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Cor em apartamentos compactos: veja como acertar na escolha

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Cor em apartamentos compactos: veja como acertar na escolha

O motorista de aplicativo tinha acabado de comprar um apartamento de 36 m². Durante a corrida, contou que a maior preocupação era o quarto das crianças, uma menina de 4 anos, um menino de 2 e um bebê a caminho. Como acomodar as necessidades de três crianças em fases tão diferentes dentro de um cômodo pequeno? A resposta não está só na planta baixa, está também no uso da cor em apartamentos compactos.
Essa cena, relatada pela designer de interiores Sofia Kerr, ilustra um desafio que vem se tornando comum. "Os apartamentos estão cada vez menores, e pensar cada centímetro deles acaba virando algo crucial", explica a designer. "As pessoas saem das casas dos pais, que cresceram em um contexto imobiliário completamente diferente, e por vezes têm dificuldade em se adaptar a apartamentos com metade ou até menos do que a referência que elas tinham."
Para Sofia, é justamente o projeto de interiores que compatibiliza essa mudança: "Ele traz possibilidades de aproveitamento de espaço, de armazenamento e de fluxo que resolvem uma série de problemas."
Para Eduardo Bathke, diretor geral da Tintas Verginia, marca fabricante de sua própria linha de tintas desde 1991, esse cenário exige um olhar que vai além do gosto pessoal. "A cor não resolve metragem, resolve percepção. Por isso, ter um olhar técnico sobre essa escolha pode ser até mais essencial em um espaço pequeno do que em espaços grandes, onde um eventual erro na escolha tem mais espaço para se diluir", afirma.
Por que os apartamentos estão encolhendo
O relato de Sofia aparece nos números do mercado imobiliário e demográfico brasileiro:
Locação: a metragem mediana dos apartamentos procurados para alugar caiu de 71 m², em 2023, para 58 m², em 2025, segundo levantamento da Ademi-RJ com base em dados do DataZAP.
Lançamentos em São Paulo: imóveis de até 45 m² já representam 65% dos lançamentos residenciais na cidade, somando mais de 110 mil unidades, segundo o Secovi-SP.
Financiamento: a metragem média dos imóveis financiados no país caiu 12,75% entre 2018 e 2024, de acordo com o Banco Central.
Decisão de compra: 65% dos compradores aceitariam pagar mais por um imóvel bem localizado, e 64% apontam segurança como fator decisivo, mesmo com menos área, segundo pesquisa da Abrainc em parceria com a Brain Inteligência Estratégica.
Perfil demográfico: a proporção de brasileiros vivendo sozinhos cresceu 52% em 12 anos, chegando a 14,4 milhões de pessoas em 2024, aponta o IBGE. Em 2022, os domicílios unipessoais já respondiam por 18,9% dos lares do país, ante 12,2% em 2010.
Juntos, os dados desenham o mesmo cenário: o metro quadrado perde espaço na decisão de compra ou aluguel, mas o que sobra dele precisa entregar mais função no dia a dia. Trata-se de moradias menores, muitas vezes ocupadas por uma só pessoa, mas com as mesmas demandas de armazenamento, descanso e trabalho de uma casa maior.
É esse tipo de situação, segundo Sofia, que exige um projeto de interiores mais consciente. Segundo ela, sem uma análise do ambiente, fica mais difícil conciliar necessidades individuais e coletivas dentro de um espaço reduzido, especialmente quando mais de uma pessoa divide a rotina naquele imóvel.
“E é justamente nesse ponto que a cor deixa de ser um detalhe de acabamento e passa a fazer parte do planejamento do espaço desde o início, ao lado de decisões como layout, armazenamento e circulação”, concorda o diretor geral da Tintas Verginia.
A cor é decisão técnica
Em espaços reduzidos, a escolha da cor deixa de ser apenas uma questão de gosto pessoal. "Passa a ser uma escolha técnica, acima de tudo. E tem que ser uma escolha consciente, não só pela estética, mas pelo efeito visual que isso vai criar no espaço", explica Sofia.
Três fatores técnicos entram em jogo em qualquer projeto de interiores de cor, segundo a designer:
Luminosidade: a capacidade de uma cor refletir de volta a luz que recebe.
Saturação: o grau de pureza ou intensidade do pigmento (quanto mais próxima da cor pura, mais saturada; quanto mais misturada com branco, preto ou cinza, mais neutra).
