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Ruas pintadas para a Copa voltam a colorir o Rio e resgatam tradição que marcou gerações; saiba aonde

G1 (Globo)
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Ruas pintadas para a Copa voltam a colorir o Rio e resgatam tradição que marcou gerações; saiba aonde

Ruas decoradas para a Copa transformam comunidades do Rio
Quem anda pelas ruas do Rio de Janeiro às vésperas da estreia da seleção na Copa do Mundo de 2026 encontra uma cena que parecia ter ficado no passado: bandeirinhas cruzando quarteirões, ruas e escadarias pintadas de verde e amarelo, mutirões de moradores e crianças ajudando a transformar o asfalto em uma grande festa popular.
Após perder força nas últimas edições do Mundial, a tradição das ruas decoradas reaparece em diferentes regiões da capital e também de Niterói, impulsionada por comunidades, bairros históricos e até concursos criados para incentivar esse movimento.
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Da Via Ápia, na Rocinha, à Rua Jorge Rudge, em Vila Isabel; da Rua Pereira Nunes, na Tijuca, ao Vidigal; da Escadaria do Fialho, na Glória, ao Mirante do Santo Amaro, passando por Jardim América, Vicente de Carvalho, Botafogo e diversos bairros de Niterói, moradores voltaram a investir tempo, tinta e criatividade para preparar suas ruas para a estreia da Seleção Brasileira.
"Uma rua pintada representa pertencimento, identidade e memória afetiva. Ela transforma um espaço comum em um lugar de encontro. Existe um valor cultural muito forte nisso porque essa tradição traduz a maneira única como o brasileiro vive o futebol", disse Paula Carvalho, gerente de marketing da Sportingbet, patrocinadora da festa no Alzirão.
Rua Pereira Nunes, na Tijuca, pronta para a Copa do Mundo.
Reprodução redes sociais
Mais do que uma decoração para acompanhar os jogos, o movimento representa um resgate da convivência entre vizinhos e de uma tradição que marcou gerações de brasileiros.
"No fim, não é só sobre decoração, mas é a construção de algo que as pessoas fazem em conjunto e mostram para o mundo a paixão e a energia que fazem parte da cultura brasileira", completou.
Resgate da tradição
Durante décadas, a chegada da Copa do Mundo significava também o início de um ritual nos bairros do Rio de Janeiro. Dias antes da estreia da Seleção Brasileira, moradores se reuniam para arrecadar dinheiro, comprar tinta, confeccionar bandeirinhas e passar madrugadas decorando ruas inteiras.
A tradição, que marcou especialmente as Copas dos anos 1990 e 2000, foi perdendo força nas últimas edições do torneio, mas dá sinais de renascimento em 2026.
Escadaria do Fialho, na Glória, e o Mirante do Santo Amaro, na Zona Sul, também entraram no clima da Copa
Reprodução redes sociais
Para Humberto Maioli, diretor do Alzirão e um dos personagens que acompanharam essa transformação ao longo dos anos, o enfraquecimento da tradição tem diferentes explicações, como as mudanças de geração, a pandemia e até o momento vivido pela Seleção Brasileira.
Ainda assim, ele acredita que a paixão do torcedor permanece viva e pode ser despertada novamente.
"Há 20, 30 anos era uma magia incrível. Todos aguardando a chegada da Copa. Madrugadas pintando e decorando a rua (...) Nos últimos anos o povo esfriou essa relação com a seleção, mas isso vai mudar logo que o Brasil fizer o primeiro gol", aposta o torcedor.
Ruas tradicionais de volta
Se a tradição das ruas pintadas para a Copa parece ganhar novo fôlego em 2026, parte dessa força vem justamente de locais que ajudaram a construir essa cultura ao longo das últimas décadas.
Em diferentes bairros do Rio, moradores voltaram a organizar mutirões, arrecadar recursos e dedicar dias de trabalho para transformar suas ruas em cenários de festa.
Guarda-chuvas em homenagem a Penedo na rua Jorge Rudge
Reprodução/TV Globo
Um dos exemplos mais emblemáticos é a Rua Jorge Rudge, em Vila Isabel. Conhecida por décadas de participação nas Copas do Mundo, a via voltou a reunir moradores para instalar bandeirinhas, pintar o asfalto e montar uma estrutura para acompanhar os jogos da Seleção Brasileira.
A rua, que chegou a ser premiada como uma das mais bonitas durante o Mundial de 2002, aposta novamente na mobilização coletiva como principal diferencial.
A professora Gabriela Rocha disse que o tempo foi curto para arrumar tudo, mas que não faltou animação e criatividade.
"Nós tivemos cinco dias pra fazer tudo isso e tentamos nos empenhar ao máximo, o nosso diferencial é sempre o nosso teto, que a gente sempre traz novidade, dessa vez Jorge Rudge virou Penedo, a gente botou os guarda-chuvas e a gente vai unindo a ideia de uns e outros", contou.
Rua Capiberibe, no Santo Cristo, e a Rua Taturana, em Vicente de Carvalho também ganharam as cores o Brasil.
Reprodução redes sociais
Gracyanne Barbosa será coroada Rainha do Alzirão antes da estreia do Brasil na Copa
Escadaria com bandeira do Brasil viraliza, atrai turistas e artistas e muda rotina de moradores de vila no Centro do Rio
Mais do que a decoração, o objetivo é manter viva uma tradição que atravessa gerações e transforma vizinhos em parceiros de um mesmo projeto: celebrar o futebol nas ruas.
Outro endereço que mantém essa identidade é a Rua Pereira Nunes, na Tijuca. Desta vez, além das pinturas e das bandeirinhas, os moradores decidiram dar um significado ainda maior ao trabalho coletivo, utilizando a decoração para promover uma mensagem de inclusão e pertencimento. A proposta é mostrar que a festa da Copa pode ser também um espaço de acolhimento e convivência.
