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Veterinário resgata filhote de beija-flor, monta 'casinha' com aquecedor e faz alimentação especial para salvar ave no interior de SP

G1 (Globo)
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Veterinário resgata filhote de beija-flor, monta 'casinha' com aquecedor e faz alimentação especial para salvar ave no interior de SP

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Veterinário resgata beija-flor e monta casinha, aquecedor e alimentação especial em SP
No mundo animal, a rotina dos pais para cuidar dos filhotes inclui aquecimento, alimentação e monitoramento constante. Mas o que fazer quando o filhote é abandonado no ninho? Um pequeno beija-flor deu a sorte de sobreviver ao encontrar o médico-veterinário Luís Felipe Zulim, de Presidente Prudente (SP), que assumiu o papel de "pai" da ave há quase sete semanas.
Os cuidados contam com alimentação específica, uma casinha improvisada e até aquecedor para manter o bem-estar do animal.
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O resgate aconteceu no dia 12 de maio, por volta de 12h45. Ao chegar em casa, o veterinário notou que um galho cortado de uma árvore carregava um ninho e havia sido retirado do local de origem.
A princípio, parecia que o filhote estava sem vida. “O ideal é nem relar [no filhote] para que a mãe possa voltar, mas nesse caso específico, como era galho de outra árvore que havia sido cortado eu decidi resgatá-lo”, conta ao g1.
“A decisão foi mais centrada quando vi que tinha bichinhos no ninho e o coração ficou tranquilo quando vi que iniciou o frio e inclusive choveu naquela semana. Então foi uma decisão coerente resgatá-lo naquele momento”, continua.
Filhote foi resgatado no dia 12 de maio; inicialmente, o veterinário pensou que o filhote estava morto
Arquivo pessoal/Luís Felipe Zulim
Aprendizado e casinha da infância
Nos primeiros dias, a pequena ave apresentava respiração fraca e poucos movimentos. De início, o médico forneceu água com açúcar na seringa para suprir energia e acomodou o filhote em um vaso de flor forrado.
Após pesquisar e conversar com especialistas em animais silvestres, ele comprou a papinha específica para a espécie e improvisou uma luz para aquecê-lo. Como os beija-flores têm o metabolismo muito acelerado, o filhote precisa comer a cada 20 ou 30 minutos, o que exige que ele acompanhe o veterinário a todos os lugares.
A proteção contra o frio ganhou um reforço nostálgico. Após tentar caixas de papelão e de transporte de gatos, o veterinário encontrou a solução no armário, além de comprar um aquecedor de tomada.
“Encontrei, em cima do guarda-roupa, essa ‘casinha’, que é um brinquedo da minha infância, uma fazendinha (celeiro) que vinha com cerquinha e animais. Ficou certinho, porque o ar quente entra pela janela, que é mais alta, e circula lá dentro, e facilitou o transporte também para levar pra lá e pra cá. Essa casinha deve ter uns 25 anos”, conta.
Brinquedo de infância do veterinário foi adaptado com aquecedor e virou 'casa' do beija-flor
Arquivo pessoal/Luís Felipe Zulim
Recuperação e meta de soltura
Zulim destaca que o “filho de asas” está em recuperação, embora o processo seja mais lento do que se estivesse com a mãe.
“O frio está judiando um pouco, mas a alimentação frequente e o aquecimento estão ajudando muito. Agora ele começou a se mexer mais e bater a asa, interagir mais pedindo comida e as penas começaram a crescer, inclusive as coloridas (verdes)”, conta.
Aquecimento e alimentação adequados são essenciais no cuidado com a ave
Arquivo pessoal/Luís Felipe Zulim
Desde o início, o objetivo é fazer a soltura no habitat, assim que a ave estiver apta para viver sozinha na natureza. “Como profissional e como ser humano, esse processo está sendo de grande intensidade, entrega e dedicação. Ficará marcado para sempre”, afirma ao g1.
No entanto, o profissional reforça que não é adequado sair resgatando animais silvestres sem conhecimento e manejo adequados para a ação para não prejudicar o bicho.
