Família e amigos de bebê que morreu em creche de SP fazem protesto e cobram por justiça

Família e amigos de bebê que morreu em creche fazem protesto e cobram por Justiça no Centro de SP
TV Globo
A morte de Abidulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, em uma creche no Brás, no Centro de São Paulo, motivou um protesto nesta segunda-feira (27). Pais de alunos, amigos da família e dezenas de imigrantes senegaleses se reuniram em frente à Creche Luz do Brás para pedir justiça e responsabilização pelo caso.
Com faixas, cartazes e camisetas, os manifestantes cobraram esclarecimentos sobre a morte do bebê.
"O nosso pedido hoje é pedido justiça, é de responsabilização, de um abandono de uma criança incapaz. A criança foi deixada durante seis minutos e ele agonizou até morrer", afirmou Mariama Bintu Bah, membro do Conselho Municipal de Imigrantes.
Amigos e parentes da família também criticaram a forma como a direção da escola comunicou a morte da criança.
"Pegar sua criança, dar banho, deixar ela para ir à escola e você receber um texto, nem uma ligação, um texto que eles passam, você chega e encontra ele em óbito. Está doendo! E eles não conseguem expressar a dor que eles sentem por causa do idioma, então estamos tristes", disse uma representante dos familiares durante o protesto.
Família e amigos de bebê que morreu em creche fazem protesto e cobram por Justiça no Centro de SP
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Mães de outros alunos também participaram do ato. Elas afirmam que já haviam cobrado a direção da unidade sobre a falta de funcionários e agora questionam o fato de a sala onde o bebê morreu continuar em funcionamento.
"Desde o dia em que o neném morreu, a creche não para de funcionar. Até a sala onde o neném foi morto. Outras crianças estavam lá, não foi retirado o material que a criança morreu, continua funcionando. Isso é um absurdo", afirmou Lhayss Rodrigues de Sousa, vendedora ambulante.
Abidulaye Dieng morreu na manhã da última quarta-feira (22) depois de prender a cabeça no vão entre uma barra de ferro e o espelho de uma das salas da creche. Segundo a investigação, ele ficou preso na estrutura por cerca de seis minutos até as monitoras retornarem para a sala.
A Polícia Civil já recebeu as quatro horas de imagens de câmeras de segurança solicitadas à creche e passou o dia analisando o material. Com base nas imagens, novos depoimentos serão tomados. A expectativa da equipe de investigação é concluir o inquérito em menos de 30 dias.
Investigação
Abdoulaye Dieng de 1 ano e 4 meses e o pai dele
Reprodução
Na quinta-feira (23), a Polícia Civil requisitou as imagens após uma denúncia apontar que, no momento do acidente, as crianças teriam ficado sem a supervisão de um responsável porque funcionários da unidade estariam participando de uma festa de aniversário.
Conforme a polícia, cinco pessoas foram ouvidas, entre elas duas funcionárias. E os relatos apontaram que a comemoração teria acontecido antes do acidente. Contudo, as imagens vão esclarecer o que de fato aconteceu.
O caso foi registrado pela Polícia Civil como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é investigado pelo 8º Distrito Policial (Brás).
Pais denunciam falta de profissionais em creche que bebê morreu asfixiado
Em nota, a Secretaria Municipal da Educação disse que instaurou procedimento administrativo para esclarecer os fatos.
"Se forem confirmadas irregularidades, serão adotadas as providências cabíveis, incluindo o possível descredenciamento da organização parceira responsável pela unidade."
Ainda conforme a pasta, o Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem acompanha a família desde as primeiras horas e esteve nesta quinta-feira (23) na residência da criança com um psicólogo e um assistente social.
"A equipe do NAAPA também visitou o CEI para prestar acolhimento às crianças, famílias e funcionários. A sala onde ocorreu o incidente está interditada e passa por análise técnica. O CEI segue em funcionamento para atender os demais bebês e crianças", enfatizou a pasta.
Pai deixou o filho na creche
"Falta de supervisão": Família questiona demora no socorro de bebê que morreu em creche de
O pai do menino, Ibrahima Dieng, vendedor senegalês que vive no Brasil há oito anos, contou que deixou o filho na creche por volta das 7h30. Cerca de uma hora e meia depois, recebeu uma ligação informando que a criança havia sofrido um acidente.
"Hoje foi lá na escola e depois ele fala ligar (...) chegou, ele fala 'cadê criança?', esperar e depois ele morreu", disse.
Emocionado, Ibrahima afirmou que a família está destruída com a perda. "Tem que chorar, chorar muito assim, é triste."
Segundo ele, a mãe do menino passou mal após receber a notícia. "Chora muito... é triste, muito. Vai ser muito difícil recuperar."
Outros pais dizem que já reclamaram da falta de profissionais na creche. Segundo Lhayss Rodrigues de Sousa, que tem uma filha e um sobrinho na escola a equipe é insuficiente.
"A professora da sala do bebê, onde fica o meu sobrinho, estava tá doente, ficou afastada. Então muitas vezes a professora ficava sozinha com 12, 15 crianças. Eu vim durante quatro vezes conversar com a diretora, reclamar que ela não poderia ficar sozinha, que ela estava sobrecarregada", disse.
Família e amigos de bebê que morreu em creche fazem protesto e cobram por Justiça no Centro de SP
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