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Turista fica cara a cara com duas onças-pardas e registra encontro surpreendente no interior de SP

G1 (Globo)
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Turista fica cara a cara com duas onças-pardas e registra encontro surpreendente no interior de SP

Turista fica cara a cara com duas onças-pardas e registra encontro surpreendente em SP
Em viagem ao Pontal do Paranapanema, a cerca de 660 quilômetros de casa, o analista financeiro Bruno de Paula Souza teve o cansaço da andança do feriado prolongado de Corpus Christi compensado com o avistamento de não apenas uma onça-parda, mas duas. Os felinos habitam o Parque Estadual do Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP).
Era manhã de domingo (7), último dia de viagem, quando Bruno resolveu ficar uns minutos a mais na cama devido ao cansaço e ao frio. O relógio já marcava 9h30 quando ele resolveu levantar e sair. Em entrevista ao g1, o analista contou que, nos primeiros cinco minutos de trilha, ele já escutou um indício da presença de um animal grande.
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“O barulho remetia a algo que estava saindo da água, sabe? Não como algo afundando, não como se tivesse caído algo na água. E foi um barulho alto. Eu falei: ‘Ah, tem algum bicho grande por aqui. Vou ficar quietinho, vou escutar para onde ele vai’”, lembrou.
Na sequência, o analista ouviu apenas o som de um galho quebrando e um silêncio absoluto invadiu a mata. Segundo relato dele ao g1, nenhum passarinho cantava, apenas uma cigarra ecoava pelo local. “Isso me chamou atenção. Eu falei: ‘Putz, é um bicho grande e astuto, né? Está muito quieto’”.
Onças-pardas foram registradas durante trilha em parque em Teodoro Sampaio (SP)
Bruno de Paula Souza
Bruno, que tem a fotografia de natureza como hobby, continuou caminhando a meio passo por vez e em silêncio para não chamar atenção. Passou por uma ponte e identificou um ponto de onde teria vindo o barulho. Ele ligou a câmera do celular, o esticou e começou a filmar.
Então, o rapaz de 26 anos, morador de Osasco (SP), viu pela tela do celular que tinha algo ali e percebeu que era um mamífero; em um primeiro momento pensou que era um bugio, e se questionou o que o primata fazia no chão. Porém, o animal virou e levantou a cara. Era uma onça-parda (Puma concolor) a sete ou oito metros de distância de Bruno.
“[Ela] olhou para o meu lado e lambeu esse lado [direito] do ombro. Aí eu falei: ‘Não acredito’. Pensei: ‘Vou manter a calma e vou aproveitar esse momento’”, contou ao g1.
Momento mágico
O analista financeiro continuou a filmagem com o celular para não perder o registro. Assista ao vídeo no início da reportagem.
“Acho que deu quase um minuto esse momento dela lambendo o pelo, lambendo a pata, com aquela luz da manhã entrando [na mata], com um pouco de serração ainda. Estava mágico”.
Até que a onça se chacoalhou e começou a andar em direção a ele e, antes que pudesse pensar o que faria, surgiu a outra onça atrás. O êxtase do encontro se uniu a um pico de medo e receio, mas Bruno se manteve controlado.
“Eu estava me sentindo um pouco no controle da situação. Eu vi que era um filhotão. [...] Na hora que surgiu a segunda, pensei: ‘Se aparecer a mãe, eu estou ferrado. Aí não tem o que fazer’. Aí eu fiz um movimento brusco para elas me verem mesmo e para não continuar vindo na minha direção. E esse é aquele momento que as duas param me encaram no olho, assim de um jeito que foi uma encarada na alma mesmo”, relatou.
Conhecer um pouco do comportamento do animal ajudou Bruno a passar pelo momento e fazer registros em vídeo e fotos. Em seguida, os felinos, ainda encarando o rapaz, se afastaram e cada um seguiu seu caminho.
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Importância da reserva
Bruno afirmou que nas trilhas sempre existe a expectativa de encontrar algum animal silvestre. “A hora que eu escutei o barulho, eu criei ainda mais. Eu falei: ‘Eu vou fazer tudo certinho aqui. Eu vou andar devagar, eu criei uma fé de que ia encontrar. [...] A hora que eu vi que tinha [uma onça], foi uma realização, uma euforia rápida que eu tive que conter, né?”, descreveu ao g1.
