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Filho de ex-prefeito foragido do Ceará é preso por suspeita de lavagem de dinheiro

G1 (Globo)
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Filho de ex-prefeito foragido do Ceará é preso por suspeita de lavagem de dinheiro

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Bebeto Queiroz, prefeito eleito de Choró, está foragido há mais de um ano.
Redes sociais/Reprodução
O filho do ex-prefeito cassado de Choró, Bebeto Queiroz, foi preso nesta quarta-feira (24). Ele foi capturado em flagrante por suspeita de lavagem de dinheiro. A prisão aconteceu durante uma operação para cumprir mandados de busca e apreensão realizada pelo Ministério Público Eleitoral e a Polícia Federal.
Bebeto está foragido desde dezembro de 2024. Ele é apontado como o chefe de um esquema de fraude a licitações e desvio de emendas parlamentares desvendado pela Polícia Federal em janeiro deste ano.
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A prisão do filho dele, ainda não identificado oficialmente, aconteceu no âmbito da investigação criminal conjunta contra Bebeto. Foram apreendidos documentos que serão analisados pelos dois órgãos.
Ex-prefeito foragido
Eleito prefeito de Choró nas eleições municipais de 2024, Bebeto não chegou a tomar posse. Ele foi preso em novembro de 2024 por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes envolvendo contratos de abastecimentos de veículos da prefeitura.
O político chegou a ser solto no início de dezembro de 2024, após expirar o prazo da prisão temporária. Porém, poucos dias depois, a Justiça expediu um novo mandado de prisão contra ele, por outros crimes. Desde então, as autoridades não sabem o paradeiro de Bebeto Queiroz.
Em março deste ano, a defesa de Bebeto Queiroz disse que somente iria se manifestar nos autos dos processos.
Em abril de 2025, a Justiça Eleitoral cassou a chapa liderada por Bebeto que venceu as eleições de Choró. O Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) manteve a cassação, em agosto do ano passado. Uma nova eleição foi realizada no Município, no último dia 1º de março.
Fraudes a licitações
A denúncia de 2024 foi a ponta do iceberg. Um relatório da Polícia Federal, de janeiro de 2026, revelou um suposto esquema de negociação de emendas parlamentares, fraudes a licitações de prefeituras e financiamentos ilegais de campanhas eleitorais em diversos municípios do Ceará. O grupo criminoso seria liderado por Bebeto e pelo deputado federal Júnior Mano (PSB).
Por meio de nota, na época, a assessoria jurídica do deputado Júnior Mano disse que a investigação da Polícia Federal "nada encontrou de relevante contra o deputado" e lamentou o "vazamento seletivo de informações sigilosas justamente num momento em que os partidos começam a definir as candidaturas para as eleições deste ano".
Leia também:
PF desvenda esquema de fraudes a licitações e a financiamento de campanhas envolvendo deputado federal do Ceará
Relatório da PF sobre suposto esquema criminoso de deputado Júnior Mano cita conversas com Safadão; cantor não é investigado
De acordo com o relatório da PF, Bebeto, era o responsável por intermediar a destinação das emendas parlamentares do deputado Júnior Mano para prefeituras alinhadas ao grupo. O suspeito também negociava uma porcentagem da emenda que ficava com o grupo, uma “taxa” que variava entre 12 e 15% do recurso.
As investigações apontam que Bebeto utilizava várias empresas, que tinham contratos com diversas prefeituras do interior do Ceará, para desviar recursos que eram utilizados tanto para enriquecimento ilícito quanto para financiar campanhas eleitorais de aliados, por meio de práticas como a compra de votos. Depois, as mesmas empresas conseguiam contratos nas prefeituras dos aliados eleitos.
No relatório, a Polícia Federal destaca que não foi possível ouvir o depoimento de Bebeto uma vez que ele está foragido, "dificultando ainda mais sua defesa perante as provas colhidas e reforçando a ideia de que sua evasão está diretamente ligada à tentativa de obstrução da investigação e à sua reconhecida posição de liderança dentro da organização criminosa".
Um mandado de prisão emitido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Ceará contra Carlos Alberto Queiroz, o Bebeto segue em aberto com validade para todo o país.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Federal, o deputado Júnior Mano e o ex-prefeito Bebeto operavam o esquema de distribuição de emendas parlamentares com cobrança de retorno financeiro. A PF indica que a estrutura montada por Bebeto já existia antes da entrada de Júnior Mano. Com sua chegada, porém, o deputado passou a contribuir com recursos que ampliaram o alcance do esquema.
“A partir da influência de Junior Mano na captação de emendas, o grupo de Bebeto direcionava os recursos para determinados municípios estratégicos, onde a alocação financeira serviria de base para a cooptação política de prefeitos e a posterior manipulação dos processos de contratação pública”, diz o relatório da PF, ao qual o g1 teve acesso.
Bebeto Queiroz e Júnior Mano são acusados de chefiar grupo criminoso envolvido em fraudes e compra de votos no Ceará.
Reprodução
O esquema se retroalimentava: mais tarde, uma vez que os candidatos apoiados pelo grupo fossem eleitos, as empresas do esquema conseguiam contratos com as prefeituras dos aliados eleitos. O grupo ficava com parte do dinheiro das emendas, valor que variava entre 12 e 15% do recurso.
Além disso, o caixa das empresas envolvidas era utilizado para movimentações financeiras expressivas, com o envio de milhares de reais tanto por transações via Pix quanto no saque de dinheiro vivo.
O relatório cita pelo menos dez empresas suspeitas de envolvimento no esquema. De acordo com análise de 2025 da Controladoria-Geral da União (CGU), nove dessas empresas envolvidas no esquema receberam de prefeituras cearenses cerca R$ 455,5 milhões entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.
Os investigadores encontraram uma lista com pelo menos 71 prefeituras do Ceará que estariam vinculadas ao deputado federal Júnior Mano. Destas, os candidatos apoiados pelo grupo teriam sido eleitos em aproximadamente 50 cidades. Não está claro se eles receberam dinheiro do esquema.
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