Social Research, à BBC News Mundo, em 2024.
"Os eleitores claramente acreditavam que deixar a UE resultaria em menos imigração", disse Curtice, que também é professor de Política da Universidade de Strathclyde, na Escócia, e um dos maiores especialistas em comportamento eleitoral do Reino Unido.
A realidade foi bem diferente.
Desde o referendo do Brexit, em 2016, e da vitória dos conservadores nas eleições de 2019, o Reino Unido registrou o maior crescimento populacional desde a década de 1960.
Em 2022, o país atingiu um recorde de migração líquida (a diferença entre o número de pessoas que chegaram e o de pessoas que deixaram o país), com saldo positivo de 764 mil pessoas, segundo o Office for National Statistics (ONS). O número recuou ligeiramente em 2023, mas permaneceu em um patamar elevado: 685 mil migrantes.
Enquanto a chegada de cidadãos da União Europeia, que até então representavam a maior parte dos imigrantes, caiu de forma acentuada, a imigração de pessoas vindas de países de fora do bloco aumentou fortemente.
Diante desse cenário, o governo foi obrigado a endurecer as regras para a concessão de vistos.
Segundo dados do think tank UK in a Changing Europe, o Brexit havia reduzido em cerca de 785 mil o número de trabalhadores originários da União Europeia até 2024, o equivalente a aproximadamente 2,6% da força de trabalho britânica.
No mesmo período, o número de trabalhadores vindos de países fora da União Europeia aumentou em cerca de 992 mil em comparação com o período anterior ao Brexit.
Em outras palavras, o Brexit reduziu substancialmente a participação de trabalhadores migrantes da União Europeia e ampliou de forma significativa a de trabalhadores oriundos de outros países. Ainda assim, o número total de trabalhadores estrangeiros "foi apenas ligeiramente, embora significativamente, superior ao que teria sido caso o Reino Unido tivesse permanecido na União Europeia", argumentam Jonathan Portes e John Springford, analistas desse centro de estudos.
Como observa Rutter, do Institute for Government, os diferentes governos que se sucederam após o Brexit tiveram liberdade para estabelecer novas regras migratórias "e agora não podem se eximir da responsabilidade pelas consequências dessas decisões".
4. Forte impacto sobre a economia e o comércio
O Brexit entrou efetivamente em vigor em 1 de janeiro de 2021, após um ano de transição.
A saída ocorreu em plena pandemia de covid-19 e um ano antes da invasão da Ucrânia pela Rússia, que desencadeou uma crise energética que abalou finanças globais.
Em meio a tantas turbulências internacionais, tornou-se difícil identificar qual parcela dos problemas econômicos poderia ser atribuída diretamente ao Brexit.
Para Jun Du, do Instituto de Produtividade do Reino Unido, não há dúvidas: "O Brexit foi desastroso para a economia britânica"
Brook Mitchell/Getty Images
Mas a pandemia chegou ao fim e, embora a guerra na Ucrânia continue, outras economias comparáveis à britânica conseguiram se recuperar de forma mais consistente do que o Reino Unido.
Para Du, do Instituto de Produtividade do Reino Unido, não há dúvidas: "O Brexit foi desastroso para a economia britânica".
Essa avaliação é compartilhada não apenas pela ampla maioria dos economistas, mas também encontra respaldo nos dados. "Neste momento, já existe um conjunto robusto de estudos que documentam, analisam e estimam esses efeitos", afirmou Du.
O mais recente deles foi conduzido por uma equipe liderada por Nick Bloom, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com base em dados do Banco da Inglaterra. Segundo o estudo, a economia britânica sofreu um impacto equivalente a 6% de seu Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) em consequência do Brexit.
Outros trabalhos elevam essa estimativa para até 8%.
A equipe de Bloom analisou os dados utilizados pelo Banco da Inglaterra para definir as taxas de juros e procurou estimar a perda de crescimento econômico reconstruindo um cenário hipotético de como o Reino Unido teria evoluído caso não tivesse votado pela saída da União Europeia.
O estudo concluiu que cerca de metade do impacto econômico decorreu da surpresa e da incerteza que se seguiram ao referendo. A outra metade estaria relacionada ao aumento das barreiras comerciais após a saída do Reino Unido da união aduaneira e do mercado único europeu, em 2021.
No comércio exterior, os efeitos também foram significativos. "O impacto negativo é contínuo, persistente e muito forte", disse Du, do Instituto de Produtividade do Reino Unido, que pesquisa o tema há anos.
"Observamos que, em média, as exportações do Reino Unido para a União Europeia caíram cerca de 23%, enquanto as importações recuaram aproximadamente 17%. Portanto, a situação comercial é realmente muito ruim", conclui Du.
Retorno à União Europeia?
A última década esteve longe de ser tranquila para o Reino Unido. Dez anos após o Brexit, a maioria dos britânicos não apenas considera que a saída da União Europeia foi um erro, como mostra a pesquisa mais recente do think tank European Council on Foreign Relations, como também "se mostra aberta a reconstruir uma relação mais próxima com a Europa, algo que até pouco tempo parecia impensável", afirmou o relatório.
Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados votariam hoje pela volta do Reino Unido à União Europeia. Entre aqueles que eram jovens demais para participar do referendo de 2016, esse percentual sobe para 70%. Além disso, 57% afirmam que deixar o bloco foi um erro.
A proposta de estreitar os laços com a União Europeia também fazia parte do programa de governo de Keir Starmer, que iniciou uma reaproximação gradual com os antigos parceiros europeus, movimento que, ao que tudo indica, deverá continuar sob seu sucessor.
Embora ainda não esteja definido quem ocupará o lugar de Starmer, tudo indica que o cargo poderá ficar com Andy Burnham, ex-prefeito da Grande Manchester, no norte da Inglaterra, que já manifestou no passado o desejo de ver o Reino Unido retornar à União Europeia "no longo prazo".
Mas, como observa Du, do Instituto de Produtividade do Reino Unido, o programa eleitoral do Partido Trabalhista estabelecia uma linha vermelha bastante clara: não voltar à União Europeia, nem ao mercado único, nem à união aduaneira.
"Portanto, a menos que Burnham esteja disposto a romper com o programa eleitora, algo que não acredito que vá acontecer, esse é o limite", disse. "O que pode ocorrer, e que talvez possa ser chamado de uma aproximação com a União Europeia, é algum tipo de alinhamento regulatório em setores específicos ou em determinadas áreas."
Em um país onde o Reform UK lidera as pesquisas de intenção de voto e onde até partidos que antes defendiam a permanência na União Europeia, como o Partido Trabalhista, passaram a aceitar o Brexit como um fato consumado e buscam apenas melhorar a relação com o bloco, é paradoxal que a maioria dos entrevistados afirme desejar a volta do Reino Unido ao clube europeu.
Mas o "caótico cenário de 2026 é muito diferente daquele de 2016 e, em muitos aspectos, mais sombrio e preocupante para um país como o Reino Unido, diante da presença de figuras como Donald Trump, Vladimir Putin e Xi Jinping", afirmou Mark Leonard, diretor do European Council on Foreign Relations.
Segundo Du, do Instituto de Produtividade do Reino Unido, existe uma diferença entre a forma como os britânicos enxergam o seu país e a realidade.
"No imaginário coletivo, o Reino Unido ainda é visto como um ator muito poderoso no cenário político e econômico internacional", disse Du, do Instituto de Produtividade. "Mas, na prática, trata-se de uma potência média, dependente do comércio internacional e cada vez mais isolada no mundo." ...