Como contadores usavam o rosto de 'laranja' para desviar milhões em impostos

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Esquema de fraudes no agro é investigado; contador do grupo está foragido
Contadores suspeitos de integrar um esquema que teria causado prejuízo superior a R$ 55 milhões aos cofres públicos pagavam cerca de R$ 2 mil mensais para usar o nome de terceiros como “laranjas”, segundo investigações da Polícia Civil. Eles supostamente usavam o reconhecimento facial dessas pesoas para autorizar transferências milionárias.
De acordo com a apuração, os suspeitos dependiam da biometria dos laranjas para movimentar contas bancárias usadas nas fraudes, e validar pagamentos e transferências de alto valor.
O contador Paulo César Maciel dos Santos é apontado como chefe do grupo. Ele supostamente lidava diretamente com os laranjas e contava com a ajuda de Ítalo Paz Koche, indicado como gerente geral do escritório de contabilidade.
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Paulo César é considerado foragido. Ítalo Paz foi alvo de mandado de busca e apreensão na terça-feira (23). O g1 não conseguiu contato com a defesa deles até a última atualização desta reportagem.
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Ítalo Paz Koche e Paulo César Maciel
Reprodução/Instagram Ítalo Paz/Divulgação/SSP
A polícia identificou que um dos laranjas teria sido atraído por Ítalo, com ajuda de outra pessoa. O contador teria prometido pagar R$ 2 mil por mês ao laranja para que ele "emprestasse" o nome para usar em uma empresa.
Conforme as investigações, Ítalo e Paulo César iam até a casa do laranja várias vezes por semana para fazer transferências milionárias que precisavam de reconhecimento facial. O laranja tentou sair do esquema após receber menos do que havia sido prometido, mas passou a sofrer ameaças de morte.
Durante o interrogatório, Ítalo confirmou que trabalha no mesmo escritório de Paulo César e afirmou que presta "serviços de T.I." O investigado também optou por exercer seu direito ao silêncio.
Operação El Dourado
A investigação indica que o grupo utilizava essas empresas para simular negociações milionárias no setor do agronegócio. Com notas fiscais consideradas falsas, os envolvidos geravam créditos fictícios de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que eram usados para reduzir tributos devidos por terceiros.
Segundo a polícia, o grupo era composto por empresas de fachada. No esquema, os integrantes simulavam negociações com grãos como soja e milho por meio de notas fiscais falsas para gerar créditos de ICMS. Em apenas seis meses, uma das principais empresas declarou uma movimentação superior a R$ 464 milhões, mas recolheu apenas cerca de R$ 39 mil em tributos.
No dia 24 de março de 2026, a polícia cumpriu um mandado de prisão preventiva em Unaí (MG), contra o principal responsável pelo esquema. Outro mandado de prisão preventiva foi expedido contra Paulo César, mas ele não foi localizado e é considerado foragido.
Segundo a polícia, as empresas operavam com estruturas que não eram declaradas. Ex-funcionárias disseram em depoimentos que eram contratadas para manter o local aberto para dar aparência de legalidade.
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