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Jovem do Paraná é indiciado por fazer 'vaquinhas' para tratamento de câncer e gastar doações com restaurantes e viagens

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Jovem do Paraná é indiciado por fazer 'vaquinhas' para tratamento de câncer e gastar doações com restaurantes e viagens

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Jovem é indiciado por fazer 'vaquinhas' para tratamento de câncer e gastar doações
Alan Guilherme, de 23 anos, foi indiciado por estelionato. De acordo com a Polícia Civil (PC-PR), ele é suspeito de mobilizar "vaquinhas" para doações a ele, sob o pretexto de um diagnóstico de leucemia, câncer que se origina na medula óssea. O jovem, no entanto, utilizava o dinheiro para viajar.
O caso aconteceu em em Cambira, no Noroeste do Paraná. O g1 tentou contato com Alan, mas não houve retorno até a última atualização desta reportagem. Ele responde em liberdade.
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Em entrevista ao g1, o delegado Victor Hugo Torres Bento informou que a apuração da polícia durou algumas semanas, e a finalização do inquérito foi divulgada na segunda-feira (22).
O caso começou a ser investigado por meio de denúncias anônimas realizadas pelo telefone 181 e por pessoas que procuraram a delegacia. Testemunhas suspeitavam que Alan estivesse fingindo estar doente, enquanto recebia dinheiro de doações por vaquinhas virtuais, rifas e bazares beneficentes que eram feitas para "ajudar no tratamento".
Uma das campanhas realizadas para arrecadar dinheiro.
Reprodução
"Essa desconfiança foi uma crescente, porque é um tratamento de uma doença conhecida por ser uma doença severa, uma doença agressiva, que exige um tratamento também muito brusco. E ele não apresentava nenhum desses sinais. [...] Relatavam também que ele apresentava uma compreensão de saúde física muito diferente do que se espera, ao ponto que ele jogava futebol. Ele realizava atividades que eram incompatíveis com a suposta doença", o delegado explicou.
A partir da apuração da polícia, também foi identificado que o jovem divulgava em redes sociais viagens feitas a Londrina, no Norte do estado, São Paulo (SP), e parque de diversão em Santa Catarina. Nesses registros, mostrava visitas a restaurantes e museus. "Tudo isso com o dinheiro que ele obtinha com esse tratamento", o delegado disse.
Registros destacados nas redes sociais do investigado.
Reprodução
A polícia não concluiu se o investigado efetivamente tem a doença e utilizava o dinheiro para outro fim ou se ele mentiu sobre o diagnóstico. Além disso, apesar da conclusão do inquérito, a polícia ainda não tem certeza do valor total arrecadado pelo jovem. Bento explicou que diversas transferências foram feitas diretamente para a conta do suspeito, e que apenas em uma das campanhas online havia R$ 2.525 em doações.
O delegado informou que foi encaminhado um ofício a todos os hospitais que o rapaz disse às pessoas que realizava acompanhamento médico: Hospital do Câncer de Londrina, hospitais de Cascavel, Hospital Norte Paranaense de Arapongas, Hospital da Providência de Apucarana e Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.
Em resposta, conforme a polícia, todas as instituições "informaram que o investigado jamais foi paciente ou recebeu tratamento médico relacionado à doença alegada".
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Em depoimento, jovem insistiu ter a doença
Ao ser confrontado no interrogatório, segundo Bento, Alan admitiu que não realiza tratamento para câncer, mas que tem a doença.
Conforme o delegado, foi solicitado um laudo que comprovasse a informação, mas o suspeito não apresentou o documento às autoridades.
Como era o golpe, segundo a polícia
Em uma das vaquinhas, jovem utilizou discurso emocional para captar doadores: 'obrigado por me ajudar a acreditar que a vida pode vencer'
Reprodução
O delegado contou ao g1 que Alan dizia, para pessoas mais próximas, ter diagnóstico de leucemia há cinco anos. Ao mesmo tempo, contava ser necessário um tratamento experimental e que precisaria custear essa tentativa de cura.
Em alguns casos, as pessoas que ajudaram ele com arrecadações também tinham familiares que possuem laudo de câncer. Desta forma, se sensibilizavam pela situação e buscavam formas de colaborar com as campanhas.
Para manter contato com esses doadores, o delegado disse que Alan criou uma conta falsa de WhatsApp, se passando por um médico. Esse telefone mandava mensagens para "informar os custos desse tratamento".
O rapaz conseguiu com que um morador de Cambira se sensibilizasse com a história e iniciasse uma campanha online, em setembro de 2025. Na descrição da vaquinha, é dito que Alan busca uma "nova esperança". Esta pessoa foi ouvida pela polícia e descartada como cúmplice.
A partir do indiciamento, o caso será enviado ao Ministério Público do Paraná (MP-PR), que pode, ou não, oferecer denúncia contra o jovem à Justiça.
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