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'Sentimos a dor como se fosse nossa', diz venezuelana que arrecada doações em MT para vítimas de terremoto

G1 (Globo)
'Sentimos a dor como se fosse nossa', diz venezuelana que arrecada doações em MT para vítimas de terremoto

Venezuelanos em Cuiabá promovem campanha para ajudar vítimas do terremoto
Imigrantes venezuelanos em Cuiabá organizaram uma campanha para arrecadar alimentos, água e produtos de higiene para as vítimas do terremoto que atingiu a Venezuela. A mobilização ocorre duas semanas após o duplo terremoto, no dia 24 de junho, que já deixou 3.889 mortos e quase 17 mil feridos, segundo o governo venezuelano.
A iniciativa é coordenada pela empresária venezuelana Roslemy del Valle Rivero Rengel, que mora em Várzea Grande há cerca de nove anos. Ela abriu as portas da oficina mecânica da família para funcionar como ponto de coleta das doações. No local, funcionários e voluntários recebem, separam e organizam os alimentos, a água e os produtos de higiene que serão enviados às vítimas do terremoto.
"Você acorda e vê as notícias de um povo tão grande, tão maravilhoso, destruído por dois terremotos em menos de 40 segundos. Como não sentir no coração que precisa fazer alguma coisa por eles?", afirmou Roslemy.
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A empresária contou que a mobilização para arrecadar doações surgiu da solidariedade entre venezuelanos que vivem no Brasil e acompanham a situação enfrentada pelo país. Ela afirmou que, mesmo sem familiares diretamente afetados, a comunidade sente os impactos da crise e busca ajudar quem precisa.
“Como venezuelanos, sentimos muito essa situação. Mesmo que não tenhamos familiares afetados, somos muito solidários e unidos uns pelos outros. Sentimos a dor como se fosse nossa. Por isso nasceu essa ação de ajudar nosso povo”, afirmou.
Com familiares afetados pela tragédia, a venezuelana Neury Tabaré contou à TV Centro América que acompanha pelo celular, com ansiedade, as notícias. Segundo ela, a cunhada, o cunhado e os sobrinhos sobreviveram aos tremores, mas perderam todos os bens(veja vídeo acima).
Moradora de Cuiabá há dois anos, Neury relatou que viveu momentos de desespero sem conseguir contato com os familiares. Segundo ela, as ligações e mensagens ficaram sem resposta até a noite do dia seguinte ao terremoto.
"Ligamos para a família que está lá em Caracas. Ela não respondia às mensagens nem às ligações. Ficamos pensando que tinha acontecido alguma coisa. Só na noite do outro dia ela conseguiu falar com a gente. Ela está bem, mas perdeu tudo. Ela disse para nós: 'A vida é mais importante que o material'", relatou.
Apesar do alívio ao saber que os parentes escaparam sem ferimentos, Neury afirma que a distância aumenta a angústia. Além da preocupação com a situação da família, ela tenta encontrar uma forma de ajudar e, futuramente, trazer os parentes para o Brasil.
A cunhada e o irmão de Neury Tabaré sobreviveram aos tremores, mas perderam todos os bens durante a tragédia
Reprodução
Como ajudar
Ao g1, Roslemy contou que as doações estão sendo recebidas em um ponto de coleta montado na oficina mecânica da família, em Várzea Grande. No local, voluntários organizam os donativos, separando alimentos, água, medicamentos e produtos de higiene pessoal. A campanha também recebe contribuições por meio de uma vaquinha on-line. Ela também destacou a importância do apoio da população brasileira e de empresas para ampliar a arrecadação.
“Precisamos muito da solidariedade do grande povo brasileiro, das grandes e pequenas empresas. Cada contribuição, por menor que seja, ajuda muito”, disse.
Segundo a empresária, todo o material arrecadado será transportado de caminhão até o Amazonas. De lá, organizações parceiras ficarão responsáveis por levar a ajuda humanitária às regiões atingidas pelo terremoto. As doações podem ser realizadas no endereço:
Ponto de coleta: Oficina Mundo Diesel na Rua Vereador Abelardo de Azevedo, nº 112, bairro Ponte Nova, em Várzea Grande.
Roslemy reforçou que a maior necessidade no momento é de medicamentos, por serem itens prioritários e mais fáceis de transportar (veja abaixo os itens que podem ser doados).
Itens prioritários
Comunidade venezuelana em Cuiabá
Migrante venezuelana em MT diz que perdeu contato com a sobrinha após terremotos
Atualmente, 5.682 venezuelanos estão inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) em Cuiabá. Grande parte dessa população é atendida pelo Centro Pastoral para Migrantes, que oferece acolhimento e apoio aos imigrantes que chegam à capital.
Dados da instituição mostram que o número de venezuelanos atendidos passou de 252, em 2020, para 821, em 2025, um crescimento de 226% em cinco anos, refletindo o aumento da demanda por assistência à comunidade venezuelana na cidade.
Um dia após os tremores, o g1 esteve no Centro Pastoral para Migrantes, em Cuiabá, onde conversou com venezuelanos que perderam contato com familiares. Muitos relataram ter parentes em cidades atingidas, como Caracas e El Guayabo, e disseram acompanhar as notícias com apreensão.
Na ocasião, a venezuelana Diana Carolina Salazar, de 40 anos, procurava a Pastoral para resolver a documentação do filho. Emocionada, ela contou que ainda não havia conseguido falar com uma sobrinha que mora em Caracas (veja vídeo acima).
"Acordamos hoje com a notícia de que a Venezuela está passando por um momento difícil. Minha sobrinha está lá, e eu espero que ela esteja bem. Ainda não consegui falar com ela. Vou tentar entrar em contato mais tarde novamente. Se Deus quiser, tudo ficará bem e isso logo vai passar", disse.
Entenda o caso
O número de mortos na Venezuela passou de 3.500
O desastre atingiu principalmente o estado costeiro de La Guaira, onde mais de 800 edifícios foram danificados, sendo 190 completamente destruídos. Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram em 24 de junho deste ano e deixaram 3.889 mortos, quase 17 mil feridos e 17.907 pessoas desabrigadas, segundo o balanço mais recente divulgado pelo governo da Venezuela.
Diante da dimensão da tragédia, a Venezuela negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) o desbloqueio de ativos financeiros para ampliar a resposta aos danos causados pelos terremotos. ...

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