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Fora dos campos, Turquia se prepara para sediar a próxima COP; EUA seguem ausentes das negociações climáticas

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Fora dos campos, Turquia se prepara para sediar a próxima COP; EUA seguem ausentes das negociações climáticas

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Turquia e Estados Unidos se enfrentam nesta quinta-feira (25), no SoFi Stadium, em Los Angeles, pela terceira rodada do Grupo D da Copa do Mundo de 2026.
Fora dos gramados, porém, os dois países vivem um momento de contraste raro na diplomacia climática mundial: um se prepara para sediar a próxima grande conferência do clima da ONU, e o outro acaba de viver a primeira ausência da história nessas negociações.
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A Turquia foi escolhida para sediar a COP31, marcada para novembro de 2026, na cidade de Antalya.
O processo foi disputado: por mais de três anos, turcos e australianos competiram pela sede.
No fim, chegou-se a um acordo inédito em três décadas de conferências do clima: a Turquia será a anfitriã e assumirá a presidência formal do evento, enquanto a Austrália ficará responsável por conduzir as negociações propriamente ditas.
Também está prevista uma etapa preparatória em uma nação do Pacífico, região historicamente afetada pelo aumento do nível do mar.
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O país que vai receber a cúpula, porém, está sob escrutínio. A Turquia é hoje um dos maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, com uma economia que cresce rapidamente e emissões que ainda sobem.
O país ratificou o Acordo de Paris em 2021 — foi o último integrante do G20 a fazer isso — e definiu a meta de zerar suas emissões líquidas até 2053. Recentemente, também aprovou sua primeira lei dedicada ao clima.
Na prática, porém, avaliações independentes classificam o compromisso climático turco como "criticamente insuficiente".
A meta apresentada pelo país permite que as emissões continuem crescendo até o final da década de 2030, antes de começarem a cair — um ritmo considerado incompatível com os objetivos do Acordo de Paris.
Um dos motivos é o carvão: a Turquia é hoje o maior gerador de eletricidade a partir de carvão da Europa, e o combustível responde por uma parcela significativa da geração elétrica do país, em parte importado.
Ao mesmo tempo, o governo garantiu, por contrato, a compra de energia de usinas a carvão por mais alguns anos — o que pode adiar ainda mais o fim dessa fonte na matriz elétrica turca.
"É verdade que a Turquia ainda possui elevada dependência de combustíveis fósseis, especialmente do carvão, e metas climáticas consideradas pouco ambiciosas por parte da comunidade internacional. Ainda assim, a história das negociações climáticas mostra que avanços importantes nem sempre ocorrem nos países mais alinhados à agenda climática", explica Tatiana Oliveira, líder de Estratégia Internacional do WWF-Brasil.
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Bulent Kilic/AFP
Por outro lado, há também avanços que chamam atenção: a geração de energia eólica e solar no país já responde por uma fatia da eletricidade acima da média mundial, e a capacidade de armazenamento em baterias cresceu de forma expressiva nos últimos anos.
Mesmo assim, a Turquia também aposta em exploração de petróleo e gás e numa usina nuclear construída com participação russa — o que, segundo analistas, aumenta sua dependência energética externa em vez de reduzi-la.
A Turquia entra ainda numa lista que tem se repetido nos últimos anos: assim como aconteceu em conferências recentes sediadas no Azerbaijão, nos Emirados Árabes e no Egito, a próxima cúpula do clima volta a ser realizada num país com forte dependência de combustíveis fósseis ou com histórico de restrições à liberdade de protesto — o que já gera questionamentos de organizações de direitos humanos sobre o espaço que ativistas climáticos terão durante o evento.
Os EUA, ausentes pela primeira vez
Do outro lado, os Estados Unidos vivem um momento simbólico na relação com a diplomacia climática.
Em janeiro de 2025, no início de seu mandato, o presidente Donald Trump retirou o país do Acordo de Paris, repetindo um movimento que ele já havia feito em seu primeiro governo. A saída se formalizou um ano depois do anúncio.
Mas o gesto foi além da retirada formal do acordo. Pela primeira vez desde a criação das conferências do clima da ONU, na década de 1990, os Estados Unidos não enviaram nenhuma delegação oficial à cúpula mais recente, realizada no Brasil, em Belém.
Praticamente todos os outros países do mundo, incluindo nações com poucos recursos diplomáticos, mantiveram representação no evento — o que tornou a ausência americana ainda mais notável.
Como mostrou o g1, essa ausência não é um caso isolado. Ela acompanha uma série de mudanças internas nos Estados Unidos: cortes em programas e incentivos federais ligados à energia limpa, revisão de regras ambientais sobre emissões de veículos e indústrias, e o fechamento do setor do Departamento de Estado responsável por coordenar a participação americana nas negociações climáticas internacionais.
Emissões de uma usina a carvão aparecem contra o pôr do sol em Kansas City, Missouri, em 1º de fevereiro de 2021.
AP/Charlie Riedel
Na prática, o país ficou sem uma estrutura dedicada a representar seus interesses nesse tipo de discussão.
Apesar disso, é importante destacar que a ausência é do governo federal, não do país como um todo.
Diversos governadores e prefeitos americanos, reunidos em uma coalizão que existe desde 2017, marcaram presença na conferência por conta própria, como forma de mostrar que parte dos Estados Unidos continua engajada na agenda climática, mesmo sem o aval de Washington.
Além disso, apesar dos recuos do governo federal, a energia limpa continuou crescendo no país por razões puramente econômicas: painéis solares e sistemas de baterias ficaram mais baratos, e isso tem impulsionado novos investimentos independentemente da posição oficial da Casa Branca.
A liderança climática não depende apenas de capacidade diplomática. Ela exige entrega concreta de resultados, financiamento, implementação doméstica e capacidade de construir coalizões. Nesse sentido, nenhum país isoladamente parece capaz de substituir integralmente o papel historicamente desempenhado pelos Estados Unidos, nem mesmo a União Europeia.
Dois sinais opostos
O contraste entre os dois países ajuda a entender o momento atual da diplomacia climática: de um lado, um país que vai sediar a próxima grande conferência, mas que ainda depende fortemente do carvão e de combustíveis fósseis; do outro, o maior emissor histórico de gases de efeito estufa do planeta, que decidiu se afastar formalmente das negociações internacionais sobre o tema.
Enquanto isso, especialistas apontam que essa retirada americana abre espaço para que outros países — como a China, que tem investido pesadamente em tecnologias de energia limpa — ganhem protagonismo na definição de regras e padrões globais para a transição energética nos próximos anos.
A conferência em Antalya, batizada de COP31, será o próximo capítulo dessas negociações — e deve testar até que ponto os países conseguem avançar em compromissos concretos sobre o fim dos combustíveis fósseis, tema que ficou pendente na conferência anterior, realizada em Belém.
"Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de sentar-se à mesa e construir convergências talvez seja mais importante do que nunca", acrescenta Oliveira.
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