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O que esperar da estreia de Kevin Warsh no Fed? Mercado observa tom do novo presidente

G1 (Globo)
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O que esperar da estreia de Kevin Warsh no Fed? Mercado observa tom do novo presidente

AI Summary

Kevin Warsh is holding his first meeting as Federal Reserve chair with interest rates expected to remain steady while the Fed removes language suggesting future rate cuts from its policy statement. The central bank is navigating an elevated inflation environment and labor market strength amid heightened political pressure and market scrutiny over policy direction.

Progressive: Progressive-leaning outlets frame Warsh's inauguration as a difficult moment, emphasizing the conflicting pressures—political demands, restive colleagues, inflation challenges—that place him in a constrained position. The tone is cautionary about the formidable obstacles he faces.

Moderate: Moderate-leaning outlets focus on the technical policy shift underway—removal of easing language, signaling of a new policy regime—with attention to market expectations and implications for consumer finances. The frame is analytical rather than political, centered on policy mechanics and economic ripple effects.

Conservative: Conservative-leaning outlets emphasize inflation as the central concern requiring potential further rate hikes, with labor market strength supporting the case for monetary tightening. They acknowledge political pressure as a contextual factor but highlight the economic rationale for anti-inflation policy.

Trump indica Kevin Warsh para comandar o Federal Reserve, o banco central dos EUA
A primeira reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sob o comando de Kevin Warsh termina nesta quarta-feira (17) em um cenário que costuma preocupar: inflação resistente, mercado de trabalho aquecido e pressão política por juros mais baixos.
A expectativa de mercado financeiro é de que os juros sejam mantidos entre 3,5% e 3,75% ao ano. Ainda assim, o encontro é visto como o início de uma nova fase do BC americano.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Mais do que a decisão desta semana, os investidores buscam entender como Warsh pretende conduzir a instituição nos próximos anos e até que ponto estará disposto a manter uma postura firme no combate à inflação.
A primeira coletiva de Warsh será acompanhada em busca de sinais sobre como o novo presidente pretende se comunicar, qual será seu grau de tolerância a uma inflação acima da meta e até que ponto estará disposto a contrariar a Casa Branca.
A mudança de comando ocorre em meio a questionamentos sobre a independência do Fed e às pressões do presidente Donald Trump por juros menores.
“As turbulências no fim do mandato de Jerome Powell servem como lembrete de que a independência dos bancos centrais não é algo garantido. O que está em jogo vai além da estabilidade de preços e alcança a própria arquitetura financeira global”, afirma Anis Bensaidani, economista do BNP Paribas.
Kevin Warsh, nomeado por Donald Trump para presidir o Federal Reserve, em foto de 21 de abril de 2026
Reuters/Kevin Lamarque
Novo comando, velhas pressões
A troca de comando no Fed ocorre após meses de atritos entre Trump e o então presidente da instituição, Jerome Powell. Desde o início de seu segundo mandato, o republicano argumenta que juros elevados encarecem o crédito e prejudicam a economia.
🗣️ As críticas se intensificaram em julho do ano passado, quando Trump chegou a chamar Powell de “estúpido” e “cabeça oca”, acusando as decisões de juros de prejudicar os americanos.
Em entrevista à NBC News na última semana, porém, Trump adotou um tom diferente ao comentar o novo comando do banco central.
Donald Trump e o ex-presidente do Fed, Jerome Powell, em 24 de julho de 2025.
REUTERS
O republicano afirmou que quer que Warsh “faça o que quiser”, mas voltou a defender juros mais baixos e criticou a possibilidade de novas altas. Na visão do presidente, a economia americana continua forte, e encarecer o crédito seria uma forma de “punir o sucesso”.
Para Bensaidani, do BNP Paribas, a troca de comando no Fed, por si só, não deve provocar mudanças relevantes na condução dos juros. Segundo ele, a principal garantia da independência da instituição continua sendo a estrutura do comitê responsável pelas decisões.
“O voto de Warsh não tem mais peso do que o de qualquer outro diretor ou presidente regional com direito a voto — e esses integrantes, em geral, demonstram preocupação com o nível elevado e crescente da inflação.”
Na avaliação de Luiza Paparounis e Francisco Lopes, analistas do BTG Pactual, a combinação de atividade econômica forte, mercado de trabalho sólido e inflação elevada exige cautela por parte do Fed.
Ao mesmo tempo, uma postura “excessivamente paciente” pode ser interpretada pelo mercado como sinal de tolerância à inflação. Por isso, a comunicação do comitê ganha ainda mais importância.
Para os analistas, Warsh deve levar ao Fed sua visão crítica sobre o excesso de sinalizações a respeito dos próximos passos dos juros.
“É possível que ele tente reduzir a importância de sinalizações explícitas sobre a trajetória dos juros e enfatize que as decisões serão tomadas reunião a reunião, com base nos dados”, dizem.
Juros altos por mais tempo
Os dados recentes da economia americana ajudam a explicar por que o Fed enfrenta uma tarefa mais complexa e por que cresce a percepção de que os juros terão de permanecer elevados por mais tempo.
💼 Mercado de trabalho aquecido: a criação de 172 mil vagas em maio e a taxa de desemprego estável em 4,3% — ainda em níveis historicamente baixos — mostram que a economia continua gerando empregos. Ao mesmo tempo, os salários avançam cerca de 3,4% ao ano, sinalizando que a demanda por trabalhadores segue forte.
⛽ Pressão nos preços: a inflação voltou a ganhar força. O índice de preços ao consumidor (CPI), uma das principais medidas do custo de vida, acumula alta de 4,2% em 12 meses, o maior patamar em três anos. O movimento foi impulsionado principalmente pelo aumento dos preços da energia em meio ao conflito no Oriente Médio.
📈 Inflação ainda distante da meta: mesmo ao excluir itens mais voláteis, como alimentos e energia, os indicadores seguem acima do objetivo de 2% perseguido pelo Fed. O núcleo do CPI está em 2,9%, enquanto o núcleo do PCE — índice de inflação preferido do banco central americano por refletir melhor os hábitos de consumo das famílias — permanece em torno de 3,3%.
📉 Crescimento mais moderado: por outro lado, a atividade econômica dá sinais de perda de fôlego. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu a uma taxa anualizada de 1,6% no último trimestre, abaixo dos 2% projetados anteriormente e das expectativas do mercado, indicando desaceleração em relação aos períodos anteriores.

Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, espera que o Fed abandone qualquer sinalização de corte de juros e reforce uma postura de “esperar para ver”, mantendo as decisões condicionadas aos próximos indicadores e ao cenário geopolítico.
“Embora Warsh tenha defendido recentemente uma flexibilização monetária antes do conflito, ele deve adotar uma postura técnica. Em sua primeira passagem pelo Fed, entre 2006 e 2011, era considerado mais rígido”, afirma Sung.
Para Axel D. Angermann, economista-chefe do Grupo FERI, a reunião desta semana pode ter implicações mais profundas do que a simples decisão sobre os juros.
Na avaliação dele, a estreia de Warsh pode marcar o início de uma “direção fundamentalmente nova” para o Fed, refletindo críticas que o economista faz há anos às políticas adotadas por seus antecessores, como Powell, Ben Bernanke e Janet Yellen.
Segundo Angermann, Warsh vê com ceticismo a expansão do balanço do banco central e a atuação mais ativa do Fed para sustentar a economia. Para ele, isso pode representar uma ruptura com a estratégia adotada nas últimas décadas e abrir espaço para uma condução menos intervencionista.
“A política monetária dos EUA pode voltar a seguir uma abordagem baseada em regras, como ocorreu pela última vez na década de 1990, sob Alan Greenspan, evitando ajustes ativos na economia e no mercado de trabalho.”
Para Angermann, mais importante do que a decisão desta semana será observar se Warsh começará a colocar essa filosofia em prática nos primeiros meses à frente do Fed.
Sede do Federal Reserv (Fed), Banco Central dos EUA.
REUTERS/Joshua Roberts ...

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