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MPF dá 24 horas para Semas suspender licença de dragagem da Alcoa no Rio Amazonas, em Juruti, no Pará

G1 (Globo)
MPF dá 24 horas para Semas suspender licença de dragagem da Alcoa no Rio Amazonas, em Juruti, no Pará

Dragagem no Rio Amazonas
Divulgação
O Ministério Público Federal (MPF) notificou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas) e a Alcoa World Alumina Brasil para suspender a dragagem no Rio Amazonas, na região de Juruti, no oeste do Pará. O órgão estabeleceu prazo de 24 horas para que a Semas anule a licença ambiental concedida à empresa e para que a mineradora interrompa imediatamente as operações.
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Segundo o MPF, a medida foi adotada após a constatação de irregularidades no processo de licenciamento ambiental e de indícios de danos socioambientais às comunidades tradicionais afetadas pela atividade. De acordo com a recomendação, a dragagem foi autorizada por meio de procedimentos simplificados considerados incompatíveis com o porte do empreendimento, sem a exigência de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e do respectivo Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (Rima).
Na última sexta-feira (10), representantes de 13 comunidades ribeirinhas divulgaram uma nota pública afirmando que a Alcoa iniciou a dragagem no Rio Amazonas sem a presença de representantes das comunidades, apesar de um acordo firmado durante tratativas acompanhadas pelo Ministério Público.
No documento, os moradores manifestam repúdio ao início das atividades e afirmam que a autorização foi concedida sem a realização de estudos ambientais suficientes para avaliar os impactos da intervenção. As comunidades também cobram maior rigor da Semas no processo de licenciamento.
Conforme o MPF, a Autorização nº 5.882/2025 permitiu à empresa remover até 7 milhões de metros cúbicos de sedimentos apenas neste ano. Durante as investigações, a própria Alcoa informou ao órgão que a dragagem atende a uma estratégia logística e comercial, e não a uma necessidade de desobstrução do canal de navegação.
Dragagem no Rio Amazonas: comunidades ribeirinhas declaram repúdio
O Ministério Público também aponta o uso da técnica conhecida como overflow, que aumenta a turbidez da água e favorece a dispersão de sedimentos e contaminantes no rio, justamente durante o período de reprodução de quelônios e da piracema.
Entre os impactos relatados pelas comunidades estão o assoreamento e o fechamento de lagos e igarapés, contaminação da água, aparecimento de parasitas em peixes e prejuízos à agricultura de várzea em razão da deposição de sedimentos, comprometendo também a pesca artesanal, principal fonte de renda de diversas famílias da região.
O MPF informou que já havia recomendado, em abril deste ano, a anulação das licenças ambientais por meio da Recomendação nº 3/2026. No entanto, segundo o órgão, a Semas manteve a autorização e a mineradora iniciou uma nova etapa da dragagem no dia 10 de julho, mesmo diante de pedidos de suspensão e de uma ação cautelar ajuizada pelo Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).
Na nova recomendação, o MPF adverte que o descumprimento das medidas poderá resultar na responsabilização civil, administrativa e criminal dos gestores da Semas e da Alcoa, além da possibilidade de enquadramento por improbidade administrativa e crime ambiental.
Além da suspensão da licença, o órgão exige que futuros pedidos de dragagem sejam submetidos a estudos ambientais compatíveis com a dimensão da obra, incluindo Estudo de Impacto Climático. Também determinou que a Alcoa preserve todos os documentos e elementos técnicos relacionados à operação para subsidiar eventual responsabilização por danos ambientais.
Por meio de nota, a Alcoa informa que recebeu a recomendação do Ministério Público Federal (MPF) e já prestou os devidos esclarecimentos ao órgão. A empresa reitera que mantém diálogo permanente com os órgãos de fiscalização e as comunidades próximas às suas operações em Juruti. Todas as informações solicitadas pelas autoridades têm sido, e continuarão sendo fornecidas com absoluta transparência.
A Alcoa reforça que sua atuação é orientada pelo respeito aos territórios, pelo relacionamento contínuo com as comunidades e pela condução responsável de suas atividades. A empresa seguirá colaborando integralmente com as autoridades competentes, mantendo seus compromissos socioambientais como princípio de sua operação.
Até a publicação desta matéria, a Semas não havia se manifestado sobre a notificação do Ministério Público Federal.
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