Absorção e reflexo: a forma como a superfície pintada interage com a luz do ambiente ao longo do dia.
Nenhum desses três fatores funciona isoladamente. Uma cor de alta saturação e baixa luminosidade, por exemplo, tende a se comportar de forma muito diferente de uma cor igualmente saturada, mas com luminosidade alta, mesmo que as duas pareçam próximas no leque de tintas.
"Em ambientes muito reduzidos, essas escolhas são intensificadas, porque está tudo muito perto", diz Sofia. "Espaço pequeno perdoa menos os erros. Um erro de cor em um apartamento grande pode até se perder no conjunto do imóvel, mas em um apartamento compacto ele domina o ambiente inteiro e chama atenção o tempo todo", complementa Bathke.
O erro mais comum: pintar uma única parede
Um dos enganos mais frequentes, segundo Sofia, é pintar apenas uma parede com uma cor forte enquanto as demais permanecem em tons muito claros, como branco, cinza ou bege. "Fica cansativo e logo a pessoa enjoa", afirma.
O motivo é fisiológico: o alto contraste entre a parede colorida e as paredes claras obriga os olhos a trabalharem simultaneamente em "modos opostos" de captação de luz. "Isso causa fadiga muscular ocular e desconforto visual", explica a designer.
Cor fria ou quente? A física por trás da sensação de espaço
Existe uma explicação física por trás da sensação de que ambientes azuis parecem maiores: tons frios, como azuis e violetas, têm comprimento de onda mais curto, e o cérebro interpreta isso como uma sensação de recuo.
Mas Sofia faz uma ressalva importante: cores puras praticamente não existem na prática. "Cada amostra é uma combinação complexa de pigmentos, como um vermelho com uma pitada de azul que 'esfria' o tom, ou um amarelo com fundo esverdeado", explica.

Divulgação.
É esse tipo de nuance que aparece, por exemplo, na descrição de tons neutros do próprio catálogo da Tintas Verginia: o "Papel Picado", um off-white acinzentado da linha própria da marca, é descrito no site oficial como uma cor que "traz a luminosidade do branco com um toque de aconchego". Um exemplo prático de como a luminosidade de um tom, e não sua classificação como "branco" ou "bege", é o que determina a sensação de espaço.
Por isso, segundo Sofia, quem projeta um ambiente compacto deveria prestar mais atenção à luminosidade da cor do que à cor em si. É esse fator, e não o tom escolhido, que dita a sensação de amplitude. E é o que explica por que duas pessoas podem escolher tons de uma mesma família de cor, aplicá-los em cômodos de tamanho parecido, e ainda assim ter resultados de amplitude completamente diferentes.
A luminosidade é um dos fatores que mais influenciam a sensação de amplitude em ambientes compactos.
Leonard Oliverio
Como fugir do óbvio
Os tons claros são a escolha mais óbvia para quem quer ampliar visualmente um ambiente pequeno. Mas Sofia alerta que essa não deve ser uma regra automática. "Se a prioridade do projeto não for apenas ampliar, dá para brincar bastante. Mas é importante entender a sensação que você quer causar."
Um espaço pensado para ser aconchegante e intimista pode perder completamente esse efeito se for forçado a usar cores claras ou frias só para parecer maior. Tons médios e escuros, aplicados nos lugares certos, também trabalham a profundidade visual, desde que alinhados à atmosfera desejada.
Na prática, isso significa que a pergunta inicial de qualquer projeto de interiores não deveria ser "que cor deixa esse ambiente maior", e sim "que sensação eu quero sentir quando entro nesse ambiente". A resposta técnica sobre tom, luminosidade e saturação vem depois dessa definição, não antes dela.
Teto colorido? Cuidado com o pé-direito
Sofia é adepta do teto colorido para dar personalidade ao ambiente, mas faz um alerta: o recurso não funciona bem em espaços com pé-direito baixo. Em cômodos onde a distância entre o piso e o teto não é tão grande, o excesso de cor no teto tende a reforçar visualmente a sensação de compressão, em vez de dar personalidade.
Já nas paredes de fundo, a escolha da cor pode alterar a percepção de profundidade:
Vermelho: aproxima visualmente a parede de fundo.
Azul: cria o efeito inverso, de afastamento.