“Foi preciso agir com coração, mas com cautela e rapidez. Não é minha área de atuação, por isso precisei pesquisar e pedir ajuda a profissionais da área de forma rápida para oferecer o cuidado necessário”, afirma.
A orientação é acionar profissionais da área, como a Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou médico veterinário de animais silvestres.
Devido ao período de alimentação, ave vai para todos os lugares com o veterinário
Arquivo pessoal/Luís Felipe Zulim
O que fazer ao encontrar um filhote?
Em entrevista ao g1, a médica-veterinária de animais silvestres Amanda Abonizio orienta que a primeira atitude ao ver um filhote de animal silvestre é observar a situação com calma.
“Nem todo filhote encontrado sozinho está abandonado. Muitas vezes os pais continuam por perto alimentando a ave. Se o animal estiver em local seguro e sem ferimentos aparentes, o ideal é monitorar antes de intervir”, alerta.
A profissional acrescenta que, caso o animal esteja ferido, debilitado ou em situação de risco, ele deve ser colocado em uma caixa de papelão limpa, aquecida e silenciosa, enquanto se busca orientação de um médico-veterinário ou órgão ambiental.
“A principal orientação é avaliar se existe realmente necessidade de intervenção. Devemos agir quando o animal apresenta ferimentos, sinais de debilidade, risco iminente ou quando há certeza de que ficou órfão”, afirma.
“Nessas situações, o ideal é procurar um médico-veterinário capacitado para atendimento de animais silvestres, além dos órgãos ambientais responsáveis pela fauna. Quanto mais rápido o encaminhamento adequado, maiores são as chances de recuperação e retorno à natureza”, continua.
Ave foi resgatada por um médico-veterinário e evolui na recuperação
Arquivo pessoal/Luís Felipe Zulim
No caso específico do beija-flor, Amanda destaca que os pontos mais importantes são a manutenção da temperatura, hidratação e a alimentação na frequência adequada. Ela conta que filhotes de aves têm dificuldade em regular a própria temperatura, então podem evoluir rapidamente para hipotermia.
“Outro cuidado fundamental é evitar o estresse excessivo e o manuseio desnecessário, já que são animais muito sensíveis”, diz.
Embora a intenção seja ajudar, a especialista ressalta que algumas medidas podem colocar a vida do animal em risco. Em beija-flores debilitados, solução de água com açúcar pode funcionar como uma medida emergencial para fornecer energia até que o animal receba atendimento adequado.
“No entanto, ela deve ser preparada apenas com açúcar branco refinado, pois açúcares como mascavo e cristal são tóxicos! Além disso, essa solução não substitui a alimentação correta, especialmente em filhotes, que necessitam de uma dieta específica”, afirma.
Outro risco, segundo ela, é oferecer líquidos diretamente no bico, o que pode causar aspiração pulmonar. Com isso, o ideal é que o animal seja mantido aquecido, em uma caixa tranquila, e encaminhado o quanto antes para um médico-veterinário ou centro de reabilitação de fauna.
Uma informação importante, conforme Amanda ao g1, é que o resgate nem sempre significa retirar o animal da natureza.
“Muitas aves passam por fases em que deixam o ninho antes de voar e continuam recebendo cuidados dos pais. Por isso, a retirada precipitada pode interromper esse processo natural. Sempre que possível, a melhor conduta é buscar orientação profissional antes de recolher o animal”, pontua.
Os beija-flores, por exemplo, estão entre as aves com metabolismo mais acelerado do mundo, o que os torna extremamente delicados durante o atendimento.
“Por isso, mesmo períodos curtos sem alimentação adequada ou exposição ao frio podem representar um risco significativo. Cada caso deve ser avaliado individualmente, sempre priorizando o bem-estar do animal e seu retorno seguro à vida livre”, fala.
À esquerda, a ave quando foi resgatada; à direita, como está atualmente.
Arquivo pessoal/Luís Felipe Zulim
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