O sentimento predominante foi de gratidão e muitas reflexões sobre o lugar onde estava, segundo Bruno. Ele, então, destaca a importância de todas as reservas ambientais, estações ecológicas, parques e outros espaços no Brasil.
Mas, especificamente do Parque Estadual Morro do Diabo, o jovem reforçou a importância do espaço para a região e como ele resiste e segue lutando para se manter, e como é importante que os animais que estão ali vivam bem, vivam saudáveis e tenham comida disponível.
Onças-pardas foram registradas durante trilha em parque em Teodoro Sampaio (SP)
Bruno de Paula Souza
Também foi reforçada a questão da ciência cidadã e a proximidade entre o ser humano e a natureza que o local possibilita a quem não atua na área, sempre com respeito e ajudando a ciência e a preservação.
Bruno também aproveitou para agradecer à amiga Raissa Torriani, moradora de Teodoro, que apresentou tudo da região a ele e que sempre o incentiva nessas andanças.
Encontro respeitoso
O rapaz complementou que vê muitas pessoas falando que o ser humano invadiu o habitat dos animais e que os animais estão invadindo a cidade, mas ele entende que é preciso coexistir.
“A gente pode! Porque uma floresta tem uma diversidade absurda de aves, de mamíferos, de répteis e eles coexistem, como é há milhões e milhões de anos. E o ser humano entende que é parte disso. A gente vai acabar uma hora ou outra tendo encontros como esse, coexistindo no mesmo lugar, mas o respeito prevalece”.
Ainda segundo o analista financeiro, “o ser humano evoluído entende que aquilo ali não é parte da cadeia alimentar dele, que não é um rival também, que é mais um indivíduo que deve viver ali junto com ele”.
“A onça também, depois foi exatamente como aconteceu. Um analisou o outro. Ela viu também que eu não era perigo para ela, tomou o caminho dela, eu tomei o meu. Foi um encontro respeitoso de espécies diferentes e coexistindo no mesmo lugar. E eu entendo que é isso, que a gente deve aprender a coexistir com os animais, não destruir os habitats deles, mas talvez integrá-los aos nossos, e sobretudo o respeito”.
Onças-pardas foram registradas durante trilha em parque em Teodoro Sampaio (SP)
Bruno de Paula Souza
Repercussão
O momento foi postado por Bruno em uma página dedicada às suas fotografias de natureza e repercutiu imensamente. Ele conta que foi um “post despretencioso”, sem marcações, “mas furou a bolha completamente”.
O jovem relata que nomes importantes da área ambiental - como representantes do Ibama e do parque, administração municipal de Teodoro Sampaio e biólogos renomados - viram suas imagens, curtiram e repostaram o conteúdo. O vídeo, por exemplo, até a noite desta quinta-feira (11), tinha mais de 50 mil visualizações, segundo Bruno.
Bruno afirma ter recebido várias mensagens e relatos falando sobre esse encontro na cidade. No entanto, com a repercussão, o rapaz também deixa a reflexão de que não vale tudo por um clique.
“É importante toda a sociedade contribuir com dados, com registros, com avistamentos, mas isso não pode ser radical, não deve jamais ocorrer importunando o animal em busca de ver um comportamento, não chegar muito perto, não alimentar o animal, não mudar o comportamento dele”, afirmou.
Parque Estadual do Morro do Diabo
O Pontal do Paranapanema é rico em fauna e flora, e proteger toda a extensão de mata e as espécies que nela habitam requer muito trabalho. Para apoiar essa missão, vários programas de monitoramento são realizados ao longo do ano.
Vários animais silvestres são avistados na região que abriga a unidade de conservação. Em fevereiro deste ano, por exemplo, uma onça-pintada foi filmada atravessando um rio a nado.
Atualmente, o Oeste Paulista abriga a segunda maior população de onças-pintadas remanescentes do estado de São Paulo. Esse fator eleva a importância da biodiversidade e dos programas de conservação da região de Presidente Prudente.
Na ocasião, a diretora de Biodiversidade da Fundação Florestal, Andréa Pires, reforçou a necessidade de a população utilizar essas áreas de forma consciente, entendendo sua importância para a conservação da biodiversidade, cobrando investimentos do poder público e denunciando qualquer irregularidade à Polícia Ambiental, medida considerada fundamental para garantir a proteção das espécies e a manutenção de populações saudáveis.
Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), é símbolo de preservação
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