Fosco, brilhante ou acetinado?
Além do tom, o tipo de acabamento influencia diretamente o conforto visual em espaços pequenos. "Interfere e muito! E tudo depende de como cada um deles rebate a luz", diz Sofia.
Fosco
Espalha a luz de forma uniforme.
Disfarça pequenas imperfeições e ondulações da parede.
É associado a uma sensação mais suave.
É justamente essa característica que aparece na descrição das linhas foscas da Tintas Verginia: a Standard Branco Fosco é apresentada no site da marca como capaz de disfarçar "imperfeições, ondulações e defeitos da superfície", enquanto a Premium Papel Picado Fosco promete um acabamento "aveludado" que "esconde irregularidades".
Brilhante e acetinado
Funcionam quase como espelhos.
Em ambientes pequenos, criam reflexos e pontos de luz muito fortes.
Reproduzem o mesmo efeito de fadiga visual do alto contraste entre cores.
"O fosco acaba sendo uma escolha bem mais segura para dar leveza ao ambiente. Superfícies brilhantes são interpretadas como mais vibrantes, e as foscas, como mais suaves", resume Sofia. "A escolha do acabamento é tão estratégica quanto a escolha da cor. Não adianta acertar o tom e errar na forma como ele reflete a luz dentro do espaço", confirma Bathke.
Paleta contínua ou cor para setorizar
Para apartamentos com poucas divisões físicas, como estúdios e flats, Sofia recomenda avaliar o objetivo de cada ambiente antes de decidir a paleta:
Paleta contínua (mesma cor em paredes e teto, em todos os ambientes): cria uma sensação de fluidez e amplitude, porque "o olho corre pelos ambientes sem encontrar obstáculos visuais", segundo a designer.
Cor para setorizar (cores diferentes entre ambientes): demarca funções distintas, útil quando não há parede física separando os espaços.
"Pintando tudo com uma cor, você cria uma unidade, um conceito de ritmo. Se muda a cor entre os ambientes, você cria setores", explica Sofia. De acordo com ela, o uso da cor indica a forma como o cérebro vai fazer essa leitura do espaço.
“A cor é quase um alimento mágico dentro de um projeto", resume a designer, ao lembrar que a mesma lógica vale tanto para uma planta pequena e integrada quanto para um apartamento maior dividido em vários cômodos.
O que considerar antes de pintar um espaço compacto
Reunindo os pontos técnicos levantados por Sofia, alguns cuidados ajudam a evitar os erros mais comuns na hora de decidir a paleta de um ambiente pequeno:
Priorize a luminosidade da cor, não só o tom.
Evite pintar uma única parede com uma cor forte e deixar as demais muito claras.
Defina que sensação o ambiente deve transmitir antes de escolher entre claro e escuro.
Use teto colorido com cautela em ambientes de pé-direito baixo.
Prefira acabamento fosco em espaços pequenos.
Use paleta contínua para integrar ambientes; mude a cor entre eles para setorizar.
A designer de interiores Sofia Kerr, parceira da Tintas Verginia.
Patrick Harlen
A cor como parte de um propósito maior
Para Eduardo Bathke, decisões como essas conectam com um propósito maior da Tintas Verginia: construir um mundo mais colorido e cheio de vida através dos espaços onde as pessoas vivem. Um propósito que, segundo o diretor, faz cada vez mais sentido prático à medida que esses espaços diminuem de tamanho.
"A demanda por imóveis compactos cresceu de forma consistente nos últimos anos, e isso trouxe uma pergunta técnica nova para dentro de casa: qual tom e qual acabamento fazem esse espaço funcionar de verdade, não só parecer maior", diz o diretor geral.
"Por isso, reforçamos esse tipo de conteúdo técnico: queremos que quem mora em espaço pequeno tenha acesso à mesma qualidade de informação de quem projeta uma casa grande", completa o diretor-geral.
Com o crescimento de estúdios, apartamentos de um dormitório e imóveis ocupados por uma só pessoa, a tendência é que essa demanda por informação técnica sobre cor continue aumentando, não como um detalhe estético de fim de obra, mas como parte do planejamento do espaço desde o início do projeto.
Para conhecer as linhas de tinta da Tintas Verginia e explorar o catálogo de cores da marca, acesse tintasverginia.com.br. ...

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