Símbolo dessa cultura popular no Rio, a Rua Alzira Brandão, palco do tradicional Alzirão, também ocupa um lugar especial na memória afetiva dos torcedores cariocas.
Durante décadas, o local reuniu milhares de pessoas para acompanhar os jogos da Seleção e ajudou a transformar a decoração das ruas em uma das marcas das Copas na cidade.
Moradores da Rua Pereira Nunes, na Tijuca, e da Rua Jorge Rudge, em Vila Isabel, prometem festa nos jogos do Brasil.
Reprodução redes sociais
Comunidades fazendo arte
Se em alguns bairros a tradição é mantida por décadas, em diversas comunidades ela ganhou um novo significado: transformou-se em uma grande intervenção artística a céu aberto.
Mais do que pintar o asfalto de verde e amarelo, moradores passaram a produzir verdadeiras obras de arte coletivas, misturando futebol, grafite, identidade local e sentimento de pertencimento.
Na Rocinha e no Vidigal moradores fizeram bonito para a Copa.
Igor Albuquerque
O exemplo mais emblemático é a Via Ápia, na Rocinha. A principal via da comunidade foi completamente tomada por pinturas inspiradas na Copa do Mundo em um mutirão que reuniu artistas e moradores.
O resultado transformou a rua em uma galeria ao ar livre e chamou atenção nas redes sociais pelas imagens aéreas que mostram um longo corredor colorido atravessando a comunidade.
"É surreal ver a Rocinha assim toda pintada. Eu sou morador do Vidigal, comunidade vizinha a Rocinha, e cresci com essa tradição de rua pintada. Ficou lindo", disse o fotógrafo profissional.
"Favela não é violência, não é guerra. Favela é cor, é brilho, é tradição e é luz. E a Via Ápia transmite isso", comentou Igor Germano, um dos organizadores do evento em suas redes sociais.
Vídeo mostra Via Ápia, na Rocinha, transformada por pintura gigante para a Copa do Mundo
Igor Albuquerque
A poucos quilômetros dali, o Vidigal também fez sua homenagem ao Mundial. Assim como acontece na Rocinha, a mobilização reúne moradores para recuperar uma tradição que marcou gerações e que, durante algum tempo, parecia ter desaparecido.
Na Mangueira, a região do Buraco Quente ganhou pinturas que misturam as cores da Copa com referências à tradicional escola de samba verde e rosa, unindo duas das maiores paixões locais: o futebol e o carnaval.
No Santo Amaro, no Catete, moradores voltaram a decorar a via com pinturas e bandeirinhas para receber os jogos da Seleção Brasileira. Já no Complexo do Alemão, ruas e vielas também entraram no clima do Mundial, mostrando que, mesmo com características próprias em cada território, a tradição das ruas pintadas continua sendo uma forma de reunir vizinhos e transformar o espaço público em uma grande celebração coletiva.
A favela Santo Amaro, no Catete, e da Fazendinha, no Complexo do Alemão, também entraram no clima de Copa.
Reprodução redes sociais
O movimento, no entanto, não se limita às duas comunidades. No Morro do Pinto, a Rua Capiberibe voltou a receber pinturas especiais para a Copa.
Na Glória, a Escadaria do Fialho ganhou novas cores. Em Jardim América, a Rua Monsenhor Castelo Branco entrou no clima do Mundial, assim como a Rua Taturana, em Vicente de Carvalho, o Mirante do Santo Amaro e outros pontos da cidade.
Em Niterói, o cenário se repete. A Travessa São Feliciano, no Fonseca, a Rua Ministro Sousa Costa, em Tenente Jardim, a Comunidade Vila Ipiranga, a Travessa Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, a Estrada Alarico de Souza, em Atalaia, e a Rua José Chianelli, em Piratininga, estão entre os locais que decidiram colorir suas ruas para receber a Copa.
O resultado é uma espécie de mapa afetivo do futebol brasileiro, construído pelos próprios moradores e espalhado por diferentes bairros e comunidades da Região Metropolitana.
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Concursos para incentivar
O retorno das ruas pintadas não aconteceu apenas de forma espontânea. Neste ano, prefeituras e empresas passaram a investir em concursos e iniciativas para incentivar moradores a decorar seus bairros e fortalecer uma tradição que marcou gerações de brasileiros.
Na cidade do Rio, a Prefeitura lançou um concurso para premiar as ruas mais bonitas decoradas para a Copa do Mundo. A iniciativa vai escolher três vencedoras, que receberão premiação em dinheiro, além de reconhecer outras ruas que se destacarem pela criatividade e mobilização dos moradores.
Escadaria da Copa viraliza nas redes e muda rotina de moradores no Centro do Rio
Já em Niterói, a prefeitura criou o concurso "Minha Rua é Hexa", que selecionará ruas decoradas para disputar uma votação e premiará as melhores iniciativas, estimulando a participação popular e a organização de mutirões entre vizinhos.
A iniciativa privada também entrou nessa mobilização. O projeto da Via Ápia, na Rocinha, por exemplo, contou com o apoio de uma empresa do setor de tintas, assim como outras iniciativas que se espalharam pela cidade e ajudaram a transformar ruas, escadarias e comunidades em grandes cenários para a Copa do Mundo.
A soma do incentivo público com a mobilização de moradores, jovens e idosos para resgatar essa tradição brasileira trouxe de volta uma manifestação cultural construída coletivamente, capaz de reunir vizinhos, fortalecer o sentimento de pertencimento e transformar o espaço público em um palco de convivência e celebração.
Escadaria da Rua Eduardo Jansen virou atração após viralizar nas redes sociais
Jéssica Evelin Araújo /g1 ...

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